Como
lidar com realidades que pouco ou nada podemos mudar? Como manter a coerência
com valores elevados em meio à tanta pressão? E qual é a importância do respeito
mútuo?
As
pessoas que nasceram na segunda metade (e em especial as que nasceram no último
quarto) do século 20 são diferentes dos seus pais e avós. Possuem mais
instrução formal, são melhor informadas, são menos conformistas. Hoje estes indivíduos
são adultos e ocupam as mais diversas funções, contribuindo para que o mundo
seja diferente do que era antes. Mas existem barreiras para as mudanças.
Uma
dessas barreiras é que, para modificar o mundo em qualquer nível e sentido, é necessário
mudar o modo de pensar e agir das pessoas. E a maioria das organizações de
todos os tipos possuem modelos mentais formados na primeira metade do século 20
ou anteriormente – séculos e milênios antes.
Muitos
querem liberdade para pensar e sentir e dedicar-se a trabalhos significativos,
rejeitam a injustiça e a ignorância, desejam bem-estar subjetivo. Porém, a
mudança não depende apenas de nós. Temos que trabalhar para e com organizações
que negam esses valores, superenfatizando os resultados de curto prazo a
qualquer custo. Assim, existe um descompasso entre o que as pessoas querem e o
que elas fazem e exigem umas das outras, o que gera uma esquizofrenia
organizacional.
Precisamos
nos concentrar naquilo que está dentro do nosso poder de ação para modificar. O
primeiríssimo passo é aprimorar o nosso próprio modo de pensar. Precisamos
“pensar globalmente e agir localmente”, aplicando princípios universais à nossa
situação específica. Temos que selecionar dentro da avalanche diária de
informações aquilo que precisamos saber. Devemos conhecer as causas e efeitos
primordiais dos acontecimentos para não atacar apenas os sintomas.
Precisamos
estabelecer nossos próprios objetivos e não transgredir valores fundamentais em
nome de resultados imediatos (e nem de longo prazo). Temos que ter um ritmo
acelerado, mas sem nos deixar levar pela pressa compulsiva que contaminou a
tantos. Devemos conhecer nossos próprios limites e potenciais, produzindo o
máximo possível de resultados com o mínimo de tempo, esforço e outros recursos.
VIVER EM SOCIEDADE
A
vida em sociedade (no trabalho, na vizinhança, nos meios de transporte, etc.)
requer respeito e tolerância mútuos. Respeitar significa não se apropriar
indevidamente do que é do outro, seja material ou imaterial, pensar antes de
falar ou fazer algo que possa interferir na vida ou no bem-estar do outro. E
tolerância significa respeitar o direito de existir e de escolher das pessoas
diferentes de nós.
Entretanto,
vivemos em um tempo em que as pessoas cada vez mais (por pressa, desatenção,
desinformação ou indiferença) só pensam em seus direitos – reais e imaginários
– e não se dispõem a respeitar os direitos básicos dos demais. Pessoas que
falam alto no celular em um restaurante ou sala de espera, que não tomam
cuidado com suas mochilas em locais cheios de gente, que mexem em algum
aparelho eletrônico durante uma aula ou uma palestra de um colega de trabalho
ou faculdade, que ligam no volume máximo o supersom de seu carro em frente de
casa no domingo à tarde, etc.
Muitos
abusam da tolerância dos demais, desrespeitando-os. O resultado para a sociedade
é que as relações são embrutecidas, a educação é zerada, os valores são invertidos
e o futuro é prejudicado. E toda essa degeneração se processa em contínuos pequenos
atos do cotidiano.
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