sábado, 1 de novembro de 2014

Vida em Sociedade: Mudando de Dentro para Fora


Como lidar com realidades que pouco ou nada podemos mudar? Como manter a coerência com valores elevados em meio à tanta pressão? E qual é a importância do respeito mútuo?

 
PROSPERANDO NO CAOS

As pessoas que nasceram na segunda metade (e em especial as que nasceram no último quarto) do século 20 são diferentes dos seus pais e avós. Possuem mais instrução formal, são melhor informadas, são menos conformistas. Hoje estes indivíduos são adultos e ocupam as mais diversas funções, contribuindo para que o mundo seja diferente do que era antes. Mas existem barreiras para as mudanças.

Uma dessas barreiras é que, para modificar o mundo em qualquer nível e sentido, é necessário mudar o modo de pensar e agir das pessoas. E a maioria das organizações de todos os tipos possuem modelos mentais formados na primeira metade do século 20 ou anteriormente – séculos e milênios antes.

Muitos querem liberdade para pensar e sentir e dedicar-se a trabalhos significativos, rejeitam a injustiça e a ignorância, desejam bem-estar subjetivo. Porém, a mudança não depende apenas de nós. Temos que trabalhar para e com organizações que negam esses valores, superenfatizando os resultados de curto prazo a qualquer custo. Assim, existe um descompasso entre o que as pessoas querem e o que elas fazem e exigem umas das outras, o que gera uma esquizofrenia organizacional.

Precisamos nos concentrar naquilo que está dentro do nosso poder de ação para modificar. O primeiríssimo passo é aprimorar o nosso próprio modo de pensar. Precisamos “pensar globalmente e agir localmente”, aplicando princípios universais à nossa situação específica. Temos que selecionar dentro da avalanche diária de informações aquilo que precisamos saber. Devemos conhecer as causas e efeitos primordiais dos acontecimentos para não atacar apenas os sintomas.

Precisamos estabelecer nossos próprios objetivos e não transgredir valores fundamentais em nome de resultados imediatos (e nem de longo prazo). Temos que ter um ritmo acelerado, mas sem nos deixar levar pela pressa compulsiva que contaminou a tantos. Devemos conhecer nossos próprios limites e potenciais, produzindo o máximo possível de resultados com o mínimo de tempo, esforço e outros recursos.


VIVER EM SOCIEDADE

A vida em sociedade (no trabalho, na vizinhança, nos meios de transporte, etc.) requer respeito e tolerância mútuos. Respeitar significa não se apropriar indevidamente do que é do outro, seja material ou imaterial, pensar antes de falar ou fazer algo que possa interferir na vida ou no bem-estar do outro. E tolerância significa respeitar o direito de existir e de escolher das pessoas diferentes de nós.

Entretanto, vivemos em um tempo em que as pessoas cada vez mais (por pressa, desatenção, desinformação ou indiferença) só pensam em seus direitos – reais e imaginários – e não se dispõem a respeitar os direitos básicos dos demais. Pessoas que falam alto no celular em um restaurante ou sala de espera, que não tomam cuidado com suas mochilas em locais cheios de gente, que mexem em algum aparelho eletrônico durante uma aula ou uma palestra de um colega de trabalho ou faculdade, que ligam no volume máximo o supersom de seu carro em frente de casa no domingo à tarde, etc.

Muitos abusam da tolerância dos demais, desrespeitando-os. O resultado para a sociedade é que as relações são embrutecidas, a educação é zerada, os valores são invertidos e o futuro é prejudicado. E toda essa degeneração se processa em contínuos pequenos atos do cotidiano.

 
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