Desde a Antiguidade, o
ser humano sempre teve uma compreensão (implícita ou explícita) de que a cognição
influencia o comportamento, que a cognição pode ser monitorada e que alterar a
cognição modifica o comportamento. Os grandes pensadores do passado em geral
partiam desses pressupostos.
Sócrates utilizava o diálogo para ajudar as pessoas a perceber que muitas de suas opiniões eram infundadas (“ironia socrática”) e depois para ajudá-las a conceber novos conceitos mais elaborados (maiêutica). Platão e Aristóteles deram início ao debate racionalismo x empirismo sobre nossa cognição que atravessou os séculos até chegar a Descartes, Kant e Hegel (e para alguns ainda continua). Entre Sócrates e Hegel e depois, diversos filósofos conceituaram sobre como devemos pensar e agir.
Sócrates utilizava o diálogo para ajudar as pessoas a perceber que muitas de suas opiniões eram infundadas (“ironia socrática”) e depois para ajudá-las a conceber novos conceitos mais elaborados (maiêutica). Platão e Aristóteles deram início ao debate racionalismo x empirismo sobre nossa cognição que atravessou os séculos até chegar a Descartes, Kant e Hegel (e para alguns ainda continua). Entre Sócrates e Hegel e depois, diversos filósofos conceituaram sobre como devemos pensar e agir.
Os epicuristas defendiam usufruir bem-estar físico e mental e evitar
perturbações idem como o objetivo da vida e o gabarito para avaliar as ações.
Ensinavam a libertação do medo através da filosofia, da imperturbabilidade (ataraxia)
e da busca do bem-estar. Ensinavam que precisamos de outras pessoas, mas temos que ser
seletivos e não buscar status. Devemos buscar o prazer sem nos tornarmos
escravos deles. O indivíduo deve cultivar a autarquia, que neste
contexto significa autonomia, autoconhecimento e autodisciplina.
Os cínicos (do grego “cães”) foram outra escola de filosofia. Consideravam
elevados valores a autarquia e o
desprezo (apathea) pela ilusão da busca do prazer, fama, poder e fortuna.
Os cínicos ensinavam o indivíduo a se sentir-se bem na própria companhia. Para
os cínicos, o prazer é algo enganador e a pessoa deve libertar-se dele e do
envolvimento com o mundo. Quanto maior o despojamento, melhor. Quando percebe
que não precisa de nada de especial para ser feliz, não faz sentido apegar-se ao
que possui.
Para os cínicos, o apego a si mesmo, ao
que tem, aos outros e a seja o que for, é a principal causa do sofrimento. A
felicidade genuína é desapegar-se de tudo o que é efêmero, casual e passageiro
na vida humana. Quem se satisfaz com o mínimo necessário, levando uma vida
simplificada e governada pela razão, sem ambições e livre das convenções
sociais, cultiva a virtude e um autêntico bem-estar.
Os céticos (do grego “nada afirmam”) ensinavam que nada pode ser
conhecido com certeza absoluta e que devemos duvidar sempre, nunca sermos
dogmáticos. Eles NÃO promoviam uma atitude niilista ou negadora, ou
sarcástica e sem ética. No contexto grego o “cético” é aquele que, mesmo
crendo, duvida que possa enxergar a realidade como ela é. Não se trata de
acreditar ou não, mas sim de permanecer sem opinião dogmática, sem agitação e nem inclinação a respeito de qualquer
assunto.
Assim, os céticos gregos
recomendavam a prática do epoché, que significa suspensão de
julgamento e observação da realidade sem juízos de valor, o oposto de
dogmatismo. Com essa atitude neutra, teremos a imperturbabilidade da ataraxia, que é o objetivo principal dos
céticos: não se envolver com nada e não deixar que nada se envolva com a nossa
vida.
Os estoicos acreditavam que as emoções destrutivas resultam de erros
de julgamento. Epicteto argumentou que levar uma vida virtuosa (pautada
pelos princípios da sabedoria) é o caminho para a felicidade. Afirmou que “as
pessoas não se perturbam pelas situações, mas sim pelo que pensam delas”. E Sêneca ensinou que ficamos irritados porque temos expectativas
excessivas, de que tudo tem que ser do jeito que queremos. Se tivermos
expectativas mais razoáveis e aceitarmos o que não podemos mudar, ficaremos
irritados menos vezes e com menores intensidades.
O estoicismo ensinava que
sábio é aquele que vive de acordo com a lei racional que rege a Natureza (ou
seja, racionalmente), reconhecendo-se como parte dessa ordem e mantendo uma
indiferença (apathea) ou serenidade,
neutralidade, em relação tanto aos acontecimentos bons quanto aos ruins. Os
estoicos interessavam-se pela interação entre o determinismo cósmico e a
autonomia humana, considerando virtuoso manter a vontade em harmonia com as
leis naturais. O melhor indicador da filosofia de alguém não são suas palavras
e sim o seu modo de vida.
Os antigos gregos usavam
a palavra “physis” (de onde vem "Física") para se referir ao conjunto de todos os objetos e fenômenos
naturais que existem, a própria Natureza. A palavra “cosmos” significa “ordem,
simetria”, é o oposto de caos e se refere à ordem fundamental que impera no Physis/Universo
e em certo sentido tornou-se o seu sinônimo.
O termo “logos” significa “razão”,
“linguagem”, “palavra” (não no sentido de um vocábulo, mas sim de pensamento ordenado), designando a razão humana que busca compreender
o Physis/Universo. Porém, a partir de Heráclito, logos também passou a se referir à razão universal, fixa e imutável
que ordena e organiza todos os objetos e fenômenos particulares e transitórios;
o logos, neste sentido, é um princípio cosmológico.
* * *
Revendo alguns dos termos
Apathea: desapego, desprezo pela busca de prazer e status, serenidade,
neutralidade, em relação tanto aos acontecimentos bons quanto aos ruins,
produzindo a ataraxia;
Ataraxia: imperturbabilidade, não se envolver com nada e não deixar que nada se envolva
com a nossa vida;
Autarquia: domínio sobre si mesmo, autonomia, autoconhecimento e autodisciplina;
Epoché: suspensão de julgamento e observação neutra da realidade sem juízos de
valor, o oposto de dogmatismo;
Logos:
a razão humana, que deve se harmonizar com as leis naturais (logos universal)
que regem o cosmos, a ordem fundamental do Universo (Physis);
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: