Infelizmente ainda há preconceito quanto a fazer psicoterapia, em especial entre as pessoas menos instruídas. Porém, psicoterapia não é algo apenas para pessoas muito perturbadas ou incapazes, pessoas “normais” também podem se beneficiar grandemente dela. Ter um relacionamento terapêutico com um bom profissional é uma bela experiência de aprendizagem, autoconhecimento e autodesenvolvimento. Todo mundo deveria experimentar!
Para entender isso, vamos examinar os dois lados da questão.
PSICOTERAPIA: O PROFISSIONAL E O PROCESSO
O psicólogo não possui nenhuma capacidade de percepção extrassensorial. Ele é um ser humano comum, com limitações, imperfeições e frustrações. Mas também é um profissional qualificado que (1) conhece uma teoria científica e filosófica sobre como o ser humano pensa e age e (2) possui um conjunto de técnicas comprovadas para interpretar o que a outra pessoa diz e faz e lhe dar orientações efetivas.
Assim, para o trabalho do psicoterapeuta ser plenamente eficaz, é necessário que a outra pessoa se disponha a apresentar os seus pensamentos e sentimentos, a dialogar e a cooperar com o processo. O indivíduo sabe muito sobre si mesmo, o trabalho do psicólogo é ajudá-lo a re-elaborar o material apresentado por ele (o indivíduo atendido) e ajudá-lo a modificar seu modo de pensar e agir para obter outros resultados na vida.
Claro que leva algum tempo para a pessoa gradualmente cultivar essa confiança no psicoterapeuta, como em qualquer novo relacionamento. E a própria dificuldade de fazê-lo, se for além do razoável, pode ser material de investigação para a pessoa (com a ajuda do psicoterapeuta) decifrar e aprimorar o seu próprio modo de pensar e agir.
Dentro da Psicologia existem diversas abordagens, várias teorias que buscam explicar o ser humano e as causas e soluções de seus problemas. Entre as abordagens mais conhecidas estão a psicanalítica, a comportamental, a cognitivo-comportamental e a humanista/existencial. Porém, o mais importante é o fato do psicoterapeuta se importar com as pessoas e possuir conhecimento, não apenas informação.
PSICOTERAPIA: QUEM RECORRE A ELA
Conforme supracitado, fazer psicoterapia não é apenas para pessoas profundamente angustiadas, ou desvairadas, ou ineptas. Indivíduos com saúde mental e emocional dentro da normalidade também podem fazer psicoterapia para aprofundar seu autoconhecimento e melhorar sua capacidade de autogerenciamento e de interagir com os outros.
Podemos comparar as pessoas que podem se beneficiar da psicoterapia com quatro motoristas em situações bem diferentes.
Primeiro, um motorista que sofreu um acidente sério. Ele capotou o carro, está em estado grave e necessita de uma equipe de emergência. Talvez não tenha nem condições de pedir ajuda e necessite que outros o façam por ele. Esse motorista representa a pessoa que está em um colapso pessoal extremamente sério, correndo risco de vida e talvez precise não apenas de psicoterapia, mas de uma equipe multidisciplinar. Em muitos casos essa pessoa tem que ser levada ao psicólogo por terceiros ou talvez até mesmo o psicólogo tenha que ir até ele.
Segundo, um motorista preso em um atoleiro do qual não consegue sair por mais que tente. Em sentido físico ele está relativamente bem e consciente, embora provavelmente esteja irritado. Precisa da ajuda de alguém para sair do atoleiro (um guincho profissional ou improvisado) e ele é perfeitamente capaz de solicitar um. Mas o orgulho, a vergonha ou algo assim o impede de fazê-lo. Esse motorista representa a pessoa que vive em uma crise crônica, profunda, que se esforça estrenuamente para escapar dela sem conseguir sair do lugar, mas acredita que pode fazê-lo sem ajuda, principalmente de um psicoterapeuta.
Terceiro, um motorista andando em círculos em uma cidade desconhecida a procura de um endereço que não encontra. Pedir orientação para alguém da localidade poderia ajudá-lo a poupar muito tempo e energia, mas ele (ou ela) se recusa a fazê-lo. Esse motorista representa a pessoa que leva uma vida relativamente funcional, mas que passa por uma crise específica que poderia ser solucionada com mais facilidade se aceitasse orientação profissional. Porém, em vez disso ele (ou ela) prefere resolver sozinho ou com o auxílio de autoajuda, superstições, cientificismo, etc. Esse tipo de motorista corre o risco de cair em atoleiro. A maioria se encaixa nesta categoria. Mas quando pessoas nesta situação finalmente aceitam fazer psicoterapia, encontram o seu caminho.
Quarto, um motorista que já é habilidoso, mas resolveu fazer um curso de aperfeiçoamento. Ele busca se tornar um motorista melhor ainda, ou poder dirigir mais outro tipo de veículo. Representa a pessoa que já possui uma boa medida de maturidade e de equilíbrio emocional, mas que resolveu fazer psicoterapia para crescer ainda mais em autoconhecimento, capacidade de autogerenciamento e habilidade de interagir com os outros.
Portanto, não importa que tipo de "motorista" você seja: fazer psicoterapia por certo tempo pode ser muito benéfico para sua vida!
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PS: A expressão “risco de vida” não é errada.
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