domingo, 1 de março de 2015

O Behaviorismo como Filosofia na Ciência


A ideia de que pode haver uma “ciência do comportamento” levanta duas questões: (1) O que é “ciência”? (2) Que visão de “ciência” se aplica ao comportamento? Os behavioristas radicais veem a ciência no contexto filosófico do “pragmatismo”. Essa visão contrasta com o “realismo”, concepção adotada por muitos cientistas anteriores ao século 20 e por behavioristas do começo desse período.


O realismo sustenta que há um mundo real fora de nós e que esse mundo real externo dá origem a experiências internas em cada um de nós O mundo externo é considerado “objetivo”, enquanto o mundo da experiência interior é considerado “subjetivo”. No realismo, a ciência consiste na descoberta da verdade sobre o universo objetivo.

Porém, como não temos conhecimento direto do mundo externo, apenas da nossa experiência interna que nos é dada pelos sentidos, filósofos como Bertrand Russell argumentaram que a ciência deve proceder raciocinando a partir dos dados sensoriais sobre o que deve ser o universo objetivo. Nossas experiências no mundo real são explicadas quando nosso raciocínio nos leva à verdade última sobre ele.

O pragmatismo, ao contrário, não faz nenhuma suposição sobre um mundo real externo, indiretamente conhecido. Ao invés disso, concentra-se na tarefa de compreender nossas experiências. Perguntas e respostas que nos ajudam a entender o que acontece à nossa volta são úteis. Perguntas que não fazem diferença para a nossa compreensão (como questionar sobre a existência de um mundo real fora de nós) não merecem atenção.

Assim, não há “verdade última” absoluta; em vez disso, a verdade de um conceito reside em sua capacidade de articular parcelas da nossa experiência, organizá-la ou compreendê-la.

Para pragmatistas como William James e Ernst Mach, esse processo de unificar várias partes de nossa experiência é o que constitui a “explicação”. Na visão de Mach, falar de maneira eficaz sobre nossas experiências, a comunicação, é exatamente o mesmo que explicar.

Ele sustentava que, desde que possamos falar sobre um evento em termos familiares, ele estará explicado. Na medida em que falar em termos familiares é chamado de “explicação”, nessa mesma medida “explicação” e “descrição” são o mesmo ato. A ciência descobre apenas conceitos que tornam nossa experiência mais compreensível.

Enquanto o behaviorismo radical se baseia no pragmatismo, o behaviorismo metodológico se baseava no realismo. Para o realista, o comportamento ocorre no “mundo real” e é acessível apenas indiretamente, através dos sentidos.

Consequentemente, o behaviorista metodológico tentava descrever eventos comportamentais em termos tão mecânicos quanto possível, o mais próximo possível da fisiologia.

Já o behaviorismo radical busca termos descritivos que sejam úteis para a compreensão do comportamento e econômicos para o seu debate. Descrições pragmáticas do comportamento incluem seus fins e o contexto no qual ocorre. Para o behaviorismo radical, termos descritivos tanto explicam quanto definem o que é “comportamento”.

Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed



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