O que fazer quando uma pessoa nos decepciona? O desapontamento pode ser alguns atos de desconsideração. Ou pode ser uma completa mudança de atitude: a pessoa que era atenciosa passa a sistematicamente nos ignorar e até nos repelir. Nestes casos podemos ficar perplexos e nos perguntar o que aconteceu. Será que fizemos algo? Ele ou ela está com algum problema?
Em certos casos o sujeito na verdade nunca foi nosso amigo de fato, apenas aceitava nossa companhia enquanto era conveniente para ele. Assim, quando nossa utilidade acabou, a “amizade” acabou junto e a pessoa descartou um objeto do qual não necessita mais. Nestes casos, que bom: perdemos um falso amigo! Tire lições e aprenda a discernir verdadeiros amigos antes de investir tempo e sentimentos.
Entretanto, antes de condenar a pessoa como falso amigo (embora às vezes essa hipótese deva ser considerada), é bom refletir que nenhum relacionamento entre dois seres humanos é imune a problemas. Mais cedo ou mais tarde, qualquer pessoa com quem você se relacione vai dizer ou fazer algo que você não apreciará. E o mesmo vale para você em relação a ela. É por isso que um bom relacionamento é a união de dois bons perdoadores. Não seja “casca de ovo” (que quebra fácil)! Cultive a gratidão e o apreço, valorize o que a pessoa é e já fez de bom.
Vamos repetir para enfatizar:
Nenhum relacionamento entre dois seres humanos é imune a problemas. É por isso que um bom relacionamento é a união de dois bons perdoadores.
O simples fato de ajustar suas expectativas para que sejam razoáveis já melhora significativamente o caso. O próximo passo é analisar o problema.
CONSIDERAÇÕES
Em alguns casos a pessoa pode estar passando por mudanças em sua personalidade, convicções, valores e objetivos, de modo que a afinidade dela conosco diminuiu. O ser humano é um ser em constante transformação e reinvenção e é natural que isso ocorra. As pessoas mudam. Existem diferentes tipos e graus de amizade. Uma amizade específica pode mudar de categoria e/ou profundidade e continuar sendo sincera.
Outra possibilidade é que talvez pessoa esteja passando por um dia ruim ou uma fase ruim e precise de um tempo sozinha. Ou talvez precise de apoio empático e/ou orientação, que pode vir de você ou de terceiros. Pode ser que a pessoa não saiba pedir esse apoio ou orientação. Ou pode ser que, por algum motivo, ela prefira receber de outrem, não de você. Se for o caso, é um direito dela que temos que respeitar.
A súbita mudança de comportamento também pode ser apenas a manifestação de uma faceta da personalidade dele ou dela que você não conhecia. Essa faceta pode ser uma imperfeição, uma limitação ou uma simples característica da pessoa. Então a pessoa não mudou de fato, você é não conhecia simplesmente a pessoa tão bem quanto pensava.
Portanto, o primeiro passo é dar o benefício da dúvida: talvez você tenha interpretado mal. Evite reagir por impulso. Acalme-se e reflita se o erro da pessoa realmente aconteceu: como humanos, tendemos a confundimos imaginação com realidade. SE a pessoa de fato cometeu um erro, observe as evidências de que até que ponto foi de propósito. Pense em possíveis atenuantes (como o fato da pessoa talvez estar doente, com algum problema difícil ou muito estressada). Analise se o erro foi mesmo tão importante que não possa ser banalizado e esquecido.
Se você concluir que é necessário mesmo conversar com a pessoa, saiba escolher o lugar, o momento e as palavras. Cuidado com sua voz e expressão facial. Espere acalmar-se o suficiente para conseguir conversar de forma pacífica. Tenha a motivação de esclarecer o caso e fortalecer o relacionamento, não de desforrar. E saiba ouvir de verdade, para que a conversa seja um genuíno diálogo. Talvez você tenha se enganado na sua interpretação. E pode ser que você cometeu alguns erros também.
Até os melhores relacionamentos passam por maus momentos e fases ruins. Saber lidar com essa realidade da vida (1) de forma ética e empática, (2) sem ficar abalado demais e (3) sem acabar automaticamente com o relacionamento, é sinal de maturidade emocional, intelectual e existencial.
E neste processo de esclarecimento e restauração, lembre-se de que a saúde do relacionamento não depende só de você: a outra pessoa possui (dentro de seus próprios limites e direitos) metade da responsabilidade pelo bom andamento do mesmo. Portanto, aja com equilíbrio e bom senso sempre.
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