Vamos enumerar sete falhas que nos levam à ilusão da telepatia:
Lapso 1- Fazemos suposições a respeito do que alguém está pensando com base no que nós próprios pensaríamos naquela situação
Esquecemos ou não conseguimos assimilar que a outra pessoa pode ter crenças, valores, objetivos e critérios completamente diferentes dos nossos. O que é muito importante para você pode ser de importância secundária para outra pessoa; e o que é secundário para você pode ser visto por ela como algo essencial. O que é impressionante para um indivíduo pode ser algo indiferente ou até mesmo pejorativo para outro e vice-versa.
Esquecemos ou não conseguimos assimilar que a outra pessoa pode ter crenças, valores, objetivos e critérios completamente diferentes dos nossos. O que é muito importante para você pode ser de importância secundária para outra pessoa; e o que é secundário para você pode ser visto por ela como algo essencial. O que é impressionante para um indivíduo pode ser algo indiferente ou até mesmo pejorativo para outro e vice-versa.
Um casal sem filhos e um casal com filhos podem se compadecer um do outro, pois cada casal analisa o outro pela ótica de seus próprios valores, sem conseguir assimilar o fato de que ambos possuem critérios e objetivos diferentes e estão plenamente satisfeitos com sua situação.
Lapso 2- Fazemos suposições a respeito do que alguém está pensando com base no comportamento passado dele
Mas o tempo passou, muita água correu debaixo da ponte e ele pode ter mudado seu modo de pensar e agir. Ou pode até ser que o indivíduo pense como antes, mas nesta situação específica ele tenha outros objetivos ou as circunstâncias sejam diferentes em certos pontos-chave.
Mas o tempo passou, muita água correu debaixo da ponte e ele pode ter mudado seu modo de pensar e agir. Ou pode até ser que o indivíduo pense como antes, mas nesta situação específica ele tenha outros objetivos ou as circunstâncias sejam diferentes em certos pontos-chave.
Por exemplo, em outras ocasiões alguém de sua família ficou muito triste quando foi demitido; ele foi demitido de novo recentemente; logo você conclui que ele está triste de novo. Porém, antes eram trabalhos que a pessoa gostava, mas desta vez foi um emprego que ela depreciava. Ou então a pessoa aprendeu a encarar o trabalho de forma objetiva, como um negócio.
Lapso 3- Fazemos suposições com base no que imaginamos que vai acontecer e depois interpretamos tudo de modo a confirmar nossa tese
Por exemplo, (1) você acredita que certa pessoa nunca se dispõe a ajudá-lo; (2) você lhe pede ajuda tendo certeza de que ela vai negar; (3) a pessoa diz que não pode lhe auxiliar AGORA, deixando bem nítido que se dispõe a ajudar você assim que puder e que deseja fazê-lo. Qual a sua conclusão?
Por exemplo, (1) você acredita que certa pessoa nunca se dispõe a ajudá-lo; (2) você lhe pede ajuda tendo certeza de que ela vai negar; (3) a pessoa diz que não pode lhe auxiliar AGORA, deixando bem nítido que se dispõe a ajudar você assim que puder e que deseja fazê-lo. Qual a sua conclusão?
Se formos razoáveis, vamos rever nosso conceito sobre a pessoa. Mas se somos dogmáticos, vamos encarar essa negativa momentânea como uma confirmação do que já pensávamos: ela nunca se dispõe. Se nossa expectativa é forte e não duvidamos de nós mesmos, tendemos a escutar e ver o que esperávamos ouvir e ver, não o que foi dito e feito de fato.
Lapso 4- Fazemos suposições com base naquilo que desejamos que acontecesse, o que gostaríamos que a outra pensasse
O rapaz ainda gosta da ex-namorada, que está noiva de outro; um dia ela telefona por algum bom motivo e ele conclui que a amada ainda gosta dele e que ela quer terminar o noivado e retornar...
O rapaz ainda gosta da ex-namorada, que está noiva de outro; um dia ela telefona por algum bom motivo e ele conclui que a amada ainda gosta dele e que ela quer terminar o noivado e retornar...
Lapso 5- Fazemos suposições com base em dados insuficientes e/ou deturpados, sem considerar diferenças de cultura ou de personalidade
No passado conhecemos algumas pessoas de determinada profissão, origem geográfica ou opção religiosa que tinham certa atitude. Então generalizamos o que elas disseram e fizeram, atribuindo aquela atitude ao inteiro grupo que elas supostamente representam. Ou pior: nunca conhecemos (ou nunca conhecemos de verdade) ninguém daquele grupo, mas ouvimos críticas a ele e acreditamos nelas, formando a priori uma opinião negativa ou positiva sobre estas pessoas. De qualquer forma, quando nos deparamos com alguém desse grupo, acreditamos já saber como ele pensa e age.
No passado conhecemos algumas pessoas de determinada profissão, origem geográfica ou opção religiosa que tinham certa atitude. Então generalizamos o que elas disseram e fizeram, atribuindo aquela atitude ao inteiro grupo que elas supostamente representam. Ou pior: nunca conhecemos (ou nunca conhecemos de verdade) ninguém daquele grupo, mas ouvimos críticas a ele e acreditamos nelas, formando a priori uma opinião negativa ou positiva sobre estas pessoas. De qualquer forma, quando nos deparamos com alguém desse grupo, acreditamos já saber como ele pensa e age.
Este lapso tem sua versão coletiva. Um mesmo fato objetivo pode ser interpretado de formas muito diversas por pessoas de formações e/ou personalidades diferentes, produzindo reações emocionais e comportamentos dessemelhantes ao que nós teríamos.
Muitos brasileiros ficam estarrecidos em saber que na Índia são os pais que escolhem com quem o filho ou a filha vai se casar e que os noivos às vezes só se conhecem no dia, imaginando que lá os jovens se casam contrariados. Porém, os próprios jovens indianos consideram absurdo que no Brasil e outros países sejam os filhos mesmos que escolhem seu cônjuge.
É um exemplo drástico, mas demonstra como podemos interpretar erroneamente os pensamentos e sentimentos de indivíduos de culturas diferentes da nossa. Dentro do Brasil existem diversas subculturas (faixa etária, origem geográfica, grau de instrução, profissão, opção religiosa) com cosmovisões bem diversas. E cada pessoa faz parte de diversas categorias, formando um mosaico único de influências sobre sua personalidade.
Lapso 6- Fazemos suposições interpretando mal os sinais
Muitas reações são parecidas: uma pessoa que parece brava pode apenas estar ansiosa. Ou alguém que parece estar preocupado por um motivo na verdade está preocupado por outro. Se você está conversando com alguém e em certo momento ele cruza os braços, isso NÃO significa necessariamente que está se fechando para o que você está falando.
Muitas reações são parecidas: uma pessoa que parece brava pode apenas estar ansiosa. Ou alguém que parece estar preocupado por um motivo na verdade está preocupado por outro. Se você está conversando com alguém e em certo momento ele cruza os braços, isso NÃO significa necessariamente que está se fechando para o que você está falando.
Lapso 7- Fazemos suposições com base em pistas falsas
As pessoas às vezes representam personagens, falam e agem de modo a projetar a imagem do que esperamos delas só para nos agradar ou para camuflar suas reais personalidades e intenções. Além disso, podemos ter conhecido a pessoa em contextos e ocasiões específicos nos quais ela se comporta de maneiras alternativas. Mas a realidade pode ser muito diferente da imagem projetada, o que só tempo e observação atenta mostrará.
As pessoas às vezes representam personagens, falam e agem de modo a projetar a imagem do que esperamos delas só para nos agradar ou para camuflar suas reais personalidades e intenções. Além disso, podemos ter conhecido a pessoa em contextos e ocasiões específicos nos quais ela se comporta de maneiras alternativas. Mas a realidade pode ser muito diferente da imagem projetada, o que só tempo e observação atenta mostrará.
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Lembre-se: o problema não é fazer suposições. Elas podem ser úteis e são inevitáveis. O problema é quando fazemos suposições sobre alguém e acreditamos nelas cegamente, sem questionarmos a nós mesmos e sem verificarmos se os fatos confirmam mesmo as teorias.
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