quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Atribuição de Responsabilidades

“De quem é a culpa?” – Essa é uma pergunta recorrente. E como as pessoas em geral pensam em termos de tudo ou nada, sem meios termos, em geral respondem “A culpa é toda minha” ou “A culpa é toda deles”. Mas raramente a responsabilidade está toda de um lado só e é fundamental atribuí-la cuidadosamente para podermos pensar com clareza. Podemos estar recusando ou aceitando responsabilidade demais.


Um bom exemplo é a responsabilidade de nossos pais pelo que somos hoje. Para algumas pessoas, basta se lembrarem de seus pais para ficarem furiosas e os acusarem de terem arruinado as suas vidas. Pode ser verdade, mas só até certo ponto. Os seus pais podem ter dificultado a sua existência. Mas agora que é adulto, você é responsável por sua própria vida. Em vez de ficar ruminando o que eles fizeram, pense no que você vai fazer para melhorar a sua situação daqui em diante. Sim, atribua a eles a responsabilidade pelo que fizeram, mas aceite a responsabilidade pelo que você deve fazer agora, daqui em diante.

Enquanto alguns responsabilizam demais terceiros, outros responsabilizam demais a si mesmos. Sentem-se culpados, por exemplo, pelo fim de seu casamento. Sim, é possível que pudessem ter agido diferente em certos aspectos e que tenham contribuído para que o relacionamento se degenerasse. Mas a outra pessoa também poderia ter agido diferente e não o fez? De qualquer forma, independentemente do que aconteceu no passado, eles são responsáveis pelo que farão daqui em diante.

Ao atribuir as devidas responsabilidades, devemos considerar não apenas o que aconteceu, mas também o que está alimentando o sofrimento. Você pode acreditar que alguém merece ser punido pelo que ocorreu, mas o maior (ou único) afetado por esse sentimento é você mesmo. Pare com isso! Cuide do seu bem-estar! Ou talvez acredite que você é que merece ser punido. Em vez disso, o que você pode fazer razoavelmente para reparar a situação?

Talvez o ajude a atribuir as devidas responsabilidades colocá-las no papel. Faça um “T” do tipo balanço contábil, colocando na esquerda tudo o que é responsabilidade de outros e na direita tudo o que é sua responsabilidade. Ou faça um gráfico em forma de pizza, ou uma lista de itens com as respectivas porcentagens, totalizando 100%.

Analise o que realmente cabe a você e o que pode fazer para mudar a situação ou assimilá-la. Você pode ter sofrido danos terríveis. Porém, a menos que esteja trancafiado e impossibilitado de escapar, você é responsável por sua situação agora. Não dá para reparar tudo, mas você pode melhorar sua vida em diversos aspectos.

Às vezes acreditamos que não podemos fazer nada para mudar a situação em que nos encontramos. Talvez tenhamos que conviver com uma pessoa que nos manipula com suas palavras incisivas e suas reações emocionais extremas. Porém, a realidade é que em algum grau nós permitimos que o outro nos perturbe e podemos escolher não permitir mais e manter a nossa serenidade e ética. Os manipuladores sabem identificar e atacar os pontos fracos de seus alvos, mas não somos obrigados a morder a isca.



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