A vida nos impõe muitas escolhas e algumas delas
são difíceis. É fácil escolher entre algo bom e algo ruim. A dificuldade é
escolher (1) entre duas opções ruins, ou (2) entre duas opções boas, ou (3)
entre duas opções arriscadas. Ou o que é mais comum: escolher (4) entre duas opções que são mistos de
fatores positivos e negativos. Estas são as chamadas “decisões difíceis”, sem
resposta fácil e óbvia.
Nestes casos, a melhor forma de elaborar o
processo decisório é por escrito. Colocar os prós e os contras das alternativas
no papel nos obriga a refletir racionalmente sobre elas e facilita a
ponderação. Supondo que você tenha duas alternativas, use uma folha ou mais de
tamanho suficiente e faça dois grandes “T” do tipo balanço contábil. Em cima de
cada “T” coloque uma alternativa; do lado esquerdo do “T” você coloca os prós
ou vantagens da alternativa e do lado direito, os contras ou desvantagens.
Às vezes os dois “T” ficam espelhados: os
prós/vantagens de um correspondem aos contras/desvantagens do outro e
vice-versa. Mas isso nem sempre acontece e podem surgir diferenças importantes,
então é melhor pensar bem e colocar os itens por escrito até concluir que as
listas são bem abrangentes. Se ficar em um impasse, pode fazer uma pausa. Caso pense depois em mais algum ponto, pode
acrescentá-lo.
Terminadas as listas, atribua um valor numérico
para cada pró/vantagem e cada contra/desvantagem de ambas as tabelas em uma
escala de 0 a 5, em que zero significa “nada importante”, cinco significa “extremamente
importante” e os pontos de 1 a 4 sejam graus sequenciais de importância.
Quando
terminar, as duas tabelas com suas respectivas pontuações vão ajudá-lo a tomar
uma decisão e aceitá-la, sem ficar especulando depois se deveria ter decidido
diferentemente.
É mais fácil aceitar uma determinada decisão
(junto com suas consequências positivas e negativas) se a fizemos em um
processo decisório consciente e racional, em vez de ficarmos com a sensação de
que ela nos foi imposta de alguma forma. Os psicólogos chamam esse fenômeno de
“autoeficácia”: quando temos a convicção de que determinado procedimento é o
melhor caminho dentro das atuais circunstâncias, temos mais condições de
aproveitá-lo ao máximo.
Tudo tem vantagens e desvantagens, até mesmo a
manutenção de estados emocionais e de modos de pensar e agir. Lilian passa
muito tempo sentindo raiva de seu ex-marido e pensando em formas de importuná-lo
e de prejudicá-lo, já tendo gasto grandes quantias com advogados com esse
intuito. Qual a vantagem desse modo de pensar e agir? Ela obtém uma satisfação
efêmera. Qual a desvantagem? Não sobra tempo nem energia para construir uma
nova vida para si mesma e nenhum homem vai se interessar por uma mulher
obcecada com seu ex-marido. Então ela deve considerar se vale a pena continuar
agindo assim.
Decidir o que vale a pena é uma decisão muito
pessoal, que só você pode tomar. Temos circunstâncias individuais, crenças e
valores diferentes. O que seria visto como vantajoso para alguns pode ser
encarado como desvantajoso para outros. Às vezes queremos tanto X quanto Y, mas
temos que escolher um deles e concluímos que o melhor para nós é X.
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