sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Dinâmica da Felicidade (4/5)


A alternativa ao enfoque materialista é a solução psicológica. Baseia-se na premissa de que a felicidade é um estado mental que as pessoas podem aprender a produzir em si mesmas por meios cognitivos, desde que se responsabilizem por tal. Felicidade não é algo que acontece para as pessoas, mas algo que as pessoas fazem acontecer para si.

O enfoque psicológico considera os processos que a consciência usa em sua capacidade de auto-organização para produzir um estado interior positivo através de seus próprios empenhos cognitivos e comportamentais, sem recorrer a qualquer manipulação externa do sistema neurológico (como drogas ou recompensas materiais). Há várias formas de programar a mente para maximizar a felicidade e/ou minimizar a infelicidade. A religião, a filosofia e a psicologia ensinam diversos métodos.

As técnicas cognitivas que modificam atitudes e estilos perceptivos ajudam a modificar os efeitos que os fatores externos causam nas pessoas e a ajustar suas crenças, valores e objetivos na vida. Um conceito que explica a felicidade é “experiência autotélica”, uma experiência tão absorvente e prazerosa que é apreciada e repetida por seu próprio valor intrínseco, não por qualquer efeito externo que possa produzir.

A palavra “autotélico” ("auto" si mesmo, "telos" objetivo) significa aquilo que é feito com objetivo em si mesmo, não como meio para atingir uma meta. Por exemplo, uma pessoa que aprende a tocar um instrumento musical apenas pelo prazer de tocar (motivação intrínseca), não para trabalhar como músico ou por outro interesse (motivação extrínseca), usufrui uma experiência autotélica. O cérebro pode entrar em um profundo estado de concentração neurológica chamado "estado de fluxo".

Continuando o exemplo, claro que uma pessoa pode aprender a tocar um instrumento musical pelo prazer de tocá-lo e também para poder tocar em algum lugar. Não precisa ser isso ou aquilo. Mas sua motivação principal deve ser intrínseca, autotélica. E esse tipo de experiência não precisa se limitar a uma única atividade que efetuamos de tempos em tempos. Podemos ter diferentes graus de experiências autotélicas em várias atividades do cotidiano. A pessoa que regularmente usufrui essas experiências pode ser descrita como tendo “mentalidade autotélica”. É o tipo de pessoa que encontrou e pratica a dinâmica da felicidade.

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