sexta-feira, 15 de abril de 2011

Catastrofismo (1/4): Introdução


O Catastrofismo é a compulsão de chegar a todo tipo de conclusão catastrófica e ficar alarmado sem pensar duas vezes em reação a qualquer indício de perigo, por mais pífio que seja, o que é autolimitador e até paralisante. Quem é catastrofista vive se induzindo a acreditar no pior, que desastre é iminente, que advirão consequências insuportáveis e que ele é impotente para impedir ou mitigar a tragédia. É uma mistura de pessimismo profundo com ansiedade intensa e sentimento de impotência.

Primeiro, temos que corrigir a confusão que o senso comum faz. Muitos pensam que sentimentos “positivos” são bons e que sentimentos “negativos” são ruins. Podemos comparar os sentimentos positivos com o acelerador de um carro e os sentimentos negativos com os freios. Você concordaria que o acelerador é bom e os freios são ruins e que o ideal é sempre acelerar e nunca frear? Claro que não! O carro possui os dois porque ambos são necessários para uma viagem bem-sucedida.

Da mesma forma, o ser humano é equipado com a capacidade de ter sentimentos negativos porque eles são necessários para nossa jornada pela vida. Uma pessoa que só tivesse sentimentos positivos e fosse incapaz de ter sentimentos negativos tomaria muitas decisões erradas e teria muitos tipos de problemas, inclusive de relacionamentos. Seria deficiente, inepta.

Portanto, é natural ter pensamentos negativos, não é ruim em si mesmo e é benéfico se for aplicado na dose certa, na duração certa e nos direcionar para o lado certo. O problema é justamente a superdosagem, o excesso de dosagens e o coquetel de atitudes negativas que a pessoa faz e toma.

O pior é que esse padrão de pensamento de alguma forma contribui muitas vezes decisivamente para que o acontecimento temido de fato ocorra: é a célebre “profecia autorrealizadora”. A pessoa teme tanto que X aconteça que age de forma que promove X. É como o aluno que não estuda ou não consegue se concentrar nos estudos porque “sabe” que não vai conseguir.

Conforme já explicado, o chamado “pensamento positivo” em excesso e sem bom critério também pode ser prejudicial, levando a pessoa a subestimar perigos e limitações e superestimar sua capacidade. A dose certa de pessimismo estratégico pode prevenir muitos problemas. Todo e qualquer empreendimento que fizermos em nossa vida pessoal (casar, ter filhos, etc.) e vida profissional (fazer um curso, mudar de emprego, abrir um negócio, etc.) tem prós e contras, oportunidades e riscos. Existem diferentes graus de riscos. E algumas “oportunidades” são simplesmente ilusórias, armadilhas.

Por exemplo, se para realizar certo negócio você tiver que vender seu carro e investir o dinheiro nele, tem que estar preparado para a possibilidade de não dar certo e perder a maior parte desse montante ou mesmo tudo. Avaliar sobriamente essa possibilidade não é ser derrotista, “entrar no jogo para perder”. Fazer isso é ser um planejador estratégico, saber que não basta entusiasmo e "pensamento positivo" para um negócio dar certo e que sempre há possibilidade de malogro. Portanto, um pessimismo estratégico que o leve a pesquisar muito bem antes de embarcar pode ser bastante saudável. E se para realizar esse mesmo negócio você tivesse que vender sua casa, o risco é muito maior e seria bom ser ainda mais pessimista.

Portanto, não devemos pensar que TUDO SEMPRE dará certo (nem que seja de alguma forma mágica), que somos invencíveis e invulneráveis. Nem devemos pensar que TUDO SEMPRE dará errado, exagerar o tamanho do perigo e da decepção e acreditar que NADA podemos fazer. Precisamos de equilíbrio e bom senso no uso de nossas ferramentas mentais.

Porém, o foco agora vai ser o catastrofista, o sujeito cheio de sentimentos de pessimismo, ansiedade e incapacidade que vê catástrofes iminentes em todo lugar e momento. Como podemos atingir o equilíbrio?

* * *

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Envie-nos seu comentário inteligente e educado: