A explicação histórica e
o raciocínio em termos de população andam lado a lado, pois a composição de uma
população se explica, em última análise, por sua história de seleção – seja a
seleção natural operando sobre uma população de organismos, seja o reforço e a
punição operando sobre uma população de ações.
Embora seja geralmente reconhecido
que eventos na infância podem afetar o comportamento na vida adulta, na
linguagem cotidiana há uma tendência a representar o passado com ficções no
presente. Isso é mentalismo e de modo algum ajuda na compreensão científica do
comportamento.
A tentação de recorrer ao mentalismo surge da predisposição para explicar o comportamento
recorrendo a causas presentes no momento em que ele ocorre. A maneira de evitar
o mentalismo é superar essa predisposição e admitir que eventos no passado
podem afetar o comportamento no presente, mesmo que o presente e o passado estejam
separados por uma lacuna temporal. A brecha cronológica de modo algum diminui a
utilidade de entender o comportamento atual à luz da história passada.
As ações específicas do
presente pertencem a populações (categorias funcionais) que têm uma história
compartilhada por causa de sua função compartilhada. Categorias funcionais
frequentemente são tratadas como unidades. Espécies e operantes são exemplos
dessas unidades.
Ações pertencem à mesma categoria funcional de comportamentos se compartilham
contextos e consequências similares. Embora cada ato específico nunca tenha
ocorrido antes, cada um pertence a alguma unidade funcional que tem uma
história de ocorrências em certo tipo de contexto e com certo tipo de
consequências.
A maioria dos usos da palavra
“intenção” e outras expressões intencionais relacionadas pertence a um de três
tipos: (1) função, (2) causa e (3) sentimento. Quando a intenção de um ato é
identificada com sua função, com seu efeito sobre o ambiente, não há nenhum
problema para uma explicação científica. Quando a intenção é vista como uma
causa interna, imagina-se que uma representação fantasmagórica das consequências
está presente no momento da ação.
Para o behaviorismo, um evento futuro não
pode explicar o comportamento, mas a invenção de uma causa interna também não
explica porque isso é mentalismo e presa fácil de todos os problemas daí
decorrentes. Uma explicação científica apropriada do comportamento (como
procurar um livro) refere-se à história de reforço de tal comportamento. O
comportamento criativo (como escrever poesia) também é modelado por sua
história de reforço.
Os autorrelatos de
sentimentos ou de intenção têm por base eventos ambientais presentes e
privados. Eles consistem em predições sobre quais eventos provavelmente serão
reforçadores e qual comportamento provavelmente será reforçado. Essas predições
sempre são baseadas na ocorrência passada de reforço.
Embora os autorrelatos
sobre a intenção experimentada possam dar a impressão de se referir ao futuro,
eles na verdade referem-se ao seu passado. Quando atuam como “dicas” para
autorrelatos, os sentimentos são eventos de sentir privados. Eles são
subprodutos devido ao condicionamento clássico, da mesma história de reforço e
punição do comportamento operante a que os relatos se referem. Não têm uma
relação causal com aquele comportamento operante, embora possam ser parte do
contexto que explica o relato verbal de uma intenção experimentada.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
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