domingo, 1 de maio de 2011

A Dinâmica da Felicidade (2/5)


Muitos acreditam que os prazeres físicos e o conforto material são a chave para sermos felizes e que estes garantem a felicidade. Mas os fatos contradizem essa crença simplista. Os cidadãos dos países mais ricos (e as pessoas ricas nos países pobres) não são necessariamente mais felizes. A melhoria material não se traduz em um proporcional aumento da felicidade.

Nos EUA, apesar de toda a fartura material, os americanos não são mais felizes hoje do que seus compatriotas de tempos passados. Ao contrário, os sintomas de infelicidade são alarmantes. E na Suécia o alto índice de suicídios é um problema grave. Em contraste, habitantes de muitos países menos ricos ou mesmo pobres são mais felizes do que os alemães e os japoneses, por exemplo.

É claro que, se a pessoa não possui o suficiente para ter certeza de que suas necessidades básicas estão garantidas, essa consciência pode causar desânimo. Porém, pesquisas demonstram que depois que as pessoas ultrapassam certo nível de renda, aumentos no seu rendimento produzem poucos (e em geral temporários) aumentos em sua satisfação na vida.

Até mesmo ganhadores de grandes prêmios da loteria e similares depois de alguns meses voltam a se sentir tão felizes ou infelizes como antes. Alguns nem sequer se alteram quando são informados de que receberam uma enorme quantia de dinheiro ou um bem valioso. Também ocorre com pessoas que passaram em concorridos vestibulares, concursos públicos ou seleções de emprego. Depois de certo tempo a novidade passa.

Inversamente, o mesmo ocorre com pessoas que sofreram desapontamentos como ficar desempregadas, serem reprovadas em um concurso, vestibular ou seleção que queriam muito passar, ou que se tornam paralíticas ou de outro modo limitadas por causa de uma doença ou acidente: depois de certo tempo elas aceitam o fato e voltam a ser tão felizes ou infelizes quanto antes. Portanto, não existe uma correlação direta e obrigatória entre bem-estar material objetivo e bem-estar subjetivo.

Como todo vício, as recompensas materiais (e o que elas podem obter) no começo proporcionam grande prazer, mas o efeito passa e a pessoa logo precisa de mais. A pessoa logo se habitua ao novo nível de renda e com o tempo vai necessitando de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito de antes. E então, no estágio final, o ato vicioso deixa de ser um meio [obter prazer ou alívio] para se tornar um fim em si mesmo: o viciado o repete apenas para evitar a síndrome da abstinência se parar.

Além disso, quanto mais subimos na "pirâmide", mais difícil se torna subir ainda mais, exigindo cada vez mais e maiores sacrifícios. Um dia a pessoa atinge seu limite e não consegue subir mais. E mesmo que atinja o topo, não recebe a felicidade prometida. De uma forma ou de outra é muito frustrante.

Sem idealizar o passado (que também tinha suas causas de infelicidade), antes um indivíduo podia ser valorizado por suas qualidades pessoais: ser um religioso dedicado, um sábio, um artista, um bom profissional, um cidadão honesto. Hoje tudo é medido pelo preço no mercado e grande parte das pessoas acredita que o segredo da felicidade é o acúmulo de bens materiais e de status e usufruir o máximo de prazeres imediatos. Não quer dizer que recompensas materiais não sejam importantes, quer dizer que sozinhas elas não garantem felicidade e que depois de certo ponto mais dinheiro produz apenas mais dinheiro, além de um prazer momentâneo.

As pessoas procuram a felicidade onde ela não está e reclamam do resultado.

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