sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Dificuldade de Ser Feliz



Estudos indicam que, assim como outras características humanas,  nossa média de felicidade possui um forte componente genético, o que não significa que seja predeterminada, mas quer dizer que é uma tendência da estrutura biológica inata de cada indivíduo.

 

Geralmente, na medida em que as pessoas vão se tornando mais maduras, elas aprendem a lidar melhor com a vida (incluindo os problemas) e assim se tornam relativamente mais felizes. Entretanto, nos anos recentes essa tendência vem mudando. Uma hipótese é que os jovens cada vez mais alimentam expectativas exageradas, inviáveis; então o passar dos anos gera mais frustração do que sabedoria.



Para complicar, muitas pessoas confundem felicidade com prazer: pensam que estão buscando ser mais felizes, mas na realidade estão em busca de sensações agradáveis. O prazer é um estado de bem-estar por uma necessidade ou desejo ter sido satisfeito, mas que por sua própria natureza é momentâneo e depende de diversos fatores fora do nosso controle para ser continuado ou repetido. A felicidade é um processo subjacente que tem oscilações, mas que mantém uma média ou padrão e depende mais de como você pensa e reage do que com as circunstâncias externas.



Com frequência as pessoas buscam a satisfação na vida de modos que geram frustrações. Por exemplo, a obsessão com o controle do tempo faz com que muitos vivam sem tempo. Tanto baixos quanto altos rendimentos são usados como justificativas para ter que trabalhar muito. As pessoas não reservam tempo para relaxar e/ou não conseguem relaxar quando conseguem tempo para isso. Muitos se desgastam demais em atividades para se divertir e ficam esgotados em vez de revigorados. Outros conseguem se distrair e se divertir bem, mas quando voltam logo retomam seus pensamentos e sentimentos negativos.



A melhoria da qualidade de vida ajuda a aumentar a satisfação com a vida, mas só até certo ponto. Depois de certo limiar, melhores condições materiais geram proporcionalmente cada vez menos acréscimos em nosso bem-estar subjetivo. Mesmo grandes mudanças só produzem enormes alegrias por alguns meses, depois a pessoa gradualmente se habitua e volta ao seu padrão.



Muitos pautam sua felicidade pelo êxito e bem-estar que percebem nos demais: se estão bem, mas outros estão melhores, sentem-se mal; se sua situação melhorou em relação há tempos atrás, mas a situação de outros melhorou ainda mais, sentem que houve uma piora em sua vida.



Algumas pessoas parecem ter um medo da felicidade, como se uma experiência pontual ou prolongada de bem-estar fosse o prenúncio de acontecimentos ruins. Outros acreditam que aceitar ser feliz seria egoísmo diante de tanto sofrimento no mundo.



* * *

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Envie-nos seu comentário inteligente e educado: