Todos os behavioristas
concordam que é possível uma ciência comportamental, que veio a ser chamada de
“análise do comportamento”. Com propriedade, o behaviorismo é visto como a
filosofia dessa ciência.
Todas as ciências modernas
se originaram da Filosofia e dela se separaram. Por exemplo, a Astronomia e a Física surgiram quando os cientistas passaram da especulação
filosófica à observação e experimentação metódicas. Ao fazê-lo, abandonaram
explicações que envolvessem forças sobrenaturais, observando o Universo natural
e explicando os eventos naturais por referência a outros eventos naturais.
Da
mesma forma, a Química separou-se da
Filosofia quando abandonou a ideia de essências internas e ocultas como
explicação para os fenômenos químicos. Ao se tornar uma ciência moderna, a Fisiologia
a “vis viva” em prol de explicações
mecanicistas sobre o funcionamento do corpo.
A Psicologia científica
também nasceu da Filosofia e talvez ainda esteja se separando dela. Dois movimentos
promoveram essa ruptura, a psicologia objetiva e a psicologia comparativa.
A
psicologia objetiva enfatizou a observação e a experimentação, métodos que
caracterizam as ciências modernas. E a psicologia comparativa enfatizou as características
compartilhadas por todas as espécies (inclusive os seres humanos) e ajudou a
promover explicações puramente naturais acerca do comportamento das pessoas.
John Watson, fundador do
Behaviorismo, adotou o caminho da psicologia comparativa. Atacou a ideia de que
a Psicologia era a “ciência da mente”, mostrando que nem a introspecção e nem
analogias com a consciência animal produziam os resultados confiáveis obtidos
pelos métodos utilizados pelas outras ciências. Sustentou que somente através
do estudo do comportamento poderia a psicologia atingir a confiabilidade e a generalidade
necessárias para se tornar uma ciência moderna.
A ideia de que o
comportamento pode ser tratado cientificamente continua controversa, pois
desafia a noção de que ele provém da livre escolha do indivíduo. Promove o determinismo,
segundo o qual todo comportamento se origina da combinação da herança genética
e de eventos ambientais. O termo “livre-arbítrio” designa a suposta capacidade
das pessoas de escolher seus comportamentos livremente, sem levar em conta os
fatores genéticos e ambientais. O determinismo afirma que o livre-arbítrio é
uma ilusão fundada na ignorância dos fatores que determinam o comportamento.
Entretanto, como uma
versão branda do determinismo e as teorias compatibilizadoras defendem a ideia
de que o livre-arbítrio é apenas uma ilusão, não representam uma objeção à
filosofia do comportamento. Apenas o “livre-arbítrio libertário”, a crença de
que as pessoas realmente possuem a capacidade de se comportar da forma que
escolherem, independentemente dos estímulos anteriores e das consequências
posteriores do comportamento, entra em conflito com o behaviorismo.
Assim, como a
disputa entre o determinismo e o livre-arbítrio não pode ser definitivamente
resolvido através de provas, o debate acerca desses dois pontos de vista seria
correto se apoia em argumentos relativos às consequências sociais e estéticas
da adoção de uma ou de outra.
Os críticos do
determinismo argumentam que a crença no livre-arbítrio é necessária para a
preservação da democracia e da moralidade em nossa sociedade. Os behavioristas contra-argumentam
que provavelmente o oposto é verdadeiro: uma abordagem comportamental de
problemas sociais pode aperfeiçoar a democracia e favorecer o comportamento
ético.
Quanto à estética, os críticos
do livre-arbítrio argumentam que ele é ilógico quando associado à noção de um
Deus onipotente e onisciente. Quer um ato seja atribuído a eventos naturais ou
à vontade de Deus, ele não pode logicamente ser atribuído ao livre-arbítrio do
indivíduo.
Os defensores do livre-arbítrio retrucam que, dado os cientistas
nunca poderem prever em detalhes e com certeza absoluta as ações de um indivíduo
(em especial no longo prazo), o livre-arbítrio permanece possível, ainda que
seja um mistério.
Os behavioristas respondem que é justamente seu teor
misterioso que o torna inaceitável, pois levanta o mesmo problema que outras
ciências tiveram que superar: como uma causa não-natural pode gerar eventos
naturais? Os behavioristas dão a mesma resposta que outras ciências deram:
eventos naturais provêm somente de outros eventos naturais.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
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