quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Copo de Água com Sal

Um jovem se queixava a um mestre das dificuldades que passava, que sua vida era muito sofrida, que ele passava muitas dores e que isso o mantinha sempre muito triste. Como poderia superar essa adversidade tão grande, essa vida tão complicada?


O mestre lhe mostrou um recipiente com sal, pediu que apanhasse um bocado com a mão e mergulhasse essa mão fechada dentro de um pote de água, abrisse, bebesse e descrevesse o sabor da água, que era horrivelmente salgada. Então o mestre pediu que o jovem apanhasse a mesma quantia de sal e o acompanhasse até um rio próximo e repetisse a operação; a água era muito refrescante.

O que mudou? A quantidade do sal ou sua salinidade?

O principal não é mudar as adversidades da vida (o sal), mas você transformar-se de “pote de água” em “rio” e as adversidades não alterarão mais o seu sabor, não salgarão mais a sua vida. Transforme a si mesmo, amplie-se, cresça.

O filósofo Epicteto, que foi escravo grande parte de sua vida, respondeu aos que questionavam como um servo podia ser um pensador: Você sabe o que é um escravo? É aquele que, naquilo que não pode mudar, fica lutando; e naquilo que pode, não faz nada. Luta contra os fatores imutáveis e negligencia aquilo que está no seu poder de ação para modificar. Portanto, não se trata de ir ao outro extremo e resignar-se a todas as adversidades, mas aprender a diferenciar e agir de forma apropriada.

Em geral não podemos mudar o sabor e a quantidade de “sal”, que depende de uma série de contingências fora do nosso poder de ação. Mas podemos nos transformar de “pote de água” em “rio”. Está dentro do nosso domínio, mas o mais comum é as pessoas fazerem o inverso.

Um exemplo cotidiano: não podemos controlar quando e onde haverá engarrafamento no trânsito e muitos ficam tensos quando ficam presos em um. Mas podemos tomar medidas preventivas (como sair mais cedo e evitar certas rotas) e medidas corretivas ou paliativas, como fazer relaxamento e ouvir música ou gravações de palestras, leituras e aulas.

Esses pequenos exemplos do cotidiano podem refletir padrões de pensamento e comportamento profundamente arraigados: ideias, pressupostos, crenças, valores, experiências que moldaram o nosso modo de pensar e agir. Mudar como reagimos a estes contratempos eventuais é de grande ajuda. Mas o que produzirá mudanças duradouras é modificar esses modelos cognitivos.



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