Afinal,
nós controlamos o ambiente ou é ele que nos controla? E como um gestor pode
administrar um grupo de pessoas maior do que a capacidade humana de coordenar?
Filosofar
não é só para filósofos profissionais. Pessoas dos mais diversos ramos profissionais
possuem sua própria filosofia, elaborada ou não, baseada em uma série de fatores
e pensadores anteriores. Por exemplo, dois geógrafos criaram motes filosóficos opostos.
Friedrich Ratzel disse que “O homem é produto do seu meio” e chamou sua ideia
de “determinismo”. Já Vidal de La Blanche afirmou que “O meio é produto do
homem” e denominou essa visão de “possibilismo”.
Os
dois conceitos parecem contraditórios, mas são complementares. Somos de fato influenciados
pelo ambiente, mas também possuímos poder de influenciar este ambiente. Um bom
exemplo é que as melhores empresas para se trabalhar com frequência também
estão entre as mais rentáveis.
O determinista diria que isso ocorre porque a
qualidade do trabalho é resultado da cultura organizacional e dos recursos
disponíveis. Porém, o determinismo faz com que muitos se acomodem, sempre
esperando que a empresa tome a iniciativa de promover o seu desenvolvimento
profissional e a solução de problemas.
Em
contraste, o possibilista diria que não apenas os bons resultados, mas também a
cultura organizacional, são produzidos pelas próprias pessoas. Aceita e oferece
feedbacks com sinceridade e sente-se parte da tripulação e não apenas
passageiros. Cuida de seu autodesenvolvimento, de sua saúde e de sua vida pessoal,
organizam-se e planejam seu futuro e não se omitem diante das dificuldades.
Além disso, as melhores empresas atraem e selecionam possibilistas e estimulam
esse paradigma em seu meio.
LIDERANÇA EM ESCALA
Liderar
não é fazer, mas capacitar e motivar pessoas para que façam. Para tanto é necessário
formar uma equipe de bons executores. Porém, o tamanho da organização provavelmente
crescerá e/ou o escopo de responsabilidade do líder dentro dela aumentará. Assim,
uma das marcas de um verdadeiro líder é saber não apenas liderar, mas também
treinar outros em liderança para que se tornem líderes também.
Nenhum
ser humano consegue coordenar bem de forma direta um grupo com mais de trinta
pessoas. Temos limites cognitivos, emocionais e físicos. Não somos dotados de
capacidades sobre-humanas. Mas podemos liderar um pequeno grupo de gestores e através
destes liderar dezenas de pessoas em uma cadeia de comando. Liderando dez
líderes de dez pessoas cada, você lidera cem pessoas.
Para
isso precisamos treinar prospectivos novos líderes, delegar a eles autoridade e
lhes proporcionar autonomia de fato. É necessário um grande e longo empenho
para capacitar esses indivíduos, desenvolver uma boa comunicação com eles e
entre eles e cultivar um ambiente de confiança mútua e cooperação. Mas é um investimento que gera bons retornos.
Em contraste, quem
quer manter tudo sob o seu estrito controle direto (como um malabarista de
circo com várias bolas) condena sua si mesmo a administrar sempre apenas um pequeno
número de pessoas e responsabilidades. Através de uma equipe de pessoas
delegadas e autônomas, podemos fazer muito mais do que sozinhos ou mesmo
através de um grupo de pessoas sem autonomia. E através de uma boa equipe de
líderes, podemos ampliar ainda mais o nosso poder de ação.
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