domingo, 15 de maio de 2011

Catastrofismo (2/4): Capturando e analisando Pensamentos Automáticos assim que surgem


Todos nós conversamos com nós mesmos em nossa própria mente sobre quaisquer assuntos, assim como formamos imagens mentais do que existiu no passado, do que existe no presente (com certeza ou hipoteticamente) e do que poderá existir no futuro. Essas capacidades humanas são comuns e normais a todos nós e se chamam respectivamente "diálogo interno" e “imaginação”. Alguns podem acreditar que não possuem uma delas, enquanto outros têm um diálogo interno e/ou uma imaginação muito forte.

Muitos relacionam o "conversar consigo mesmo" ou a imaginação fértil com desequilíbrio mental. Porém, são propriedades naturais da mente humana, benignas em si mesmas, que fazem de nós seres inteligentes distintos dos animais, cujo desenvolvimento é essencial para bons relacionamentos e para ser bem-sucedido em determinadas profissões. Muitos engenheiros possuem grande capacidade de visualização, conseguem enxergar nitidamente o que querem produzir como se aquilo já existisse e estivesse diante deles.

Desde que a pessoa não projete demais o seu diálogo interno nos outros por lhes atribuir os seus próprios pensamentos, nem confunda muito sua imaginação com a realidade, está tudo bem. A pessoa saudável pode cometer esses erros, mas em geral os evita e sabe diferenciar o que se passa dentro de si (seu diálogo interno e imaginação) do que de fato se passa fora dela. Entretanto, mesmo que a pessoa não faça sistematicamente essas projeções e confusões, o diálogo interno e a imaginação podem ser utilizados de formas limitadoras e até autossabotadoras.

O diálogo interno tem um papel decisivo no pensamento catastrofista. Algo ou alguém no passado implantou uma ideia em nossa psique; então um acontecimento aciona o gatilho e aí uma série de pensamentos automáticos vão se sucedendo, assim como uma locomotiva vai puxando a fileira de vagões do trem, provocando emoções cada vez mais fortes.

É natural ter pensamentos automáticos. Mas precisamos aprender a lidar com eles. Podemos aprender a rastrear a corrente de pensamentos até chegar ao elo inicial, aprender a questionar sua validade, aprender até a reconhecer e capturar a sequência de pensamentos logo de início, antes que ela se torne muito grande e forte. Não precisamos viver em alerta total quanto aos nossos pensamentos automáticos, mas sim desenvolver essa habilidade de autoconhecimento para quando ela for necessária e prestar atenção sutil em nossos diálogos internos e estados emocionais.

Não é possível impedir totalmente que acontecimentos desagradáveis ocorram. Mas podemos escolher não abrigar nem alimentar pensamentos deturpados. Podemos parar de sistematicamente ver os acontecimentos como piores do que são de fato, causando um sofrimento desnecessário e inútil a nós mesmos. E podemos parar de sofrer por antecedência, pronunciar “profecias” de resultados negativos e acontecimentos desagradáveis e de fazer com que ocorram para provar que tínhamos razão.

Quando capturamos o pensamento disparador, precisamos questionar sua validade, o que ele realmente significa. Muitas vezes em nosso diálogo interno nós exageramos e/ou utilizamos palavras inadequadas que não são exatamente o que queremos dizer. Temos que questionar se, caso X aconteça, isso significa mesmo que Y vai acontecer, questionar os termos que usamos, questionar as evidências das nossas premissas e conclusões.

Algumas pessoas cultivam autoconhecimento registrando por escrito seus pensamentos automáticos mais constantes, quais acontecimentos, lembranças, etc. os acionam e suas conclusões e reações costumeiras. Usam experiências específicas de sua vida. Desse modo aprendem a identificar e questionar mentalmente esses pensamentos assim que surgem.

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