quarta-feira, 1 de julho de 2015

Controle de Estímulos e Conhecimento


As pessoas falam de “conhecer” ou “conhecimento” quando um indivíduo ou qualquer ser vivo se comporta em relação ao ambiente (“público” ou “privado”) de maneiras que são reforçadas por serem “apropriadas”.


O conhecimento operacional (“saber como”) significa que algum comportamento ou categoria de comportamento foi observado. Dizer que alguém “sabe [como] nadar” significa que ele pelo menos algumas vezes já efetuou o comportamento de natação de forma bem-sucedida. Afirmações como “saber falar francês” são similares, exceto que a categoria “falar francês” inclui um repertório comportamental mais variado.

O conhecimento declarativo (“saber sobre”) significa que o comportamento referido está sob controle de estímulos. Pode-se dizer que um rato sabe como conseguir alimento pressionando uma barra simplesmente porque ele pressiona a barra, ao passo que se pode dizer que ele sabe sobre uma luz se ele só pressiona a barra quando a luz está acesa. O “saber sobre” refere-se à discriminação.

No caso especial de saber sobre em que comportamento sob controle de estímulos é um comportamento verbal, diz-se que uma pessoa sabe a respeito de um assunto se ela faz asserções que foram reforçadas por serem “corretas” sob controle de estímulos discriminativos do ambiente, particularmente estímulos provindos de outras pessoas, como questionamentos ou afirmações. Por exemplo, é capaz de falar sobre pássaros na presença de pássaros ou de imagens de pássaros, ou quando alguém lhe faz uma pergunta ou afirmativa sobre pássaros.

O autoconhecimento pertence à mesma categoria geral de “falar sobre sob controle de estímulos”. Ele é escasso e fraco quando diz respeito a eventos privados, porque os estímulos discriminativos privados são inacessíveis para os outros, que são quem treina as discriminações que compõem o conhecimento declarativo. O resultado é o oposto do que seria de se esperar a partir da concepção convencional: eventos públicos (externos) exercem melhor controle sobre o comportamento (são melhor conhecidos) do que os eventos privados (subjetivos).

Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed



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