quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Como Pensam e Agem as Pessoas Felizes?


Desde o início da Psicologia moderna até o fim da Segunda Guerra, a maioria dos pesquisadores se concentrou em estudar as psicopatologias, os comportamentos disfuncionais e os estados emocionais cronicamente negativos, com o objetivo de descobrir as causas e os tratamentos para tais. É muito importante que essas pesquisas sejam feitas e elas já beneficiaram inúmeras pessoas a lidar com seu sofrimento. Mas um efeito colateral é a impressão de que a vida só tem fatores negativos ou que eles detêm a supremacia, são hegemônicos em relação aos positivos. Essa crença pode se tornar uma “profecia autocumpridora”.
 
Porém, houve e há pesquisadores (como Carl Rogers, Abraham Maslow, Martin Seligman e outros) que buscaram descobrir quais fatores fazem com que determinadas pessoas sejam felizes, enquanto outras pessoas em situações objetivas similares ou piores são infelizes. Os psicólogos adeptos da “Psicologia Positiva” estudam como essas pessoas processam os problemas e agem para resolvê-los, se adaptam ao que não podem mudar e interpretam os fatos de forma que geram felicidade

Não se trata aqui de um dilema (“devemos estudar as psicopatologias ou o bem-estar subjetivo?”). Alguns pesquisadores podem se especializar no primeiro tema e outros pesquisadores, no segundo. Também não se trata de qual é mais importante. Os dois temas merecem estudos.

Martin Seligman apresenta a pesquisa de Fordyce sobre comportamentos e atitudes que tornam as pessoas felizes. Quanto mais dessas estratégias você tiver e aplicar com habilidade, mais você será uma pessoa feliz de modo geral (o que não significa viver em êxtase ou só ter pensamentos e sentimentos positivos). Parafraseadas, as quatorze estratégias cognitvo-comportamentais sugeridas por essa pesquisa são:

01- Viva ativo, mantenha-se ocupado. Muitas pessoas vivem extremamente atarefadas ou caem em vícios para se esquecer dos problemas, o que é um erro. Mas outros vivem em função de ruminar seus problemas, sem fazer nada para mudar seu modo de pensar e agir, o que é o erro oposto;

02- Dedique-se a atividades sociais, esteja com outras pessoas. O ser humano é um ser social, necessita interagir com outras pessoas e se relacionar para ter equilíbrio intelectual e emocional. O isolamento excessivo e contínuo(que não é apenas físico, alguém pode estar isolado no meio de uma multidão) produz distorções cognitivas e afetivas;

03- Tenha um trabalho que você aprecie. Muitos que se sentem insatisfeitos com sua atividade profissional escolheram seu trabalho pelo que rendia mais, ou pelo que a família esperava, ou pelo que apareceu primeiro. Na medida do possível e com expectativas razoáveis, descubra o que entusiasma você e arranje um trabalho que lhe pague para fazer isso;

04- Organize a vida com equilíbrio e bom senso. Tenha metas, responsabilidades e horários bem definidos, mas sem rigor excessivo que não dê espaço para espontaneidade, descanso e atenção para as pessoas;

05- Aprender a se não se preocupar demais. A ansiedade crônica é um vício mental e é uma atitude supersticiosa. Entenda que "importar-se" é diferente de "preocupar-se". Portanto, importe-se com suas responsabilidades e desafios, mas pare de viver cronicamente ansioso! Analise seus problemas racionalmente, questionando a validade de suas conclusões, diferencie o que está dentro do seu poder de ação do que está fora dele e (mantendo a razoabilidade) aja da melhor forma dentro de suas possibilidades;

06- Equilibre suas expectativas. Muitos possuem metas baixas demais, ou têm apenas “sonhos” ou nem isso, o que os torna medíocres. No outro extremo, muitos extrapolam em seus desejos e objetivos, buscando metas extremamente difíceis que custam caro demais em diversos sentidos; atingindo ou não suas metas, o resultado será a frustração e outros efeitos indesejados. Diferencie "desejos" de "necessidades". O que queremos costuma ser muito mais do que realmente necessitamos;

07- Seja otimista, com equilíbrio e bom senso. Trata-se de um hábito mental que pode ser aprendido e treinado;

08- Cuidado com seu foco mental quanto à linha do tempo. Tire lições do decorrido e o esqueça. Lembre-se mais do que aconteceu de bom do que de ruim. Situe-se mentalmente no aqui e agora e usufrua-o. Pense mais no presente e no futuro do que no passado;

09- Cultive uma auto-imagem positiva, equilibrada e sensata. Erradique a autocomiseração, valorize-se, mas sem extrapolar para a arrogância. Gostar de si mesmo começa com ser de fato uma pessoa que se comporta de forma digna, exerce boa influência e produz resultados;

10- Seja uma pessoa sociável. Cultive boas habilidades sociais para iniciar e manter relacionamentos amistosos, o que não significa tentar ser “amigo de todo mundo”, mas sim ser amigável com todos;

11- Seja autêntico. Fale a verdade para si mesmo (sinceridade intrapessoal) e para os outros (sinceridade interpessoal). Não se trata de falar sem pensar, mas de sim de expressar o que pensa na hora e da forma adequada, equilibrando consideração com autoconfiança;

12- Aprenda a relaxar diante de situações tensas. Aprenda técnicas cognitivas (que ensinam a reinterpretar os fatos) e comportamentais (que ensinam a agir de forma diferente e a diminuir a tensão física);

13- Valorize relações íntimas como família, amizades, colegas de trabalho, de confiança, casamento, etc. Mas não tenha relacionamentos doentios, co-dependentes. Tenha conceitos saudáveis sobre o que significa ser um cônjuge, pai ou mãe, filho, irmão, amigo e assim por diante;

14- Pense na felicidade e tenha o alvo de ser feliz, mas sem fazer da felicidade o objetivo da vida. A felicidade é o subproduto de uma vida significativa, na qual usarmos nossos talentos e recursos dentro de nossas possibilidades para beneficiar outras pessoas.

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Para desenvolver essas estratégias, podemos aprender muito com bons amigos e com leituras e palestras de qualidade. Mas cuidado com a qualidade: há muita informação deturpada circulando. Experimente também aceitar orientação de um bom psicoterapeuta. Pode ser uma experiência muito gratificante e construtiva na sua vida.

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