O comportamento verbal é um comportamento operante que exige a
presença de um ouvinte para ser reforçado. O falante e o ouvinte têm que
pertencer à mesma comunidade verbal e ser capazes de revezar-se nestes papéis.
É um exemplo do nosso termo cotidiano “comunicação”, que é uma circunstância em
que o comportamento de um organismo cria estímulos que modificam o
comportamento de outro.
Como outros comportamentos operantes, o comportamento
verbal é explicado por suas consequências e seu contexto. Suas consequências
são resultado das ações do ouvinte, que é a parte principal do contexto. Gerson
pede o sal para Sílvia porque verbalizações desse tipo foram reforçadas por ela
e/ou outros ouvintes na história de reforços dele.
O comportamento verbal
parece começar na imitação e depois é modelado pelas consequências como receber
doces ou a atenção dos pais. Exceto pelo papel do ouvinte e da comunidade
verbal, o comportamento verbal é exatamente como outros comportamentos
operantes. De acordo com a definição, gestos e linguagem de sinais, embora
não-vocais, seriam considerados como comportamento verbal. E comportamentos
vocais não-operantes, não seriam.
Embora comportamentos específicos possam ser
ambíguos, eles não têm muita importância, pois o objetivo dos behavioristas é
expor a semelhança do “usar a linguagem” com outros comportamentos operantes,
em vez de separá-los. Em contraste com o comportamento verbal, a linguagem é
uma abstração. A ideia de que a linguagem é usada como instrumento é um exemplo
de mentalismo.
Como outros operantes, os
operantes verbais são unidades funcionais. O mesmo operante verbal contém
muitas verbalizações, cada uma das quais é estruturalmente única. Todas as
verbalizações que pertencem ao mesmo operante verbal, a ele pertencem, em
parte, porque cada uma delas causa o mesmo efeito sobre os ouvintes.
Nesse
sentido, todas as formas estruturalmente diferentes de pedir sal ou de advertir
sobre um perigo seriam exemplos de um operante verbal: “pedir sal” ou “avisar
de perigos”. Como outros operantes, os operantes verbais estão sujeitos a
controle por estímulos; tornam-se mais prováveis em determinados contextos.
Tal
como no caso de outros operantes, a segunda parte da definição de um operante
verbal, além de seus efeitos, é o contexto em que ele ocorre. Verbalizações
estruturalmente semelhantes podem pertencer a operantes verbais diferentes,
dependendo do contexto. A variação no contexto pode modular as variações
estruturais do operante que provavelmente ocorrerão.
Alguns pensadores sugerem
que o uso da linguagem difere de outros tipos de comportamento porque (1) é
gerativo, (2) pode referir-se a si mesmo e (3) pode referir-se ao futuro.
A
natureza generativa da fala repousa sobre a regularidade estrutural e sobre a
frequente originalidade das verbalizações. Porém, visto que são compartilhadas por
todos os outros comportamentos operantes, essas propriedades não colocam a
linguagem em uma categoria especial. Também não a coloca à parte o fato de
poder referir-se a si própria, pois isso significa apenas que um operante
verbal pode produzir um estímulo discriminativo para outro.
Da mesma forma, o
comportamento verbal não-operante também pode fornecer estímulos
discriminativos, assim como pode ser por eles controlado. A capacidade
da fala de referir-se ao futuro assemelha-se à capacidade de outros
estímulos discriminativos afetarem o comportamento após terem ocorrido, após um
lapso de tempo. Não há nada de especial sobre a questão e é possível entende-la
sem recorrer ao mentalismo.
Como outros
comportamentos operantes, as ações verbais tendem a ocorrer em determinados
contextos; estão sujeitas ao controle de estímulos. Se há algum “significado” em uma ação verbal (por exemplo, uma verbalização ou um
gesto), consiste nas condições sob as quais é provável que essa ação
ocorra: o contexto e os reforços nesse contexto.
Alguns operantes verbais
chamados “mandos” são mais dependentes
do reforço específico do que do contexto. Outros, chamados “tactos”, dependem mais do contexto
específico do que do reforço. Muito do comportamento verbal científico consiste
de tactos sob controle de estímulos originados de observações e dados. O
conhecimento científico consiste no comportamento verbal dos cientistas. Depende
de um contexto criado por pesquisas, como também de suas consequências sobre o
comportamento dos ouvintes, que geralmente são outros cientistas.
A gramática recebe a atenção de linguistas e de psicólogos por
descrever regularidades de estrutura. Uma gramática é um conjunto de regras que
podem gerar todas as sentenças consideradas corretas pelos falantes do idioma.
A gramática descreve a estrutura desse subconjunto de comportamento verbal, mas
não diz nada sobre o comportamento verbal que contraria as regras da gramática
ou sobre função. Alguns estudiosos caem na armadilha mentalista de imaginar que
as regras gramaticais residem dentro da pessoa. Em vez disso, as regras residem
no comportamento verbal daqueles que as enunciam.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: