A ideia de que pode haver
uma “ciência do comportamento” levanta duas questões: (1) O que é “ciência”?
(2) Que visão de “ciência” se aplica ao comportamento? Os behavioristas
radicais veem a ciência no contexto filosófico do “pragmatismo”. Essa visão
contrasta com o “realismo”, concepção adotada por muitos cientistas anteriores
ao século 20 e por behavioristas do começo desse período.
O realismo sustenta que há um mundo real fora de nós e que esse mundo
real externo dá origem a experiências internas em cada um de nós O mundo
externo é considerado “objetivo”, enquanto o mundo da experiência interior é
considerado “subjetivo”. No realismo, a ciência consiste na descoberta da
verdade sobre o universo objetivo.
Porém, como não temos conhecimento direto do
mundo externo, apenas da nossa experiência interna que nos é dada pelos sentidos,
filósofos como Bertrand Russell argumentaram que a ciência deve proceder
raciocinando a partir dos dados sensoriais sobre o que deve ser o universo
objetivo. Nossas experiências no mundo real são explicadas quando nosso
raciocínio nos leva à verdade última sobre ele.
O pragmatismo, ao contrário, não faz nenhuma suposição sobre um mundo
real externo, indiretamente conhecido. Ao invés disso, concentra-se na tarefa
de compreender nossas experiências. Perguntas e respostas que nos ajudam a
entender o que acontece à nossa volta são úteis. Perguntas que não fazem diferença
para a nossa compreensão (como questionar sobre a existência de um mundo real
fora de nós) não merecem atenção.
Assim, não há “verdade última” absoluta; em vez
disso, a verdade de um conceito reside em sua capacidade de articular parcelas
da nossa experiência, organizá-la ou compreendê-la.
Para pragmatistas como
William James e Ernst Mach, esse processo de unificar várias partes de nossa
experiência é o que constitui a “explicação”. Na visão de Mach, falar de
maneira eficaz sobre nossas experiências, a comunicação, é exatamente o mesmo
que explicar.
Ele sustentava que, desde que possamos falar sobre um evento em
termos familiares, ele estará explicado. Na medida em que falar em termos familiares
é chamado de “explicação”, nessa mesma medida “explicação” e “descrição” são o
mesmo ato. A ciência descobre apenas conceitos que tornam nossa experiência
mais compreensível.
Enquanto o behaviorismo
radical se baseia no pragmatismo, o behaviorismo metodológico se baseava no
realismo. Para o realista, o comportamento ocorre no “mundo real” e é acessível
apenas indiretamente, através dos sentidos.
Consequentemente, o behaviorista
metodológico tentava descrever eventos comportamentais em termos tão mecânicos
quanto possível, o mais próximo possível da fisiologia.
Já o behaviorismo
radical busca termos descritivos que sejam úteis para a compreensão do
comportamento e econômicos para o seu debate. Descrições pragmáticas do
comportamento incluem seus fins e o contexto no qual ocorre. Para o
behaviorismo radical, termos descritivos tanto explicam quanto definem o que é
“comportamento”.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
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