Um fator da ilusão da telepatia é o hábito de
visualizar-se sofrendo negativas e maus-tratos e então caçar indícios de que estes
acontecerão. E assim o telepata entra em um estado mental negativista que automaticamente
emite aos outros muitas mensagens negativas através da voz, da expressão facial
e corporal e da escolha de palavras. O resultado é que essa expectativa
contribui bastante para que experiências negativas de fato ocorram. É o que se
chama de “profecia autorrealizadora”.
Em vez disso, pratique visualizar imagens mentais
de você mesmo se sentindo bem, agindo de formas adequadas e obtendo reações e
respostas positivas das pessoas. Desta forma você terá uma atuação melhor e
emitirá mensagens positivas. As profecias autorrealizadoras podem funcionar de forma
construtiva também, se soubermos utilizá-las.
Às vezes, dissipar a ilusão da telepatia requer
aprender a expressar-se de modo claro e direto em nosso próprio diálogo interno, afirmando e/ou perguntando para nós mesmos o
que queremos dizer com certas palavras e frases. Muitas vezes
utilizamos determinadas palavras que causam impacto em nós mesmos sem parar
para pensar sobre o que elas significam para nós e se estas seriam as palavras
mais apropriadas.
Se necessário, esse debate interior pode ser feito audivelmente
(é forte, mas desaconselhável na presença de outras pessoas) ou pode ser feito mentalmente. Temos que inquirir
a nós próprios da mesma forma que faríamos ao dialogar com outra pessoa: pedindo
que esclareça o que ela exatamente quer dizer com certas palavras-chave ou afirmações.
Por exemplo, se você pensar algo do tipo "Eu
nunca faço nada direito", ou "Eu sei que não vou conseguir", ou
"Ela sabe muito bem que eu não gosto disso, mesmo que eu nunca tenha dito
a ela", ou "Eu sei o que eles querem, não preciso perguntar" ou
"Já sei que ele não vai aceitar, não vou nem tentar", você pode capturar
esse pensamento no ato e examiná-lo. O que exatamente você quer dizer com
"nunca"? Qual é a real abrangência desse "nunca" (ou
"sempre", "tudo", "nada", "ninguém",
"todo mundo", etc.)? Como exatamente você sabe que ela sabe X ou que
ele não vai aceitar Y?
Claro que não basta a visualização construtiva e o debate
interno bem direcionado para obtermos os resultados que desejamos com nossas
ações, mas pode ser a única forma de permitir que aconteça. Pelo menos maximizamos
nossas probabilidades de êxito. O problema é que temos medo de que, se dissermos X, a pessoa
terá a reação negativa Y e por isso preferimos nem tentar. Ou tentamos de forma
autossabotadora.
Entretanto, além de modificar a forma como pensamos,
devemos agir estrategicamente: confirmar essa expectativa de forma direta (falando
com a pessoa) ou indireta (buscando mais informações). Portanto, a próxima pergunta-chave
é: o que você pode fazer dentro do razoável para modificar esse resultado ou conjuntura?
Uma confusão comum: Falar o que pensa não
significa falar sem pensar. Dizer o que pensa e sente não significa que
você tem que ser agressivo, inconveniente, teimoso, acusador, etc. Significa
simplesmente ser assertivo, expressar-se de forma direta equilibrando coragem
com consideração. Ser duro com o problema, mas suave com a pessoa. É um
equilíbrio difícil de desenvolver e manter, requerer maturidade. A maioria cai
em um extremo ou outro: são agressivas e impositoras ou passivas e resignadas.
Finalizando: Para obter o que queremos, em
geral temos que fazer algo em troca, agir de alguma forma, pagar um preço. Tudo
tem prós e contras. Você pode continuar ruminando e especulando, ou pode
procurar descobrir o que os outros de fato estão pensando. Você pode ficar na
expectativa ou pode expressar-se de forma amigável, porém direta. Ambas as
opções têm consequências. Tudo tem seu preço.
Por exemplo, se você prefere receber um
presente-surpresa de alguém em vez de dizer diretamente o que quer, tudo bem.
Mas não reclame se o presente não for exatamente o que você queria ou quando
queria. A outra pessoa não é dotada de percepção extrassensorial. Ou então
renuncie ao elemento-surpresa para receber exatamente aquilo que deseja. Ou uma
terceira alternativa: você pode gentilmente ensinar a pessoa a ter uma noção de
que tipo de presente-surpresa você gosta e quando, o que faria ser "meia
surpresa". Mas isso é menos garantido do que uma orientação direta.
Faça sua escolha. Leia os próprios pensamentos.
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: