domingo, 1 de fevereiro de 2015

Behaviorismo: Definição e História


Todos os behavioristas concordam que é possível uma ciência comportamental, que veio a ser chamada de “análise do comportamento”. Com propriedade, o behaviorismo é visto como a filosofia dessa ciência.

Todas as ciências modernas se originaram da Filosofia e dela se separaram. Por exemplo, a Astronomia e a Física surgiram quando os cientistas passaram da especulação filosófica à observação e experimentação metódicas. Ao fazê-lo, abandonaram explicações que envolvessem forças sobrenaturais, observando o Universo natural e explicando os eventos naturais por referência a outros eventos naturais.

Da mesma forma, a Química separou-se da Filosofia quando abandonou a ideia de essências internas e ocultas como explicação para os fenômenos químicos. Ao se tornar uma ciência moderna, a Fisiologia a “vis viva” em prol de explicações mecanicistas sobre o funcionamento do corpo.

A Psicologia científica também nasceu da Filosofia e talvez ainda esteja se separando dela. Dois movimentos promoveram essa ruptura, a psicologia objetiva e a psicologia comparativa.

A psicologia objetiva enfatizou a observação e a experimentação, métodos que caracterizam as ciências modernas. E a psicologia comparativa enfatizou as características compartilhadas por todas as espécies (inclusive os seres humanos) e ajudou a promover explicações puramente naturais acerca do comportamento das pessoas.

John Watson, fundador do Behaviorismo, adotou o caminho da psicologia comparativa. Atacou a ideia de que a Psicologia era a “ciência da mente”, mostrando que nem a introspecção e nem analogias com a consciência animal produziam os resultados confiáveis obtidos pelos métodos utilizados pelas outras ciências. Sustentou que somente através do estudo do comportamento poderia a psicologia atingir a confiabilidade e a generalidade necessárias para se tornar uma ciência moderna.

A ideia de que o comportamento pode ser tratado cientificamente continua controversa, pois desafia a noção de que ele provém da livre escolha do indivíduo. Promove o determinismo, segundo o qual todo comportamento se origina da combinação da herança genética e de eventos ambientais. O termo “livre-arbítrio” designa a suposta capacidade das pessoas de escolher seus comportamentos livremente, sem levar em conta os fatores genéticos e ambientais. O determinismo afirma que o livre-arbítrio é uma ilusão fundada na ignorância dos fatores que determinam o comportamento.

Entretanto, como uma versão branda do determinismo e as teorias compatibilizadoras defendem a ideia de que o livre-arbítrio é apenas uma ilusão, não representam uma objeção à filosofia do comportamento. Apenas o “livre-arbítrio libertário”, a crença de que as pessoas realmente possuem a capacidade de se comportar da forma que escolherem, independentemente dos estímulos anteriores e das consequências posteriores do comportamento, entra em conflito com o behaviorismo.

Assim, como a disputa entre o determinismo e o livre-arbítrio não pode ser definitivamente resolvido através de provas, o debate acerca desses dois pontos de vista seria correto se apoia em argumentos relativos às consequências sociais e estéticas da adoção de uma ou de outra.

Os críticos do determinismo argumentam que a crença no livre-arbítrio é necessária para a preservação da democracia e da moralidade em nossa sociedade. Os behavioristas contra-argumentam que provavelmente o oposto é verdadeiro: uma abordagem comportamental de problemas sociais pode aperfeiçoar a democracia e favorecer o comportamento ético.

Quanto à estética, os críticos do livre-arbítrio argumentam que ele é ilógico quando associado à noção de um Deus onipotente e onisciente. Quer um ato seja atribuído a eventos naturais ou à vontade de Deus, ele não pode logicamente ser atribuído ao livre-arbítrio do indivíduo.

Os defensores do livre-arbítrio retrucam que, dado os cientistas nunca poderem prever em detalhes e com certeza absoluta as ações de um indivíduo (em especial no longo prazo), o livre-arbítrio permanece possível, ainda que seja um mistério.

Os behavioristas respondem que é justamente seu teor misterioso que o torna inaceitável, pois levanta o mesmo problema que outras ciências tiveram que superar: como uma causa não-natural pode gerar eventos naturais? Os behavioristas dão a mesma resposta que outras ciências deram: eventos naturais provêm somente de outros eventos naturais.

Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed


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