domingo, 15 de abril de 2012

Mania de Perseguição (5/5): Escolha suas Reações e Quais Batalhas Travar

  


Não significa que ninguém nunca critica ou ataca ninguém e que sempre é apenas sua imaginação. Às vezes nos sentimos atacados porque de fato fomos atacados. Há ocasiões em que nos responsabilizam por determinados problemas. Em alguns casos a queixa é justa, em outros é injusta, mas ela é dirigida contra nós. E precisamos reagir de forma inteligente.
  

    
Em alguns casos faz sentido considerar um comentário genérico como dirigido contra nós. Existem pessoas intolerantes que podem nos menosprezar e até nos odiar apenas por fazermos parte de determinado grupo que elas não apreciam. E às vezes pode ser sábio admitir responsabilidade coletiva por um problema, embora você pessoalmente não seja responsável por ele. Por exemplo, quando você representa a empresa perante um cliente insatisfeito.
      
Contudo, digamos que a afronta foi dirigida a você e somente a você. E foi injusta. Você tem toda a razão de ficar com raiva. Mas o que fazer então? Precisamos desenvolver mentalmente diversas alternativas. Suponha que você foi fechado por outro motorista e ainda foi insultado por ele. Sua vontade é emparelhar com ele e lhe replicar. E ENTÃO? Você pode acabar em uma discussão ou em algo pior, pode se atrasar no seu compromisso, pode acontecer um acidente. Por mais que sua raiva se justifique, insistir no confronto pode ter custos muito maiores do que o benefício da catarse.
    
O importante é sempre fazer-se perguntas-chave como “E então?” ou “E daí?! e pensar em várias respostas. Por exemplo, o aluno que se sente injustiçado pelo comentário geral do professor (1) pode falar com ele, (2) pode se empenhar mais, (3) pode suportar suas aulas até o fim do semestre ou (4) pode apenas mudar seu foco mental: em vez de se sentir desanimado por não conseguir agradá-lo, ficar irritado por ele não ser um bom professor.
   
Sempre é possível escolher quais batalhas travar. Quem está o tempo todo entrincheirado acaba em um estado de permanente exaustão, o que o torna um combatente fraco. É muito melhor escolher cuidadosamente onde concentrar seu poder de fogo. Antes de reagir, calcule o custo x benefício.
  
Por exemplo, alguém faz um comentário preconceituoso. Essa pessoa tem importância para você? Não seria melhor ignorar e mudar de assunto? Se optar por dizer algo, o que deveria dizer e como? A pessoa vai mudar de atitude? E como reagirão outros presentes? Intervir compensa o custo x benefício? E se você decidir ignorar, mas a pessoa fazer diversos comentários similares? Você deixa-se afetar e finalmente explodir?
   
Algo trivial não se torna importante só porque foi repetido. E se o objetivo da pessoa em repetir o insulto é justamente nos abalar, por que lhe dar esse prazer? A melhor maneira de lidarmos com qualquer situação é termos consciência do que está acontecendo, das nossas principais alternativas e das vantagens e desvantagens de cada uma delas.
      
Ao pararmos para refletir, em vez de reagirmos de forma automática, escolhemos QUAL resposta daremos em palavras e/ou em ações (o que pode incluir ignorar ou retirar-se) e também COMO o faremos. Podemos defender nossos direitos de formas apropriadas. Podemos evitar discussões com pessoas paranoicas. Podemos não tomar como rejeição a nós o fato de alguém ter um gosto ou opinião diferente e recusar algo que lhe oferecemos. E podemos escolher como interpretaremos esses fatos e reagiremos a eles, modificando assim os tipos de resultado que obtemos.
     
   
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