Os
antigos filósofos gregos refletiam sobre a “vida boa”, a vida com serenidade,
que é diferente do conceito popular de “felicidade”. Para eles haviam três
critérios para a “vida boa”: vencer o medo, viver o presente e compreender a
morte.
O primeiro critério é a vitória
sobre o medo. Quando temos medo,
nos tornamos tolos e maldosos, pois sentimos um medo desproporcional de
banalidades (como ratos e insetos) e nos ficamos egoístas, só pensamos em nós
mesmos. Então, para atingirmos a “vida boa”, devemos primeiro vencer o medo,
pois é isso que nos permite pensar livremente e sermos sábios, não pensar
apenas em nós mesmos e nos abrirmos para os outros e amá-los.
A
felicidade não existe. Temos momentos de alegria, mas não há um estado permanente
de satisfação. Separações, morte de pessoas queridas, doenças e acidentes são
inevitáveis. Por isso a busca pela felicidade plena não faz sentido. O
que podemos almejar é a serenidade, algo completamente diferente. Só se atinge
a serenidade vencendo o medo. É o medo que nos torna egoístas e nos paralisa,
que nos impede de sorrir e de pensar de forma inteligente, com liberdade. Os
filósofos gregos costumavam dizer que o sábio é aquele que consegue vencer o
medo.
Existem
basicamente três grandes medos.
- O primeiro é a timidez. Ele aparece, por exemplo, quando somos apresentados a alguém muito importante, ou quando precisamos falar em público. É a pressão da sociedade.
- O segundo medo são as fobias. Medo do escuro, de insetos, de animais, de ficar preso num elevador, etc.
- O terceiro é o medo da morte. Tememos mais a morte de pessoas que amamos do que a nossa própria. Não me refiro apenas à morte biológica, mas a tudo o que é irreversível. Para uma criança, pode ser o divórcio dos pais, já que nunca mais os verá juntos. O "nunca mais", a irreversibilidade da vida, nos dá a experiência da morte.
A
grande questão da serenidade, e não da felicidade, é como vencer esses medos.
Toda a filosofia, desde Homero e Platão até Schopenhauer e Nietzsche está
baseada na doutrina da serenidade.
O segundo critério é viver o
presente. Os filósofos gregos
perceberam dois perigos que pesam sobre nós e nos impedem de levar a “vida
boa”: o passado e o futuro. São duas armadilhas, pois o passado NÃO é mais e o
futuro ainda NÃO é, sendo assim negações. Mas mesmo assim passamos grande parte
do tempo refletindo sobre eles, o que nos impede de habitar o presente, que é a
única dimensão real do tempo.
Os filósofos gregos diziam que o sábio é aquele que consegue pensar menos no passado e ter menos esperança ilusória: “Quando eu fizer ou tiver X (me casar/separar/mudar de casa/trocar de emprego/etc.) eu vou ser feliz”. O passado já aconteceu. O futuro é uma ilusão.
Os filósofos gregos diziam que o sábio é aquele que consegue pensar menos no passado e ter menos esperança ilusória: “Quando eu fizer ou tiver X (me casar/separar/mudar de casa/trocar de emprego/etc.) eu vou ser feliz”. O passado já aconteceu. O futuro é uma ilusão.
O terceiro critério é compreender a
morte. Os antigos gregos
acreditavam que todo o Universo é semelhante a um organismo vivo e que esse
mundo (cosmos) é perfeitamente harmonioso, belo, justo e bom. Acreditavam
também que cada um de nós tem o seu lugar no Universo e que podemos encontrar
um tipo de felicidade quando encontramos o nosso lugar.
O sábio é aquele que, tendo encontrado o seu lugar no Universo, compreende que ele próprio é um fragmento da eternidade e dos Cosmos e que neste sentido ele não morre. Os filósofos gregos acreditavam que a morte não representa nada para nós. A sabedoria é a reconciliação com o Cosmos. Para nós, essa reconciliação é com a Humanidade.
O sábio é aquele que, tendo encontrado o seu lugar no Universo, compreende que ele próprio é um fragmento da eternidade e dos Cosmos e que neste sentido ele não morre. Os filósofos gregos acreditavam que a morte não representa nada para nós. A sabedoria é a reconciliação com o Cosmos. Para nós, essa reconciliação é com a Humanidade.
Assista o vídeo e leia a entrevista.
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adorei o blog, há coisas super interessantes nele. Parabéns! A respeito dos primeiros filósofos, é verdade sobre os pensamentos descritos, infelizmente nossa forma de pensar e crenças, foram modificadas com o tempo, por omissão própria e por outros. Porem é sempre um que decide.
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