segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Psicologia Cognitiva: Presente e Futuro


Conforme demonstrado nesta sequência de postagens, diversas abordagens e técnicas podem ser identificadas como “Terapia Cognitivo-Comportamental”. Todas elas compartilham os três pressupostos fundamentais: (1) a cognição influencia o comportamento, (2) a cognição pode ser monitorada e (3) modificar a cognição altera o comportamento.
 
Em outras palavras, a atividade cognitiva é mediadora entre os estímulos ambientais e as respostas comportamentais e contingencia o grau de adaptação ou desajuste do indivíduo ao seu meio. Assim, a mudança terapêutica pode ser efetuada através da alteração de modos de pensar disfuncionais. Muitos métodos da TCC baseiam-se em princípios e procedimentos comportamentais, inclusive para avaliar o progresso.

Uma característica secundária das TCC é a limitação do tempo. Em contraste com a psicanálise (em geral de maior duração e sem prazo definido), as TCC visam produzir mudanças rápidas e com períodos específicos e predeterminados. Muitos manuais recomendam de 12 a 16 sessões.

Relacionado com o fator “tempo limitado”, há o fato de que quase todas as aplicações da TCC são para problemas específicos. A especificidade das intervenções explica em parte a brevidade do tratamento. O uso dessas terapias para determinados problemas é legado da ênfase da terapia behaviorista na coleta de dados de resultados e no seu foco na resolução de problemas predefinidos. Em vez de ser uma limitação da TCC, a aplicação das técnicas a problemas específicos demonstra a busca de resultados e permite que os terapeutas se tornem mais eficazes em selecionar e aplicar os melhores procedimentos para cada caso.

Outro ponto em comum nas TCC é a convicção de que, por terem controle sobre seus pensamentos, os clientes são os arquitetos de seu próprio infortúnio e também podem sê-lo de sua própria mudança. Os tratamentos partem do pressuposto de que os indivíduos são agentes ativos em suas próprias vidas. Consequentemente, a TCC é explícita ou implicitamente educativa. Em muitas abordagens o terapeuta ensina o modelo terapêutico e explica a base racional das intervenções para o paciente.

Esse tipo de interação diferencia a TCC das outras escolas de terapia, como a psicanálise. O objetivo do terapeuta cognitivo-comportamental é que o paciente não apenas supere os problemas que o levaram ao tratamento, mas que aprenda o próprio processo terapêutico, instruindo-o em conceitos e procedimentos para que ele possa aplicá-los posteriormente em seus futuros desafios de forma preventiva e corretiva.

Porém, também há algumas divergências fundamentais entre as terapias cognitivo-comportamentais quanto a quais devem ser os objetivos do tratamento e como realizá-los. Muitas facetas têm que ser observadas e ajustadas entre si pelo psicólogo.

Os psicólogos cognitivos enfrentam alguns desafios na progressão de sua linha: diferentes nomes para as mesmas ideias (como “inferência” e “pressuposto”), confusões semânticas com termos de outras áreas de conhecimento (o equivalente aos “falsos cognatos” dos idiomas), falta de definições claras e universalmente aceitas para determinados fenômenos cognitivos, muitas técnicas criadas sem uma padronização bem definida, necessidade de mais pesquisas que comprovem a eficácia de certas técnicas e o estabelecimento de conceituações mais sólidas.

Entretanto, a terapia cognitivo-comportamental desenvolveu-se de forma dramática desde o seu começo nas décadas de 1960-70. Hoje há diversos métodos com eficácia demonstrada. A ênfase continuada no desenvolvimento de uma base de dados adequada gerou um progresso constante na pesquisa e na prática e a expectativa é de que haja ainda mais avanços no futuro.


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Fatores em comum das diversas linhas da Psicologia Cognitivo-Comportamental:

1- A cognição como mediadora entre a pessoa e o ambiente;

2- Mudança terapêutica focada no pensamento;

3- Avaliação da mudança comportamental documentando-se o processo

4- Tempo limitado e problemas específicos;

5- Paciente/cliente como agente ativo de sua própria existência;

6- Terapia com caráter educativo;

7- Capacitação do paciente para enfrentar futuros problemas



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