Existem vários tipos de relacionamento: pais e filhos, irmãos, colegas de escola ou trabalho, etc.. Uma categoria especial de relacionamento é a “relação de ajuda”. Todos nós já fomos beneficiados por ter tido alguma relação de ajuda com um parente, amigo, colega, professor, etc. Vamos tratar aqui de um tipo de relação de ajuda: a relação psicoterapêutica.
Muitos atribuem à palavra “ajuda” um sentido pejorativo. Aceitar (ou pior, solicitar) ajuda para resolver problemas é visto como reconhecimento de fraqueza e de abrir vulnerabilidade a ataques. É inaceitável para indivíduos e ambientes altamente competitivos e cheios de rivalidade.
Solicitar ajuda de um profissional é relativamente fácil quando se trata de algo como pedir para um mecânico consertar nosso carro. Mas quando se trata de aceitar ajuda para resolver problemas íntimos que acreditamos que devíamos saber resolver sozinhos, a aceitação pode ser muito mais difícil.
Solicitar ajuda de um profissional é relativamente fácil quando se trata de algo como pedir para um mecânico consertar nosso carro. Mas quando se trata de aceitar ajuda para resolver problemas íntimos que acreditamos que devíamos saber resolver sozinhos, a aceitação pode ser muito mais difícil.
Entretanto, a palavra “ajuda” nada tem de pejorativa em si mesma. Ajudar é favorecer, facilitar, propiciar, auxiliar, orientar, apoiar alguém em uma atividade ou fase. Todos nós recebemos ajuda e prestamos ajuda a outros. Em uma relação de ajuda as idéias e experiências são trocadas, as alternativas pesadas e novos caminhos são descobertos dentro das possibilidades do ajudador e do ajudado, visando capacitar o segundo.
Nas relações de ajuda informais, o auxílio em geral é dado de forma não-programada, espontânea e sem método. Além disso, um amigo costuma também expor seus próprios problemas e expor seus sentimentos. Em contraste, na relação psicoterapêutica existe uma hora e lugar reservados, o ajudador segue uma metodologia e toda a atenção está focada nos problemas do auxiliado, não do auxiliador.
O psicoterapeuta tem seus próprios problemas pessoais como todo ser humano, mas neste relacionamento ele está ali apenas para ouvir o discurso do outro e interpretá-lo conforme sua abordagem psicológica. Ele está ali para doar unilateralmente e (se o fizer com sinceridade) essa atitude ajudará a pessoa que o procura a abrir-se.
O psicoterapeuta tem seus próprios problemas pessoais como todo ser humano, mas neste relacionamento ele está ali apenas para ouvir o discurso do outro e interpretá-lo conforme sua abordagem psicológica. Ele está ali para doar unilateralmente e (se o fizer com sinceridade) essa atitude ajudará a pessoa que o procura a abrir-se.
Existe um debate sobre o termo mais apropriado para se referir a quem que recebe psicoterapia. A expressão tradicional “paciente” é rejeitada por diversos profissionais, que preferem “consulente”, “cliente”, "agente" ou outro termo. Certo dicionário define a palavra “paciente” como: (1) resignado, conformado, (2) pessoa que padece e que está sob os cuidados de médicos e/ou outros profissionais, (3) o que sofre ou é objeto de uma ação praticada por um agente, (4) aquele que espera serenamente um resultado, (5) aquele que persevera na continuidade de uma tarefa lenta e difícil.
Destas cinco definições, três parecem reduzir o indivíduo a um ser incapaz de reagir, que necessita ser resgatado por alguém e precisa submeter-se passivamente a este. Claro que essa noção de “paciente” é errônea. Entretanto, os psicoterapeutas que utilizam o termo "paciente" o fazem com um sentido positivo. E é isso que mais importa.
Destas cinco definições, três parecem reduzir o indivíduo a um ser incapaz de reagir, que necessita ser resgatado por alguém e precisa submeter-se passivamente a este. Claro que essa noção de “paciente” é errônea. Entretanto, os psicoterapeutas que utilizam o termo "paciente" o fazem com um sentido positivo. E é isso que mais importa.
A quinta definição apresenta uma característica essencial para a psicoterapia ser bem-sucedida: perseverança. A própria decisão de buscar ajuda demonstra coragem, o desejo de superar limitações e frustrações e a crença (ainda que latente) de que possui capacidade de fazê-lo se receber orientação e apoio. Portanto, ainda que o psicoterapeuta utilize o termo “paciente”, o indivíduo deve ser ativo desde o início e durante todo o processo terapêutico. Ele deve ser receptivo, não passivo.
O psicoterapeuta é um profissional qualificado, com uma formação que lhe proporciona uma visão abrangente do ser humano e um conjunto de técnicas que permitem auxiliar a pessoa que recebe sua ajuda a gradualmente desenvolver autoconhecimento, a escolher os rumos de sua vida daqui em diante e como fazê-lo de forma funcional. Um bom psicoterapeuta é altruísta, dotado de honestidade intelectual e maturidade emocional e respeita a individualidade e a dignidade intrínseca do outro.
Muitos querem aprimorar-se, mas encontram obstáculos no seu caminho que não conseguem remover nem contornar. Parte destes obstáculos são limitações autoimpostas que podemos remover ampliando nosso autoconhecimento e aprendendo novas formas de pensar e agir. Outros obstáculos são limitações com as quais temos que aprender a conviver e descobrir outras formas de encontrar satisfação.
Para piorar, muitos confundem esses dois tipos de obstáculos, o que os leva a interagir com eles de formas inadequadas. Além disso, todos nós passamos por crises que sobrecarregam nossa capacidade de prosseguir nossa vida. Até mesmo oportunidades podem gerar fases tensas, pois podem envolver escolhas difíceis, renúncias e riscos.
Para piorar, muitos confundem esses dois tipos de obstáculos, o que os leva a interagir com eles de formas inadequadas. Além disso, todos nós passamos por crises que sobrecarregam nossa capacidade de prosseguir nossa vida. Até mesmo oportunidades podem gerar fases tensas, pois podem envolver escolhas difíceis, renúncias e riscos.
Nestas situações o psicoterapeuta pode auxiliar você a aprimorar sua percepção e capacidade de discernimento, facilitando assim seu processo decisório. Auxilia você a aceitar pacificamente a si mesmo como você é com todas as suas características peculiares, assim como aceitar a sua vida, as suas limitações e o seu passado como eles são. Ao mesmo tempo, o ajuda a compreender que possui capacidade de mudar como pensa e age e exercer essa capacidade, o que no mínimo vai modificar como se sente em relação a si próprio e ao mundo, vai torná-lo uma pessoa melhor e dentro do possível produzirá mudanças em seus ambientes.
Trata-se de um processo dialético para o qual não existem receitas prontas, apenas princípios fundamentais e diretrizes gerais. Conforme sua abordagem psicológica, o terapeuta auxilia o consulente a conhecer seus próprios pensamentos e sentimentos e a reorganizá-los dentro de sua individualidade e circunstâncias singulares. Desta forma o indivíduo torna-se mais capacitado para enfrentar os desafios da vida com eficácia e otimismo e a usufruir um bem-estar subjetivo geral (“felicidade”).
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