terça-feira, 1 de setembro de 2015

Comportamentos Controlados por Regras


Formular e seguir regras são duas das atividades mais importantes na vida e na cultura humanas. O que chamamos de “regras” (faladas ou escritas) são estímulos discriminativos verbais. Elas governam nosso comportamento da mesma forma que outras contingências ambientais. As regras são verbais porque são geradas pelo comportamento verbal de um falante. Quem segue a regra é um ouvinte, que reforça o comportamento do falante de formular a regra. O comportamento controlado por regras pode ser diferenciado do comportamento modelado por contingências, que deriva diretamente do contato com contingências.

Embora às vezes as pessoas considerem desempenhos complexos modelados por contingências como seguimento de regras, na verdade a regra seguida é um breve resumo do desempenho. Ao contrário, o conceito mais técnico de seguimento de regras dos analistas comportamentais exclui contingências sobre as quais nunca se fala, porque definem a regra como um estímulo discriminativo verbal que indica uma contingência de reforço. Esse “indica uma contingência” significa “está sob controle discriminativo de uma contingência que age como um estímulo”. Essa definição inclui a maioria dos exemplos que as pessoas considerariam como regras e ainda mais. Pedidos e ordens frequentemente se caracterizam como regras, especialmente quando podem ser vistos como ofertas ou ameaças. Instruções e conselhos também podem ser caracterizados como regras.

A contingência indicada (a contingência última) é sempre em longo prazo e/ou então é mal definida, mas é relevante por afetas a saúde, a sobrevivência e o bem-estar de filhos e parentes (aptidão). A regra é associada a uma contingência mais imediata (a contingência próxima), que envolve reforçadores como aprovação e dinheiro, que ajuda a colocar o comportamento em contato com a contingência última. Ensinam-se crianças a seguir regras (serem obedientes) por causa das contingências últimas; adquirir essa habilidade generalizada faz parte do crescer em uma cultura. Entretanto, quando as pessoas aprendem o seguimento de regras generalizado, elas adquirem apenas uma discriminação, suas ações ficam sob controle de certa categoria de estímulos discriminativos provenientes de certa categoria de falantes. Imaginar que as regras de alguma forma se movem internamente é mentalismo. As regras estão no ambiente.

Se aceitarmos a ideia de que falar consigo mesmo é comportamento verbal, que uma pessoa pode ao mesmo tempo exercer os papéis de falante e de ouvinte, então se torna possível entender a resolução de problemas como um exemplo de comportamento controlado por regras. O comportamento das pessoas gera estímulos discriminativos, que frequentemente podem ser interpretados como regras que aumentam a probabilidade de ações subsequentes dentre as quais pode estar a “solução” e a ação é reforçada. O comportamento que produz os estímulos é chamado de “precorrente”. Pode ser “público” ou “privado”, vocal ou não-vocal e funciona como autoinstrução. Em especial, o “pensamento” que acontece durante a resolução de problemas pode ser entendido como comportamento precorrente, em geral “privado” e vocal.

Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed



* * *

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Envie-nos seu comentário inteligente e educado: