segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Questionamento das Evidências

Às vezes sabemos exatamente o que queremos saber, temos a mais absoluta certeza de que estamos certos quanto a determinado assunto e acreditamos firmemente que temos razão de estarmos irritados, ansiosos, culpados ou tristes. Então é necessário examinar as evidências. 


Uma evidência é um fato que esclarece algo de forma inequívoca. Existem diferentes tipos de evidências e diversos graus de qualidade. Algo é chamado de óbvio quando “salta aos olhos”, é muito manifesto, patente, evidente. Porém, temos que analisar as evidências e pôr o óbvio em dúvida.

Em que fatos se baseiam as suas conclusões de que tem bons motivos para estar se sentindo emocionalmente perturbado? O que você acredita que aconteceu? Como pode ter tanta certeza? 

Quando dizemos que sabemos que algo é assim porque “é óbvio”, ou recorremos às nossas emoções como prova, ou generalizamos (“Todo mundo sabe disso”), é forte sinal de que não dispomos de nenhuma prova concreta e estamos reagindo com base em nossas emoções em um círculo vicioso de pensamentos e sentimentos. Nossas emoções às vezes estão certas, mas muito frequentemente estão parcial ou totalmente erradas.

Muitas vezes acreditamos ter evidências sólidas, mas não definimos exatamente que evidências são estas. Depois de termos feito a definição, das evidências podemos examinar se elas são confiáveis (de 0 a 100%) e se não existe outra explicação possível e mais provável. Com frequência confundimos bijuterias com joias raras.

O salto em conclusões precipitadas é o esporte preferido da maioria das pessoas. Por exemplo: “Sei que ele está bravo porque o ouvi bater a porta”. Pode ser que sim. Mas é melhor examinar as evidências. Primeiro, foi ele mesmo quem bateu a porta? Não poderia ter sido o vento ou outra pessoa? A porta não poderia ter escapado da mão dele por acidente? Ou talvez ele estivesse com pressa? Enquanto não tivermos conhecimento suficiente, não temos como chegar a uma conclusão adequada e é só uma suposição.

Às vezes, as evidências irrefutáveis que temos na realidade não são tão boas quanto imaginamos. Um sujeito começou a primeira sessão com um psicoterapeuta dizendo:
-Você não poderá me ajudar porque sou um caso perdido.
-Como você sabe que é um caso perdido?
-Eu já fui a quinze psicólogos antes e nenhum conseguiu me ajudar.
-E quanto tempo você ficou com cada terapeuta?
-Uma sessão e não senti nenhuma melhora.
-Você está se baseando em uma evidência falha, uma sessão não basta para fazer diferença.

Eduardo é gerente na central de um banco que está mudando de prédio. Ele está ansioso porque sua nova sala será menor do que a atual, o que concluiu que significa que ele está sendo rebaixado ou menosprezado. Só mais tarde, depois de muito sofrimento, investiga os fatos e descobre que todas as salas do novo edifício são menores que as do antigo.

Porém, por mais que o questionamento das evidências faça sentido, somos demovidos por nós mesmos e por outras pessoas de buscar outras explicações possíveis na ausência de fatos concretos. Se nós ponderamos que talvez alguém não tenha dito ou feito o que parece que disse ou fez, ou procuramos atenuantes para mostrar empatia por quem deixou a desejar, o nosso próprio diálogo interno e/ou outra pessoa nos repreende por estarmos sendo ingênuos e tentando justificar ou negar um mau comportamento.

Talvez o indivíduo tenha realmente cometido o erro e tenha sido por causa de uma atitude errada. Mas se não há nenhuma evidência definitiva e há outra explicação possível, podemos optar pela hipótese mais otimista até que o assunto se esclareça melhor. Podemos equilibrar a diretriz de dar o benefício da dúvida com a diretriz de errar para o lado da segurança. Assim sofremos menos e causamos menos sofrimento.



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