Um
jovem se queixava a um mestre das dificuldades que passava, que sua vida era muito
sofrida, que ele passava muitas dores e que isso o mantinha sempre muito
triste. Como poderia superar essa adversidade tão grande, essa vida tão
complicada?
O
mestre lhe mostrou um recipiente com sal, pediu que apanhasse um bocado com a
mão e mergulhasse essa mão fechada dentro de um pote de água, abrisse, bebesse
e descrevesse o sabor da água, que era horrivelmente salgada. Então o mestre
pediu que o jovem apanhasse a mesma quantia de sal e o acompanhasse até um rio
próximo e repetisse a operação; a água era muito refrescante.
O
que mudou? A quantidade do sal ou sua salinidade?
O principal não é mudar as adversidades da vida (o sal), mas você
transformar-se de “pote de água” em “rio” e as adversidades não alterarão mais
o seu sabor, não salgarão mais a sua vida. Transforme a si mesmo, amplie-se, cresça.
O
filósofo Epicteto, que foi escravo grande parte de sua vida, respondeu aos que
questionavam como um servo podia ser um pensador: Você sabe o que é um escravo?
É aquele que, naquilo que não pode mudar, fica lutando; e naquilo que pode, não
faz nada. Luta contra os fatores imutáveis e negligencia aquilo que está no seu
poder de ação para modificar. Portanto, não se trata de ir ao outro extremo e
resignar-se a todas as adversidades, mas aprender a diferenciar e agir de forma
apropriada.
Em
geral não podemos mudar o sabor e a quantidade de “sal”, que depende de uma série
de contingências fora do nosso poder de ação. Mas podemos nos transformar de “pote
de água” em “rio”. Está dentro do nosso domínio, mas o mais comum é as pessoas
fazerem o inverso.
Um
exemplo cotidiano: não podemos controlar quando e onde haverá engarrafamento no
trânsito e muitos ficam tensos quando ficam presos em um. Mas podemos tomar
medidas preventivas (como sair mais cedo e evitar certas rotas) e medidas
corretivas ou paliativas, como fazer relaxamento e ouvir música ou gravações de
palestras, leituras e aulas.
Esses
pequenos exemplos do cotidiano podem refletir padrões de pensamento e comportamento
profundamente arraigados: ideias, pressupostos, crenças, valores, experiências
que moldaram o nosso modo de pensar e agir. Mudar como reagimos a estes
contratempos eventuais é de grande ajuda. Mas o que produzirá mudanças
duradouras é modificar esses modelos cognitivos.
*
* *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: