terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dez Erros (4/7): Stress, Estados Mentais, Interpretações e Erros


Muitas vezes sabemos perfeitamente que não devemos fazer algo ou agir de determinado modo, mas quando a situação surge ficamos cegos e caímos no erro novamente. Em alguns casos é um erro que prometemos não cometer outra vez, mas quando a situação se repete “parece uma força de apodera de nós” e fazemos de novo.

Por que repetimos erros que nos comprometemos a não repetir? Parte da resposta é que reconhecemos o erro, mas mantemos nossos padrões de pensamentos automáticos e determinadas crenças. Então, quando o mesmo tipo de situação surge, esses pensamentos automaticamente disparam, produzindo o mesmo comportamento errático de novo.

Assim, é necessário, mas não é suficiente, reconhecer intelectualmente que determinada reação é inadequada. Também não basta (e talvez nem seja necessário) sentir-se mal por ter cometido um lapso. Mas é fundamental modificar os padrões de pensamento e ação que produzem o comportamento indesejado. O mesmo padrão de pensamento em circunstâncias parecidas vai produzir as mesmas reações, ainda que tenhamos reconhecido o erro, sentido remorso e prometido não repeti-lo.

Nossa perspectiva mental pode maximizar ou minimizar nossa capacidade de lidar com uma situação. Soldados feridos em batalha relatam sofrer menos dor do que civis com ferimentos idênticos em situações cotidianas. A diferença está nas interpretações diferentes feitas por ambos os grupos. Nosso diálogo interno também influi muito na nossa percepção de uma circunstância e na forma como nos sentimos e reagimos a ela.

Pessoas diferentes podem interpretar uma mesma situação de formas muito distintas. Por exemplo, dois amigos assistem um filme, um aprecia muito e o outro não. Mais que isso, uma mesma pessoa pode fazer diferentes interpretações de um mesmo estímulo em diferentes estados mentais e em diferentes fases da vida. Um acontecimento que há cinco anos produziu certa reação em nós hoje talvez produzisse outra reação bem diferente.

Se alguém diz algo agradável ou desagradável para nós em um dia em que estamos descansados e serenos, nossa reação tende a ser uma. Mas se essa mesma pessoa disser exatamente as mesmas palavras e exatamente do mesmo modo, mas em um dia em que estamos cansados e irritados, nossa reação tende a ser outra.

Portanto, além dos nossos padrões de pensamento e das nossas crenças, um fator crucial para a forma como interpretamos um estímulo é o nível de stress no momento em que ele acontece. Quando ultrapassamos nosso limiar de tolerância, nos tornamos mais vulneráveis a erros.

Por fim, existe um terceiro fator. Há pessoas que passaram por situações horríveis na infância e juventude, mas conseguiram transcender e se tornar adultos emocionalmente equilibrados e saudáveis. E há pessoas que desfrutaram todas as vantagens e enfrentaram muito menos desafios que a maioria, mas ainda assim vivem em ansiedade, raiva e tristeza. Claro que são extremos e a maior parte de nós está em algum ponto da escala entre eles. Mas isso ilustra como somos influenciados pela interação da nossa bagagem genética com nosso histórico ambiental.

Todos nós nascemos com limitações humanas e com uma predisposição genética individual que foi moldada pelas experiências que tivemos e pelos ambientes em que vivemos no decorrer da vida, formando deste modo nossa individualidade única. Dois gêmeos geneticamente idênticos, mas criados em ambientes bem diversos, vão ter muitas semelhanças (algumas surpreendentes), mas também muitas diferenças.

Assim, nossa capacidade de lidar com o stress depende de uma combinação de fatores hereditários, dos ambientes que passamos na infância e juventude e do aprendizado que efetuamos na vida, que juntos produzem nossos padrões de pensamento e comportamento.

Mas, de qualquer forma, quando ultrapassamos nosso próprio limiar de tolerância ao stress, nosso organismo aciona os mecanismos biológicos automáticos de lutar, fugir ou paralisar-se, que somam-se aos nossos padrões de pensamento e produzem nossas antigas reações habituais. Sejam quais forem nossas crenças sobre a origem e a formação da vida, todos concordamos que o ser humano é um ser biológico e possui instintos de sobrevivência como qualquer outro ser vivo. O problema é que, como seres inteligentes, nosso organismo pode reagir às ameaças simbólicas ou abstratas (falar em público, enfrentar certa pessoa, etc.) da mesma forma como reagiria a uma ameaça física. E os resultados podem ser péssimos.

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