Aprendemos no estudo anterior que nosso comportamento diante de situações é fortemente influenciado por nosso limiar de tolerância ao stress, que por sua vez é resultado da interação (1) da nossa bagagem genética, (2) do nosso histórico de vida, (3) do estado físico e emocional em que estamos no momento e (4) dos nossos padrões de pensamento e comportamento.
Porém, esse limiar pode ser modificado. E quando ampliamos nosso limiar, reduzimos a frequência com que o ultrapassamos e assim maximizamos o grau de controle sobre nossa própria vida. E, sim, nós podemos expandir nosso limiar de tolerância ao stress através do desenvolvimento pessoal.
O limite de tolerância ao stress de cada pessoa é uma característica mutável [dentro de limites]. Varia no decorrer das horas, dias, meses e anos. Diversos fatores podem reduzi-lo ainda mais, como uma noite mal dormida, algum mal-estar físico, problemas pessoais, alimentar-se inadequadamente. E então acontecimentos que em geral nos afetariam pouco ou nada podem se tornar insuportáveis. Nestas condições somos mais vulneráveis a perder o controle e cometer erros do que em nosso estado normal.
O que influencia uma pessoa (como passar da hora do almoço e estar com fome) pode não influenciar outra. Assim, é fundamental cada um de nós ter consciência (1º) de quais fatores reduzem o seu limiar de tolerância ao stress, (2º) como eles o afetam e (3º) ter a sensibilidade para perceber quando um ou mais desses fatores estiver atuando e agir com mais cautela.
Nós maximizamos o controle sobre nossos pensamentos, sentimentos e ações quando minimizamos esses fatores e quando ficamos mais atentos enquanto eles estiverem ocorrendo. Por exemplo, se dormir pouco o afeta muito, na medida do possível procure sempre dormir o suficiente e seja mais cauteloso quando seu descanso tiver sido insuficiente.
Tomar cuidados com nossa saúde física, como alimentar-se e descansar adequadamente, fazer exercícios, evitar vícios e excessos, ajuda a maximizar nosso limiar de tolerância ao stress. Outro fator importante é modificar nosso modo de pensar. Lembre-se que, como seres inteligentes, nós reagimos mais à nossa interpretação subjetiva da realidade do que à realidade objetiva. Se você sistematicamente interpreta os acontecimentos de forma ameaçadora e imagina cenários terríveis, vai se manter em um estado de stress contínuo muito além do que os fatos requerem.
Todos nós já ouvimos falar dos dez erros que trataremos nessa série, mesmo que seja com outros nomes. Cada um de nós tende mais para alguns deles do que para outros. O reconhecimento dos nossos pontos fracos é o primeiro passo para reduzir a reincidência. O segundo passo é aprender a lidar com esses padrões e a agir de acordo com esse conhecimento.
Não devemos trocar um erro pelo seu erro oposto, como deixar de ser perfeccionista para se tornar relapso. É importante perceber que muitas vezes o que torna algo um erro é a sua aplicação disfuncional.
Uma atitude ou comportamento só se torna um erro quando (1) dificulta em vez de ajudar a obtenção do que queremos e/ou (2) quando provoca sofrimento desnecessário e inútil. Por exemplo, se a busca de grandes resultados e de alta qualidade produz êxitos e satisfação, é óbvio que não é um erro. Entretanto, se essa busca causa perdas maiores que os benefícios e causa sofrimento em vez de satisfação, está na hora de rever os seus conceitos, parar para analisar esse padrão mental e modificá-lo.
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