quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Ilusão da Telepatia (6/6): Dissipando a Ilusão



Um fator da ilusão da telepatia é o hábito de visualizar-se sofrendo negativas e maus-tratos e então caçar indícios de que estes acontecerão. E assim o telepata entra em um estado mental negativista que automaticamente emite aos outros muitas mensagens negativas através da voz, da expressão facial e corporal e da escolha de palavras. O resultado é que essa expectativa contribui bastante para que experiências negativas de fato ocorram. É o que se chama de “profecia autorrealizadora”.
 
Em vez disso, pratique visualizar imagens mentais de você mesmo se sentindo bem, agindo de formas adequadas e obtendo reações e respostas positivas das pessoas. Desta forma você terá uma atuação melhor e emitirá mensagens positivas. As profecias autorrealizadoras podem funcionar de forma construtiva também, se soubermos utilizá-las.
 
Às vezes, dissipar a ilusão da telepatia requer aprender a expressar-se de modo claro e direto em nosso próprio diálogo interno, afirmando e/ou perguntando para nós mesmos o que queremos dizer com certas palavras e frases. Muitas vezes utilizamos determinadas palavras que causam impacto em nós mesmos sem parar para pensar sobre o que elas significam para nós e se estas seriam as palavras mais apropriadas.
   
Se necessário, esse debate interior pode ser feito audivelmente (é forte, mas desaconselhável na presença de outras pessoas) ou pode ser feito mentalmente. Temos que inquirir a nós próprios da mesma forma que faríamos ao dialogar com outra pessoa: pedindo que esclareça o que ela exatamente quer dizer com certas palavras-chave ou afirmações.
   
Por exemplo, se você pensar algo do tipo "Eu nunca faço nada direito", ou "Eu sei que não vou conseguir", ou "Ela sabe muito bem que eu não gosto disso, mesmo que eu nunca tenha dito a ela", ou "Eu sei o que eles querem, não preciso perguntar" ou "Já sei que ele não vai aceitar, não vou nem tentar", você pode capturar esse pensamento no ato e examiná-lo. O que exatamente você quer dizer com "nunca"? Qual é a real abrangência desse "nunca" (ou "sempre", "tudo", "nada", "ninguém", "todo mundo", etc.)? Como exatamente você sabe que ela sabe X ou que ele não vai aceitar Y?
   
Claro que não basta a visualização construtiva e o debate interno bem direcionado para obtermos os resultados que desejamos com nossas ações, mas pode ser a única forma de permitir que aconteça. Pelo menos maximizamos nossas probabilidades de êxito. O problema é que temos medo de que, se dissermos X, a pessoa terá a reação negativa Y e por isso preferimos nem tentar. Ou tentamos de forma autossabotadora.
   
Entretanto, além de modificar a forma como pensamos, devemos agir estrategicamente: confirmar essa expectativa de forma direta (falando com a pessoa) ou indireta (buscando mais informações). Portanto, a próxima pergunta-chave é: o que você pode fazer dentro do razoável para modificar esse resultado ou conjuntura?
   
Uma confusão comum: Falar o que pensa não significa falar sem pensar. Dizer o que pensa e sente não significa que você tem que ser agressivo, inconveniente, teimoso, acusador, etc. Significa simplesmente ser assertivo, expressar-se de forma direta equilibrando coragem com consideração. Ser duro com o problema, mas suave com a pessoa. É um equilíbrio difícil de desenvolver e manter, requerer maturidade. A maioria cai em um extremo ou outro: são agressivas e impositoras ou passivas e resignadas.
   
Finalizando: Para obter o que queremos, em geral temos que fazer algo em troca, agir de alguma forma, pagar um preço. Tudo tem prós e contras. Você pode continuar ruminando e especulando, ou pode procurar descobrir o que os outros de fato estão pensando. Você pode ficar na expectativa ou pode expressar-se de forma amigável, porém direta. Ambas as opções têm consequências. Tudo tem seu preço.
   
Por exemplo, se você prefere receber um presente-surpresa de alguém em vez de dizer diretamente o que quer, tudo bem. Mas não reclame se o presente não for exatamente o que você queria ou quando queria. A outra pessoa não é dotada de percepção extrassensorial. Ou então renuncie ao elemento-surpresa para receber exatamente aquilo que deseja. Ou uma terceira alternativa: você pode gentilmente ensinar a pessoa a ter uma noção de que tipo de presente-surpresa você gosta e quando, o que faria ser "meia surpresa". Mas isso é menos garantido do que uma orientação direta.
  
Faça sua escolha. Leia os próprios pensamentos.
 
 
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