domingo, 15 de fevereiro de 2015

Descatastrofismo


O descatastrofismo é muito útil quando acreditamos que houve ou está para acontecer certo desastre e pensamos que é o fim. Quando nos deixamos dominar pela ansiedade, nossos pensamentos fervem e escapam do nosso controle. Como modificar isso?

Um bom método para inverter esse processo é o descatastrofismo: podemos parar e nos perguntar: o que de pior poderia nos acontecer? Às vezes basta identificar o pior em termos bem específicos para pararmos de cismar e nos acalmar, pois constatamos que aquilo provavelmente não acontecerá, ou mesmo que aconteça, não será o fim de tudo.

Confrontar as evidências também ajuda, embora talvez relutemos em fazê-lo na prática. Por exemplo, a pessoa teme ir a uma festa para solteiros e não conseguir conversar com ninguém, ou teme tentar e ser rejeitado. Não indo, ou indo e ficando isolado, sua profecia se cumpre. Sim, pode ser que alguma pessoa rejeite sua tentativa de conversar. Mas se sua postura foi adequada, o problema está em quem rejeita e não em quem é rejeitado; procure outras pessoas mais receptivas. É assim que pensam os indivíduos que não têm medo de tentar conhecer novas pessoas.

Muitos que viviam com medo de cometer um erro (tropeçar na frente de outros, ou derrubar algo, etc.) acabaram descobrindo depois que o fato temido ocorreu que esse acontecimento foi uma dádiva, pois não houve o desastre esperado: ninguém ou quase ninguém notou e quem percebeu deu pouca ou nenhuma importância. O ansioso percebe assim que a realidade nem de longe se apresenta tão ruim quanto ele esperava.

Para muitos, um bom teste é o procedimento de devolver ou trocar um produto em uma loja. Algumas pessoas abominam essa experiência. Mas o que pensa que aconteceria? Os funcionários da loja vão pensar que você é um idiota? Bom, eles têm direito à sua própria opinião. Mas será que alguém vai gritar para todo mundo chamando a atenção para sua suposta idiotice? É pouco provável.

O descatastrofismo requer questionar e averiguar sua premissa de que o pior vai sempre acontecer. Requerer inquirir e investigar as etapas que você acredita que levarão ao pior acontecimento possível. Quase sempre basta nos forçarmos a parar para identificar com clareza o que está passando pela nossa mente e calcular a real probabilidade daquilo acontecer para reconhecermos o exagero que estamos incorrendo.


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