A banalização é uma técnica útil para analisarmos
aquelas hipóteses que nos impedem de seguir adiante. Você pensa, por exemplo:
- “Gostaria de ir nessa festa, mas...” (se visualiza sozinho em um canto).
- “Queria morar sozinho, mas...” (e visualiza sua mãe sozinha necessitando urgentemente de ajuda).
- “Com esse trânsito, vou perder a reunião...” (e visualiza-se sendo demitido).
Nestes casos tendemos a pular direto para o final
da história, que não acaba nada bem. A técnica da banalização nos obriga a
começar pelo princípio da história, desdobrando-a devagar e sempre perguntando
“E daí?” em cada etapa.
Assim podemos identificar os pensamentos automáticos
que nos empurram para o desastre e também podemos vislumbrar meios de lidar com
a situação em pauta de uma forma mais tranquila do que temíamos, ou passamos
para a técnica do desenvolvimento de alternativas.
-“Com esse trânsito medonho, vou
acabar me atrasando”.
-“E daí?”
-“Vou acabar perdendo o avião”
-“E daí?”
-“Vou ter que ligar e avisar que não
vou chegar a tempo na reunião”.
-“E daí?”
-“Os meus superiores vão ficar
furiosos”.
-“E daí?”
-“Posso ser demitido”
-“E daí?”
-“Vou ter que encontrar outro
emprego”.
Ainda que a situação acima termine mal como
previsto, o efeito não é o mesmo pânico de quando concebemos a história inteira
em poucos segundos. Um dos motivos é que o “E daí?” nos ajuda a ir além da
possibilidade temida (no caso, a perda do emprego) e chegar à etapa seguinte (que é encontrar outro).
Além disso, o ritmo mais lento nos permite
considerar a probabilidade de ocorrência de cada uma dessas etapas. Pode ser
que você consiga chegar a tempo para o voo ou consiga pegar outro avião logo em
seguida. Talvez a reunião possa ser adiada para lhe dar tempo
de chegar. Talvez seus superiores fiquem apenas contrariados, ou até mesmo muito irritados, mas não o demitam. E pode ser que você arranje um
trabalho melhor.
Em resumo, a situação pode não ser tão feia quanto
você está imaginando, talvez seja improvável ou evitável, ou talvez você possa fazer mais para remediá-la do que
pensou em um primeiro momento.
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