A terapia
cognitivo-comportamental em grupo é uma modalidade terapêutica cada vez mais utilizada em razão de sua eficácia comprovada, do seu menor custo
e de sua capacidade de atender um maior número de pessoas. Assim como sua versão
individual, a TCC em grupo visa tratar de problemas específicos, foca o
presente com metas definidas e fundamenta-se em um modelo teórico testável
corroborado por pesquisas científicas. Provém da adaptação das técnicas
utilizadas com indivíduos.
Inicialmente, a aplicação
da TCC em grupo tinha o objetivo de oferecer o tratamento a um maior número de
pessoas por um menor custo de tempo e dinheiro para todos os envolvidos. Porém,
com o tempo os benefícios inerentes de um tratamento grupal foram sendo reconhecidos
e estimulados. As interações intergrupais promovem mudanças terapêuticas. O
ambiente de grupo instila esperança e alívio.
Os pacientes observam que
outras pessoas também sofrem aquele problema e estão buscando ajuda, eliminando
o sentimento de isolamento e de estranheza. Também ouvem os relatos dos
problemas uns dos outros e percebem que não são apenas eles que passam
dificuldades, além de observar o progresso que seus colegas fazem. Recebem
orientação e apoio não só do terapeuta, mas também uns dos outros, sentindo-se
bem tanto por receber quanto por oferecer.
Observar como os demais agem
e reagem de formas semelhantes (ou diferentes) promove o autoconhecimento dos
pacientes. E observar como estão aprendendo a lidar com seus problemas estimula
o seu próprio autodesenvolvimento. Também têm oportunidade de ventilar as emoções
por ter oportunidade de expressá-las em um ambiente receptivo.
Através das
interações e instruções uns com os outros e com o terapeuta, os pacientes aprendem a corrigir seus próprios padrões cognitivos e
comportamentais e auxiliam os demais. Também é terapêutica a experiência de fazer parte integrante de
um grupo, sendo aceito como membro e contribuindo para seu bom andamento.
Ter esperança de melhoria
é fundamental para entrar e continuar em um tratamento e obter bons resultados.
Além disso, os portadores de transtornos psicológicos muitas vezes se sentem
únicos e estranhos, não tendo com quem compartilhar suas aflições. As
informações obtidas através do terapeuta e dos demais membros do grupo podem
ser muito valiosas para o paciente. Podem aprender muito uns com os outros. E a
perseverança dos demais pode ser fonte de inspiração.
Entretanto, é necessário
um bom planejamento da estrutura grupal e das sessões para que a TCC em grupo
seja plenamente bem-sucedida. Os objetivos devem estar bem estabelecidos e
claros para todos. O ambiente coletivo favorece a revisão de crenças disfuncionais
e o desenvolvimento das técnicas, inclusive das atividades da semana. O próprio
grupo auxilia o ajustamento dos membros.
O grupo deve ser formado
por pessoas que apresentam pelo menos uma característica-chave em comum, relacionada
com o objetivo do tratamento. Por exemplo, fobia social. Variáveis como sexo e
idade também devem ser consideradas, embora sejam secundárias. O perfil
individual dos candidatos é importante, pois a pessoa deve se interessar por
fazer parte de um grupo terapêutico. Algumas pessoas se desenvolvem bem em tratamentos
grupais, talvez melhor do que em individuais, mas outras não.
Os membros não precisam necessariamente todos ter as mesmas comorbidades, mas estas devem estar sob suficiente controle
e serem secundárias em relação ao objetivo do grupo. Por exemplo, uma pessoa
que utilizava estimulantes para lidar com a fobia social deve estar com o seu
vício controlado para participar de um grupo para tratar de fobia social, mas
não desviar o tema. Há diversas contraindicações para a participação em um
grupo de TCC, mas algumas são temporárias e neste caso a pessoa pode participar
de um futuro grupo.
A TCC caracteriza-se por
ser breve, com tratamentos que variam de 12 a 20 sessões. Para um tratamento
grupal se sugere sessões semanais, com duração fixada entre 60 a 120 minutos,
em um horário e local apropriados para reunir os membros. O grupo deve ter um
tamanho razoável, que não interfira na potencial boa participação de todos.
Também se sugere grupos
fechados: ter os mesmos membros e não aceitar novos integrantes até o fim,
mesmo que haja desistências. Caso alguém falte, o terapeuta pode se comunicar
com ele para dar encorajamento e apoio. E se alguém desistir, pode informar o grupo de forma apropriada para
preservar a coesão e a motivação dos demais.
As sessões de TCC em
grupo são estruturadas com começo, meio e fim, cada etapa com suas características,
assim como as sessões dos tratamentos individuais. Na etapa inicial, o terapeuta avalia o humor e os sintomas dos membros
durante a semana, faz ligação com a sessão anterior, revisa as atividades da
semana e apresenta a agenda da sessão presente. Na etapa intermediária, desenvolve os temas da agenda de acordo com as
técnicas cognitivo-comportamentais. E na etapa
final faz uma síntese dos pontos examinados, combina as tarefas para a semana
seguinte e solicita o feedback da sessão pelos membros do grupo.
A diferença da TCC grupal
da individual é que a agenda é definida previamente por meio de protocolos de
tratamento para o transtorno específico. A tarefa de casa é combinada com o
terapeuta e assumida perante os demais membros do grupo, o que é um fator de
motivação, O terapeuta deve manter-se atento a sinais de dificuldades no
tratamento ou no funcionamento grupal. É fundamental o embasamento teórico
sobre o transtorno em questão, dos fundamentos da TCC e da terapia em grupo.
Mas o terapeuta é mais
do que um especialista que aplica técnicas: a cordialidade sincera soma-se ao
seu profissionalismo para gerar adesão e motivação dos pacientes ao tratamento.
Participa ativamente para gerar respostas mais adaptativas neles. Promove um
ambiente de tolerância mútua que os encoraja a falarem abertamente. Com comentários perspicazes e bom humor comedido, estimula novas alternativas
de pensamento e ação, sem desvalorizar a experiência de cada um.
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