domingo, 1 de abril de 2012

O Desenvolvimento Psíquico: Erikson


Erik Erikson foi um psiquiatra de origem alemã que se tornou psicanalista sob a orientação de Anna Freud (filha de Sigmund Freud). Porém, concluiu que a psicanálise não leva em conta as interações entre o indivíduo e o ambiente, além de enfatizar demais os aspectos defensivos e patológicos da personalidade. Emigrou para os Estados Unidos, naturalizou-se americano, lecionou em universidades e morou em uma reserva indígina, onde observou a ruptura que os índios sofriam entre sua cultura e a cultura americana. Depois disso formulou sua teoria, segundo a qual cada sociedade do seu próprio modo fornece mecanismos para enquadrar o desenvolvimento da personalidade.
 
Na teoria de Erik Erikson temos oito fases do desenvolvimento humano que abrangem a vida toda. Sua teoria não contradiz as de Piaget e de Freud, apenas vai além delas por reconhecer que o desenvolvimento psíquico não se encerra na infância nem acontece de forma isolada. Passamos toda a vida em desenvolvimento e o por toda nossa vida somos influenciados pelo meio social em que vivemos. Cada fase surge tanto das necessidades internas do indivíduo quanto das exigências do seu meio social.

Além disso, em cada fase o ego passa por uma “crise” (que dá nome à fase) e sai dela fragilizado ou fortalecido. Assim a personalidade vai se reestruturando e se reformulando e o ego vai se adaptando às novas circunstâncias internas e externas. Porém, essa "crise" não precisa ser algo catastrófico, pode ser apenas um período de transição.


1- Confiança x Desconfiança (00 - 18 meses)
O bebê aprende que as ausências da mãe são temporárias e que ela retornará. Assim aprende a ter confiança ou esperança diante das frustrações. Também vai aprendendo que não pode ter tudo como quer e quando quer. E nesta interação com a mãe ela aprende a ter um conceito positivo de si mesma e do mundo. Porém, se houver problemas nesta fase (como uma idealização excessiva da mãe), a criança cultivará um conceito negativo de si mesma e do mundo, uma desconfiança básica.


2- Autonomia x Dúvida (18 meses - anos)
A criança crescentemente desenvolve e utiliza a capacidade de explorar o ambiente. Mas logo aprende que existem limites que precisa respeitar exercendo autocontrole. Assim começa a aprender a discernir o que é apropriado e inapropriado fazer, a desenvolver o poder de julgamento. O problema é que alguns pais utilizam a vergonha e a ameaça para coagir a criança a adotar esses limites. Pode desenvolver um sentimento de culpa e/ou se tornar punitiva com quem erra. Os pais precisam saber estabelecer limites com razoabilidade e expandi-los aos poucos, de acordo com a capacidade atual da criança, que vai crescendo com esse treinamento. Precisam treinar a criança para ter maior autonomia e dá-la gradualmente na medida em que vai se tornando mais capaz.


3- Iniciativa x Culpa (3 - 6 anos)
Possuindo confiança e autonomia, a criança está pronta para ter iniciativas pela expansão de sua capacidade intelectual. Entretanto, se estabelecer metas grandes demais e falhar ou buscar objetivos socialmente reprovadas, sentirá culpa, um sentimento de fracasso e de ansiedade quanto ao futuro. Para fugir desses sentimentos, pode fantasiar que é outra pessoa, encenando um personagem mascarado para impressionar o mundo, mas perdendo o contato consigo mesma. A criança precisa aprender a ser responsável por aquilo que está dentro de seu poder e a reconhecer que existem ações além da sua capacidade atual.


4- Diligência x Inferioridade (6 - 12 anos)
Nesta fase a criança aprende a canalizar suas capacidades físicas e intelectuais para as interações sociais e para o aprendizado escolar. Aprende o que é valorizado no mundo adulto e a se adaptar a ele, a perseverar para obter as recompensas de longo prazo. Se for bem-sucedida em desenvolver habilidades, sentirá satisfação e motivação. Mas se falhar (seja por falta de ajuda ou pelas exigências serem excessivas), poderá sentir-se inferior, entrar em inércia e até regredir emocional e intelectualmente.


5- Identidade x Confusão (12 - 20 anos)
O jovem necessita de segurança para enfrentar as transformações físicas e psicológicas da puberdade. Essa confiança foi construída (ou não) nas fases anteriores. Passa por uma crise de identidade na qual precisa determinar quem é e quem quer ser. Isso inclui o relacionamento com sua família, a escolha vocacional, os grupos dos quais quer fazer parte, metas para o futuro, a escolha de um par romântico, suas crenças a respeito de questões existenciais, seus valores, etc. A identificação com um grupo pode se tornar tão forte a ponto de se transformar em fanatismo e em preconceito contra outros grupos. Mas não desenvolve identidade própria, pois se confunde com o grupo. Nesta confusão de identidade, pode se sentir vazio, isolado, ansioso, incapaz de se encaixar no mundo adulto. Entretanto, se transitar bem por essa fase, desenvolverá um saudável e estável senso de identidade.


6- Intimidade x Isolamento (20 - 35 anos)
Tendo estabelecido um senso de identidade bem definido, o jovem adulto será capaz de se associar com outros cultivando intimidade, praticando a colaboração e assumindo compromissos, sem se sentir ameaçado com as diferenças pessoais e com os aspectos em que os outros são melhores que ele. Caso contrário, a pessoa preferirá o isolamento contínuo para preservar seu ego frágil. Ou então vai se associar apenas com pessoas muito parecidas com ele, em uma atitude de esnobismo narcisista.


7- Generatividade x Estagnação (35 - 60 anos)
Nesta fase o adulto se dedica intensamente ao que pode ser gerado, sejam filhos, idéias, produtos, organizações, etc. Sente uma necessidade de transmitir ensinamentos e assim ter um pouco de si nos outros. Porém, o excesso de zelo pode tornar a pessoa autoritária e fazê-la sentir-se dona da vida dos outros. Mas sem essa geração e transmissão, o sujeito pode sentir sua vida como fútil, sem sentido, estagnada.


8- Integridade x Desespero (60 anos em diante)
Agora é o tempo de refletir sobre o que fez e o que deixou de fazer e o significado de suas realizações. A retrospectiva faz alguns sentir desespero e impotência pelo tempo que se esgota. Por outro lado, de novo ocorre o perigo do sujeito querer impor sua suposta sabedoria. Já outros nesta fase podem ter a sensação de dever cumprido, dignidade e integridade. Portanto, o sujeito pode resignar-se e estagnar-se com o restante de seu tempo de vida ou pode utilizá-lo para viver bem esse período final.


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