terça-feira, 15 de março de 2011

Dez Erros (7/7): Como Pensar e Viver Melhor


No decorrer da vida, absorvemos muitas informações e elaboramos crenças e filtros perceptivos que formam nosso “mapa mental da realidade” ou “paradigma”, através do qual interpretamos tudo o que vemos e ouvimos. Pessoas diferentes possuem diferentes paradigmas. É por essa razão que dois indivíduos podem observar um mesmo fato objetivo (como uma obra de arte, um filme, uma notícia, etc.) e formar opiniões muito diversas.
  
Tendemos a acreditar que nosso mapa mental representa exatamente a realidade, que a nossa percepção da realidade é a própria realidade. Então nem cogitamos em questionar nossos paradigmas. Mas só porque nós acreditamos muito em algo, não significa que seja verdade. Ou toda a verdade. Ou que seja a única interpretação válida possível. Podemos escolher ajustar nossas lentes paradigmáticas ou mesmo trocá-las e assim ver a realidade de um novo jeito.

Podemos quebrar antigos maus hábitos (sejam físicos ou cognitivos) substituindo-os por novos bons hábitos. Mas pode ser um grande desafio. Para tanto é necessário (1) o estabelecimento de objetivos de longo e curto prazo, (2) aprendizado teórico e treinamento prático contínuos e (3) determinação para persistir até que o novo hábito se torne automático. Requer (4) investir tempo e energia, (5) manter a serenidade para lidar com a aparente vagareza e com as possíveis recaídas e (6) humildade para aceitar ajuda de amigos genuínos e/ou de um psicoterapeuta.

Também precisamos acreditar que os benefícios compensam os custos. Às vezes um mau hábito (como ser um pouco desorganizado) não causa nenhum grande problema e corrigi-lo custaria uma quantidade de tempo, energia e recursos que seria melhor empregada em outro lugar. Porém, se um mau hábito causa transtornos, então provavelmente compensa pagar o preço de substituí-lo. Portanto, pare e faça um "balanço contábil" dos prós e contras.

As técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental NÃO vão fazer com que você nunca mais cometa erros nem tenha problemas. Não vão fazer recuar as águas da enchente, mas vão ajudá-lo a lidar com elas com maior serenidade. Otimizar sua autoconfiança e determinação de forma saudável não vai lhe proporcionar “sucesso” automático, mas maximizará suas chances de êxito. Por exemplo, se você procura alguém para relacionar-se, essa pessoa não vai aparecer só porque você aprendeu a ser mais receptivo, mas pelo menos a porta estará aberta caso ela apareça.

Em geral os dez erros não ocorrem separados e distintos. Eles atacam em duplas, trios, quartetos..., de formas sobrepostas ou misturadas. A psique humana é muito complexa. Mas para simplificar o entendimento e a aplicação prática nós vamos analisar os dez erros um por um. E depois veremos as técnicas cognitivo-comportamentais, que também podem ser estudadas separadamente, mas podem e devem ser utilizadas em conjunto. Essas informações constituem um Manual do Proprietário do Cérebro, um guia de resolução de problemas e de como pensar e viver melhor.

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