Nada é mais paralisante do que a crença de que só
podemos fazer determinada ação ou que só existe um modo de pensar sobre certo
assunto. Se o único caminho disponível estiver fechado ou levar a uma situação
dolorosa, estaremos com um problema insolúvel.
Imagine que você está dirigindo em uma rua de mão
única e uma árvore caiu no meio dela, bloqueando a passagem. Se você acredita
que a única saída é o outro lado da rua, você está preso. Mas você pode considerar
a hipótese de retornar cautelosamente, pela contramão ou de marcha-ré.
Às vezes é necessário pensar em outros pontos de
vista ou explicações para dada situação. Não precisamos necessariamente aceitar
esses pontos de vista para refletir a seu respeito. O mero ato de admitir
outras opções nos ajuda a encontrar saídas que não estávamos vendo até então.
Suponha que você esteja trabalhando com algu que encontra falhas em tudo o que fazemos e concluímos que ela quer nos derrubar.
Pode ser. Mas também levante outras explicações possíveis. Talvez seja apenas um perfeccionista muito inseguro. O comportamento ainda nos
incomoda, mas se considerarmos outras hipóteses mais leves, ficará mais fácil
trabalhar com a pessoa. Sem provas conclusivas de que uma das explicações possíveis
é a mais próxima da realidade, por que nos atermos à pior delas?
A cognição afeta o comportamento. Nossa cognição
pode ser monitorada. Alterar nossa cognição altera nossos sentimentos e comportamentos.
Nossos sentimentos modificam-se à medida que muda o que pensamos. E o que
sentimos e pensamos afeta nossas ações. Assim, podemos usar nossa
capacidade de raciocínio para modificar nossos sentimentos e atitudes.
Usando novamente o exemplo da festa para
solteiros, o sujeito pode acreditar que, se for, se sentirá mal porque ninguém
vai conversar com ele. Mas não existe a opção dele mesmo tomar a iniciativa?
Sim, mas ele não saberia o que falar. Então pode pensar em uma autoapresentação
simples e em alguns assuntos fáceis de entabular uma conversa. Pode até mesmo
usar esse nervosismo como tema.
Sim, mas e se a pessoa o esnobar? Pense bem: não
sentir atração romântica por alguém justifica esnobar esse alguém? Claro que
não! Pode surgir uma amizade. Que tipo de pessoa tem esse comportamento desagradável?
Vale a pena ser amigo, quanto mais namorar, alguém assim? Não. Então a pessoa
estaria fazendo um favor em lhe indicar logo que interagir com ela é um
desperdício de tempo e energia.
Claro que, se houver muitas negativas, vale
considerar se ele não está contribuindo de alguma forma para isso. Por exemplo,
será que o sujeito está indo em festas para solteiros com um perfil semelhante
ao dele? Que mensagem ele transmite com sua aparência, com sua linguagem
corporal, com sua voz, com os assuntos que escolhe e o modo como fala deles?
Pequenas mudanças podem produzir grandes resultados.
Em resumo, se você acredita que só existe uma
opção de como pode ou deve pensar, sentir ou agir, está limitando as suas
possibilidades. Em vez disso, modifique sua interpretação e imagine
alternativas de pensamento, de sentimento e de ação sobre como lidar com
determinadas situações.
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