Desde a mais remota Antigüidade os seres humanos domesticaram diversos animais em um relacionamento que de modo geral é benéfico para ambos. Na maior parte dos casos o animal domesticado é criado para suprir uma necessidade objetiva: alimento, transporte, tração, vestiário, etc. Em contrapartida, o animal também é beneficiado: recebe alimentos, proteção e outros cuidados que permitem que sua sobrevivência individual e coletiva seja assegurada e que sua população seja muito maior do que seria sem o ser humano. Animais domesticados não correm risco de extinção.
Mas uma relação intrigante é a das pessoas com seus animais de estimação, que muitas vezes são tratados como se fossem seres humanos e com os quais criam fortes vínculos emocionais. Um cão pode ser treinado para diversas atividades, mas a maioria das pessoas possui um cachorro primariamente ou unicamente pela sua companhia. Ou seja, para suprir uma necessidade subjetiva. Pesquisas científicas comprovam os benefícios psicológicos e psicossomáticos de se ter um animal de estimação.
Animais de estimação possuem características físicas e comportamentais parecidas com a de bebês humanos, o que estimula nossos instintos parentais de cuidar deles e nos induz a criar afeto por eles. Os donos tendem a continuar tratando seus animais de estimação como filhotes mesmo depois que estes já são adultos. Cuidam e lidam com seus animais em palavras e ações como se eles fossem crianças pequenas. Cães, gatos e outros animais de estimação possuem características que apreciamos, entre elas o carinho indubitavelmente sincero por nós. Suprem necessidades emocionais, como companheirismo, conforto e relaxamento quando estamos tensos: possuir um animal de estimação pode ser terapêutico.
Algumas pessoas são muito apegadas aos seus animais de estimação. Carregam fotos deles em suas carteiras ou celulares, falam sobre eles com frequência, interagem com eles constantemente, deixam que durmam no quarto e até na cama e se referem a eles como membros da família. Para essas pessoas, cuidar do seu animal de estimação é uma parte importante de sua vida, uma tarefa que fazem com prazer. E a perda do animal é seguida de um processo de luto semelhante ao de perder uma pessoa.
Por outro lado, alguns dos que nunca tiveram um animal de estimação podem considerar esse apego exagerado, típico de pessoas desajustadas, imaturas, fracas, sem habilidades sociais para se relacionarem bem com outros seres humanos. Em alguns casos essa descrição pode ser factual, mas generalizar é um grande erro. Pesquisas encontraram mais características positivas entre os possuidores de animais de estimação do que entre os não-possuidores. Pessoas que têm relações mais fortes e seguras com outras pessoas são as que demonstram mais apego aos seus animais. E vice-versa.
As pessoas sempre gostaram de ter animais de estimação. Mas as circunstâncias pós-modernas (o aumento do nível de renda, a diminuição do tamanho das famílias, a ênfase ao senso de individualidade, a carência de determinadas necessidades emocionais e outros fatores) contribuem para o fortalecimento e o crescimento do hábito de possuir um animal de estimação em nossos dias modernos.
Os animais de estimação são um assunto agradável, neutro e seguro para “quebrar o gelo” em uma primeira conversa com alguém e iniciar um relacionamento, como um colega de trabalho. Mais pessoas se aproximam de um indivíduo que está com seu cão (ou outro animal) do que quando ele está sozinho. E os próprios donos de cães tomam mais iniciativas de conversar com outras pessoas quando estão passeando com seu cachorro.
Portanto, além de conforto emocional e distração, os animais de estimação podem promover um aumento das interações sociais com outros seres humanos. Assim, de diversas formas possuir um animal de estimação faz bem para as pessoas. É uma verdadeira terapia.
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