STEVE JOBS foi homenageado como um dos maiores gênios e líderes da História. Ele modificou a forma como pensamos e vivemos, o mundo seria diferente se Jobs não tivesse existido ou feito o que fez. Sua contribuição foi grande e em muitos sentidos. Porém, temos que tomar cuidado. Há uma palavra que é definida como “apego excessivo a algo ou a alguém, atribuir qualidades e capacidades sobre-humanas a uma pessoa ou instituição”. Essa definição se encaixa perfeitamente na palavra “idealização”. Porém, é o significado que um dicionário dá para “idolatria”.
Não há problema em admirar alguém como "um exemplo extraordinário de grandeza em determinadas qualidades, pela sua luta e sacrifício por uma causa, por seu papel de protagonista em um grande acontecimento, comunidade ou época". Ou seja, considerar alguém um “herói”. Mas quando admiramos alguém mais do que ele merece, temos um problema. E quando passamos a atribuir qualidades e capacidades sobre-humanas a ele e a só enxergar virtudes e qualidades, então nós temos um sério problema. Cada pessoa, por mais admirável que seja, possui limitações humanas e tendências para certos lapsos.
O LADO NEGRO DE STEVE JOBS
STEVE JOBS teve atitudes profundamente perturbadoras na Apple. Sabia elogiar e inspirar. Mas também era um tirano que recorria à depreciação, palavras vulgares e crítica destrutiva, sem se importar com os danos que causava às pessoas. Maltratou os subordinados durante anos com palavras e ações de desprezo, os manipulava, era hostil e rancoroso. Humilhava subordinados na frente dos outros ou em grupo. Deixava de lado a cortesia, a educação e a consideração, exigindo rispidamente resultados.
Apesar de ter se tornado multibilionário, não há registros de Jobs ter feito doações para instituições de caridade (o que não quer dizer que ele nunca tenha feito, talvez anonimamente). Quando retornou à Apple em 1997, encerrou os programas de filantropia e nunca mais os reiniciou apesar da empresa ter voltado a ser muito lucrativa. Não tinha tempo, era viciado em trabalho e levava uma vida desequilibrada neste sentido.
O discurso sobre iniciativa, livre-expressão e senso de individualidade era apenas propaganda para o público externo: Jobs impunha regras paranóicas sobre quem poderia dizer o quê e quando sobre sua empresa e seus produtos. Dentro da empresa há uma cultura de medo imposto por controle coercitivo. A Apple também utiliza táticas coercitivas e manipulatórias com a imprensa, lançando processos e contra-informações.
Além disso, Jobs também contribuiu para os problemas globais. O “sucesso” da Apple foi literalmente construído através da exploração de trabalhadores chineses (incluindo crianças) que tinham que suportar longos turnos e a ameaça de punições brutais por erros. Eles trabalham e dormem em condições inadequadas, sob pressão de altos falantes que ditam slogans e informações “motivacionais”, em um sistema que lembra um Estado totalitário. O fato desse trabalho de semi-escravidão ser feito por fornecedores em outro país não diminui a responsabilidade da Apple.
Em resumo, uma das empresas mais admiradas dos EUA seguiu um caminho bem diferente do que pregava sua publicidade, oposto aos ideais de democracia: dignidade humana incondicional de todas as pessoas, liberdade responsável e poder compartilhado.
Essas informações foram adaptadas de:
http://www.composerinvent.com.br/o-lado-negro-de-steve-jobs/
CONCLUSÃO
Todos nós possuímos em nosso interior qualidades e pontos fracos e vivemos em ambientes que apresentam limitações e perigos, mas também oportunidades. Todos nós somos produto da combinação de nossa herança genética, ambientes (passados e presentes) e de nossas escolhas pessoais diante das restrições e das oportunidades para o bem ou para o mal. Todos nós somos imperfeitos, mas temos (dentro dessas contingências) a capacidade de escolher fazer as ações certas pelos motivos certos.
Portanto, o problema de Steve Jobs não foi a imperfeição humana, mas sim a falta da busca de integridade, de equilíbrio, de bom senso, de uma consciência treinada para funcionar de acordo com princípios universais.
E você? Como lida com o seu lado negro?
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