quinta-feira, 1 de março de 2012

O Desenvolvimento Psíquico: Freud

 
Freud (1856-1939) foi um neurologista clínico que se interessou por descobrir como tratar de histerias. Era um mal comum na época que muitos acusavam de ser mera encenação por aparentemente não haver nada de errado com o organismo das pessoas, mas Freud atribuiu a causa da histeria a fatores inconscientes. Tentou utilizar hipnose sem bons resultados para extrair esses fatores insconcientes e então desenvolveu as teorias e práticas básicas da Psicanálise, um processo de curto e longo prazo para lidar com neuroses e para cultivar o amadurecimento psíquico.

Na teoria de Freud a criança passa por cinco fases nas quais desenvolve (de forma saudável ou não) a estrutura de sua personalidade.


1) Fase Oral (do 00 ao 01 ano):
Nesta fase o desejo e o prazer da criança localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer.

O bebê é egocêntrico, não no sentido de egoísta, mas de não ter a capacidade cognitiva de entender os outros como pessoas distintas dele e ter toda sua atenção focada em suas necessidades, sentimentos e desejos. Sente a mãe como uma extensão dele e literalmente depende dela para sobreviver. E quem promove o rompimento é a própria mãe.

A primeira separação é o próprio nascimento, que pode ser depressiva para alguns bebês. A segunda separação é quando começa a perceber a mãe como pessoa distinta na medida em que ela começa a reassumir seus outros papéis na vida. É então que o ego passa a se desenvolver. Mas algumas mulheres se agarram ao papel de “mãe” porque se sentem muito poderosas e amadas nele e procuram “segurar” o filho.


2) Fase Anal (do 01 aos 03 anos):
Nesta fase o desejo e o prazer da criança localizaram-se primordialmente nas exercesse e as fezes, brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer.

É neste período que  a criança aprende a controlar seus esfíncteres, experimentando tanto o poder de reter quanto de excluir algo. Conforme aprende a controlar esse poder e a seguir normas, começa a desenvolver seu superego. Nesta fase a criança testa os limites que lhes são impostos e quanto mais desconfia do amor dos pais mais ele testa a autoridade deles para verificar se pode mesmo confiar neles. Desta forma também testa a coerência dos pais e aprende a noção de autoridade. O desequilíbrio é a recusa de abandonar o narcisismo e a dependência.


3) Fase Fálica (dos 03 aos 05 anos):
Nesta fase o desejo e o prazer da criança localizaram-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mãe é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai. Precedida pelo período de latência, a organização genital propriamente dita se instala na puberdade, quando as pulsões parciais estão definitivamente integradas sob a primazia genital específica de cada sexo. É o estágio final do desenvolvimento libidinal instintivo.

Se tudo estiver ocorrendo funcionalmente, a criança aprende que a mãe e o pai, além de se relacionarem com ela, possuem outro relacionamento: um com o outro. É a fase da “triangulação” ou “questão edipiana”. O menino quer a mãe só para si e então ocorre o choque com o pai. Agora é o pai que faz o corte e este depende da qualidade da relação do casal. Essa é a oficialização do “pão internalizado”. Aqui ocorre a identificação masculina: o menino quer ficar poderoso como o pai (ou outra figura masculina que faça esse papel) para também ter a sua própria mulher. Mas para que esse processo ocorra bem é necessário que o próprio pai esteja tranqüilo no seu papel masculino e que o casal tenha um relacionamento saudável.

Porém, podem ocorrer problemas no desenvolvimento da masculinidade quando (1) o pai tem um relacionamento frio, distante, passivo-agressivo ou mesmo hostil com a mãe, (2) o pai é literalmente ausente e não há figura masculina substituta, (3) a mãe é dominadora e o pai subserviente a ela ou (4) a mãe despreza o pai do menino e talvez os homens em geral.

No caso da menina, seu primeiro amor foi por alguém do mesmo gênero que ela: sua mãe. Porém, nesta fase ela quer o pai só para si. Mas, se o relacionamento familiar for funcional, a mãe faz o corte e depois mãe e filha se tornam “amigas”. Porém, mesmo assim a menina se sente culpada por ter “traído” o seu “primeiro amor” (a mãe), sentimento que pode carregar o resto da vida. Ou se sente mal por ser diferente da mãe. Esses sentimentos podem levar a relacionamentos disfuncionais dentro da família e/ou no seu próprio casamento.

Podem ocorrer problemas no desenvolvimento da feminilidade quando (1) o relacionamento ente pai e mãe é ruim e o relacionamento entre pai e filha se torna muito forte e é distorcido, (2) a mãe é literalmente ausente e não há figura feminina substituta, (3) a mãe é dominadora e o pai subserviente a ela ou (4) a mãe despreza o pai da menina e talvez os homens em geral.


4) Fase da Latência - (dos 05 aos 11 anos):
Esta fase tem sua origem na dissolução do Complexo de Édipo e do Complexo de Electra que ocorreram na fase fálica. Este período constitua uma pausa na evolução da sexualidade. Não significa necessariamente que a criança não tenha nenhum interesse sexual até chegar à puberdade, mas principalmente que não se desenvolverá nesse período uma nova organização da sexualidade. Surgimento de sentimentos de pudor e repugnância, a identificação com os pais, a intensificação das repressões e o desenvolvimento de sublimações são características desse período.


5) Fase Genital - (dos 11 anos em diante):
A organização genital propriamente dita se instala na puberdade, quando as pulsões parciais estão definitivamente integradas sob a primazia genital específica de cada sexo. O estabelecimento desse primado a serviço da reprodução é a última fase por que passa a organização sexual. Porém, fixações e regressões podem estancar o desenvolvimento libidinal e interferir na primazia genital e no funcionamento genital adequado na vida adulta.

Se o desenvolvimento foi saudável e equilibrado em todas as fases, a pessoa se torna um adulto ponderado e bem estruturado psicologicamente.


O MODELO PSICANALÍTICO DA MENTE

Freud idealizou o seguinte paradigma da mente humana:

TEORIA TOPOGRÁFICA: o aparelho psíquico possui níveis graduais de consciência: o “consciente” (a ponta do “iceberg”, os nossos pensamentos e sentimentos dos quais temos pleno conhecimento),  o “inconsciente” (a maior parte de nossa mente, submersa e invisível para nós mesmos, nossos pensamentos, sentimentos, memórias e desejos desconhecidos para nós próprios) e o "subconsciente" (a zona intermediária, um conjunto de fenômenos psíquicos latentes fora do alcance direto da consciência do indivíduo, mas que influenciam sua conduta).

TEORIA ESTRUTURAL: O aparelho psíquico possui três “personagens” ou instâncias: (1) o Id, que quer satisfazer nossos impulsos buscando o prazer imediato sem ser capaz de pensar nas conseqüências), (2) o Superego, nosso censor interno, que absorveu as normas do mundo externo e as impõe ao mundo interno para restringir os impulsos do Id e (3) o Ego, o mediador entre ambos e mediador entre nosso mundo interior e o mundo exterior.

Um ego forte e maduro produzirá uma razoável homeostase psíquica (equilíbrio psicológico e maturidade) e lidará bem com os conflitos internos, o que por sua vez possibilitará um bom relacionamento com as outras pessoas em geral. De acordo com Freud, temos duas pulsões: a pulsão da vida ou libido e a pulsão da morte ou autodestruição.

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