Não significa que
ninguém nunca critica ou ataca ninguém e que sempre é apenas sua imaginação. Às
vezes nos sentimos atacados porque de fato fomos atacados. Há ocasiões em que
nos responsabilizam por determinados problemas. Em alguns casos a queixa é justa,
em outros é injusta, mas ela é dirigida contra nós. E precisamos reagir de
forma inteligente.
Em alguns casos faz
sentido considerar um comentário genérico como dirigido contra nós. Existem
pessoas intolerantes que podem nos menosprezar e até nos odiar apenas por
fazermos parte de determinado grupo que elas não apreciam. E às vezes pode ser sábio
admitir responsabilidade coletiva por um problema, embora você pessoalmente não
seja responsável por ele. Por exemplo, quando você representa a empresa perante
um cliente insatisfeito.
Contudo, digamos que a
afronta foi dirigida a você e somente a você. E foi injusta. Você tem toda a
razão de ficar com raiva. Mas o que fazer então? Precisamos desenvolver
mentalmente diversas alternativas. Suponha que você foi fechado por outro
motorista e ainda foi insultado por ele. Sua vontade é emparelhar com ele e lhe
replicar. E ENTÃO? Você pode acabar em uma discussão ou em algo pior, pode se
atrasar no seu compromisso, pode acontecer um acidente. Por mais que sua raiva se
justifique, insistir no confronto pode ter custos muito maiores do que o
benefício da catarse.
O importante é sempre
fazer-se perguntas-chave como “E então?” ou “E daí?! e pensar em várias respostas.
Por exemplo, o aluno que se sente injustiçado pelo comentário geral do
professor (1) pode falar com ele, (2) pode se empenhar mais, (3) pode suportar
suas aulas até o fim do semestre ou (4) pode apenas mudar seu foco mental: em vez de se
sentir desanimado por não conseguir agradá-lo, ficar irritado por ele não ser
um bom professor.
Sempre é possível
escolher quais batalhas travar. Quem está o tempo todo entrincheirado acaba em
um estado de permanente exaustão, o que o torna um combatente fraco. É muito
melhor escolher cuidadosamente onde concentrar seu poder de fogo. Antes de
reagir, calcule o custo x benefício.
Por exemplo, alguém faz
um comentário preconceituoso. Essa pessoa tem importância para você? Não seria
melhor ignorar e mudar de assunto? Se optar por dizer algo, o que deveria dizer
e como? A pessoa vai mudar de atitude? E como reagirão outros presentes?
Intervir compensa o custo x benefício? E se você decidir ignorar, mas a pessoa
fazer diversos comentários similares? Você deixa-se afetar e finalmente explodir?
Algo trivial não se
torna importante só porque foi repetido. E se o objetivo da pessoa em repetir o
insulto é justamente nos abalar, por que lhe dar esse prazer? A melhor maneira de lidarmos
com qualquer situação é termos consciência do que está acontecendo, das nossas
principais alternativas e das vantagens e desvantagens de cada uma delas.
Ao pararmos para
refletir, em vez de reagirmos de forma automática, escolhemos QUAL resposta
daremos em palavras e/ou em ações (o que pode incluir ignorar ou retirar-se)
e também COMO o faremos. Podemos defender nossos direitos de formas apropriadas.
Podemos evitar discussões com pessoas paranoicas. Podemos não tomar como rejeição
a nós o fato de alguém ter um gosto ou opinião diferente e recusar
algo que lhe oferecemos. E podemos escolher como interpretaremos esses fatos e
reagiremos a eles, modificando assim os tipos de resultado que obtemos.
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