Estudos indicam que, assim como
outras características humanas, nossa
média de felicidade possui um forte componente genético, o que não significa
que seja predeterminada, mas quer dizer que é uma tendência da estrutura biológica
inata de cada indivíduo.
Geralmente, na medida em que as
pessoas vão se tornando mais maduras, elas aprendem a lidar melhor com a vida
(incluindo os problemas) e assim se tornam relativamente mais felizes. Entretanto,
nos anos recentes essa tendência vem mudando. Uma hipótese é que os jovens cada
vez mais alimentam expectativas exageradas, inviáveis; então o passar dos anos
gera mais frustração do que sabedoria.
Para complicar, muitas pessoas
confundem felicidade com prazer: pensam que estão buscando ser mais felizes,
mas na realidade estão em busca de sensações agradáveis. O prazer é um estado de
bem-estar por uma necessidade ou desejo ter sido satisfeito, mas que por sua
própria natureza é momentâneo e depende de diversos fatores fora do nosso
controle para ser continuado ou repetido. A felicidade é um processo subjacente
que tem oscilações, mas que mantém uma média ou padrão e depende mais de como
você pensa e reage do que com as circunstâncias externas.
Com frequência as pessoas buscam a
satisfação na vida de modos que geram frustrações. Por exemplo, a obsessão com
o controle do tempo faz com que muitos vivam sem tempo. Tanto baixos quanto
altos rendimentos são usados como justificativas para ter que trabalhar muito.
As pessoas não reservam tempo para relaxar e/ou não conseguem relaxar quando
conseguem tempo para isso. Muitos se desgastam demais em atividades para se
divertir e ficam esgotados em vez de revigorados. Outros conseguem se distrair
e se divertir bem, mas quando voltam logo retomam seus pensamentos e
sentimentos negativos.
A melhoria da qualidade de vida
ajuda a aumentar a satisfação com a vida, mas só até certo ponto. Depois de
certo limiar, melhores condições materiais geram proporcionalmente cada vez menos acréscimos
em nosso bem-estar subjetivo. Mesmo grandes mudanças só produzem enormes alegrias por alguns meses, depois a pessoa gradualmente se
habitua e volta ao seu padrão.
Muitos pautam sua felicidade pelo
êxito e bem-estar que percebem nos demais: se estão bem, mas outros estão
melhores, sentem-se mal; se sua situação melhorou em relação há tempos atrás,
mas a situação de outros melhorou ainda mais, sentem que houve uma piora em sua
vida.
Algumas pessoas parecem ter um medo
da felicidade, como se uma experiência pontual ou prolongada de bem-estar fosse
o prenúncio de acontecimentos ruins. Outros acreditam que aceitar ser feliz
seria egoísmo diante de tanto sofrimento no mundo.
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: