segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Dinâmica da Felicidade (5/5)


Estudos indicam que as pessoas que usufruem maior felicidade são as que regularmente usufruem experiências autotélicas ou intrinsecamente motivadas, seja o que for que façam. Conhecem a atividade a que se dedicam, sabem como realizá-la, possuem objetivos desafiantes, de uma forma ou de outra recebem feedbacks imediatos durante o processo e sentem prazer em efetuá-la. No auge de sua atuação, os seus cérebros atingem o estado neurológico chamado “estado de fluxo”, um estado cognitivo de concentração total, de esquecimento de tudo que não esteja relacionado e de êxtase. Esse fenômeno ocorre porque todas as áreas cerebrais não relacionadas entram em standy-by (desligamento).

Para tanto, é necessário que a pessoa (além de gostar da tarefa ou pelo menos do desafio de realizá-la) saiba e acredite que suas habilidades são suficientes para a tarefa, mas que serão desafiadas e expandidas por ela.

Se o desafio for muito maior do que a capacidade atual, o resultado será ansiedade e desprazer. Se o desafio for muito abaixo da capacidade atual, o resultado será tédio e desprazer. Se o desafio for grande, mas realizável, o resultado será dedicação e prazer. Havendo esse equilíbrio afinado, poderá ocorrer a experiência autotélica, a motivação intrínseca, o estado de fluxo. As pessoas autotélicas experimentam mais estados mentais positivos e sentem que sua vida é significativa.

Isso explica em parte como as pessoas podem alcançar a felicidade por meios e em circunstâncias tão diferentes. E porque pessoas em circunstâncias iguais podem se sentir tão diferente, uma satisfeita e a outra insatisfeita. Claro que existem diversos fatores, cada caso é um caso e não podemos generalizar ou simplificar demais. Mas, dentro de certos limites razoáveis, basicamente as pessoas são felizes não tanto pelo que fazem ou pelo lugar onde fazem, mas principalmente pela ATITUDE com o qual o fazem e pela sua PERSPECTIVA MENTAL desse lugar.

Sentem-se felizes quando estão completamente envolvidas com a vida. Se as condições são favoráveis, ótimo. Porém, circunstâncias favoráveis por si só não garantem a felicidade. E (em geral) circunstâncias mais limitadas talvez possam dificultar, mas não podem por si só impedir as pessoas de terem experiências autotélicas, a não ser que elas permitam.

Portanto, para encontrar satisfação na vida é necessário realizar atividades complexas que exigem contínuos desafios e crescimentos nos conhecimentos, habilidades e atitudes e produzam resultados positivos e que assim cultivem estados mentais de serenidade e contentamento. Pode ser no trabalho, nos hobbies, nas atividades filantrópicas. Também é importante ter conceitos e expectativas razoáveis quanto à felicidade e buscá-la nos lugares apropriados e pelos métodos adequados.

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