Em alguns casos, o empenho para substituir hábitos pode provocar desconforto, insegurança e ansiedade, entre outros efeitos negativos. Se o novo hábito é o melhor para nós, porque nos sentimos mal?
Talvez o que pensávamos ser o nosso problema na realidade era apenas um sintoma de algo mais profundo e despercebido. Pode ser que a disfunção ocupasse tanto o nosso tempo, energia e pensamento que servia para nos distrair de determinados temas, inclusive de questões existenciais. Alguns são tão habituados a ter uma autoimagem e imagem social insalubre que não sabem pensar e agir de outra forma, o desconhecido os assusta. Por fim, mudanças para melhor trazem benefícios, mas têm seu preço.
Talvez o que pensávamos ser o nosso problema na realidade era apenas um sintoma de algo mais profundo e despercebido. Pode ser que a disfunção ocupasse tanto o nosso tempo, energia e pensamento que servia para nos distrair de determinados temas, inclusive de questões existenciais. Alguns são tão habituados a ter uma autoimagem e imagem social insalubre que não sabem pensar e agir de outra forma, o desconhecido os assusta. Por fim, mudanças para melhor trazem benefícios, mas têm seu preço.
Muitas vezes não
conseguimos mudar uma situação porque uma “parte” dentro de nós quer continuar o
antigo comportamento. Ela não quer os maus resultados que você sofre, mas quer
o alívio de uma angústia que obtém através do comportamento disfuncional. Mas o
alívio é momentâneo e em vez de ajudar, piora o quadro. Esses conflitos internos
entre nossas partes geram e mantêm o problema como forma de compensar deficiências,
evitar dificuldades não resolvidas, sentir-se protegido.
Assim, o problema pode
ser sintoma de questões mais complexas. Resolver o problema pode requerer
modificar modos de pensar e agir profundamente enraizados e mudar a forma como
vemos a nós mesmos, os outros e a vida em geral. Tomar consciência das causas
latentes possibilita lidar com elas.
Às vezes desejamos tanto um
prazer imediato que não levamos em conta os ônus de longo prazo. Sacrificamos a
felicidade amanhã em troca de uma gratificação hoje. Assim como pagamos hoje
pelos supérfluos de ontem. Mas quando refletimos antes de decidir e pesamos os
custos e benefícios, nós evitamos muitas dificuldades. Para tanto, precisamos
tomar (e renovar diariamente) a decisão de direcionar nossa própria vida.
O que
requer que tenhamos resiliência, a
capacidade de voltar rapidamente ao estado mental equilibrado após sofrer uma adversidade
ou (estimulação positiva), semelhante a um elástico. Indivíduos resilientes
podem ficar perplexos e abalados ao enfrentar uma crise, mas não totalmente
desnorteados e desestruturados. São coerentes, adaptáveis e flexíveis,
autônomos e dispostos a aceitar ajuda.
Alguns indivíduos vivem
em um círculo vicioso entre comportamentos extremos. Impõem-se regras rígidas demais
(cheias de proibições taxativas e exigências absurdas), além de estabelecer
metas muito elevadas para eles. Privam-se dos prazeres da vida e do prazer de
viver. Então ficam esgotados e cometem algum “deslize”, que então serve de
justificativa para mais outro e assim por diante, desistindo de seus valores e
objetivos. Porém, depois de um período de queda, sentem-se culpados e fazem a
resolução de se recuperarem e serem ainda mais rigorosos, o que conseguem por
certo tempo e assim por diante. O recomendável é estabelecer
metas razoáveis e parâmetros sustentáveis para sua vida.
Na teoria psicanalítica,
o ego é o “eu”, a parte gestora da personalidade, parcialmente
consciente e responsável por equilibrar as demandas das outras duas partes e
equilibrar as demandas do mundo interior com as do mundo exterior. O superego é a parte auditora, parcialmente responsável e que monitora os pensamentos e
ações para avaliar sua correção. E o id
é a parte cliente/consumidora,
totalmente inconsciente, cujas demandas podem conflitar com as limitações do
superego e do mundo externo.
O ego utiliza mecanismos de defesa para manter
estes equilíbrios dinâmicos, mas pode exagerar. Se o id deseja algo que o
superego reprova, as defesas podem inventar uma justificativa para que aquilo
pareça bom. Quais são os seus reais motivos em fazer algo?
Nosso inconsciente
trabalha com as informações que armazena desde o início de nossa vida e estas
influem em nossas atitudes e comportamentos. Isso inclui nossas experiências,
as formas como fomos tratados e o que nos disseram a nosso próprio respeito,
das pessoas, do mundo e do futuro. Mas essas informações nem sempre são exatas
ou corretas, ou úteis, gerando crenças distorcidas e limitadoras.
A raiz de
diversos problemas está em um autoconceito,
uma autoimagem e uma autoestima deturpados. É necessário chegar
ao âmago da questão: o modo de pensar e agir padronizado e aprendido no passado
e que desvirtua nossa percepção e interação com a realidade.
Por fim, tudo o que foi
colocado aqui pressupõe que você está buscando metas razoáveis, que pode
atingir com o tempo e esforço se remover os autobloqueios. Porém, alguns têm
objetivos grandes ou “perfeitos” demais. Nestes casos, as mudanças pessoais
podem produzir poucos resultados em sua obtenção. Talvez seja melhor refletir
porque exige tanto de si mesmo e buscar alvos mais ponderados.
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