Para que um episódio
entre duas pessoas ou entre uma pessoa e um grupo possa ser chamado de
“interação social”, cada parte deve reforçar o comportamento da outra mutuamente.
Exemplos analisados anteriormente incluem comportamento verbal e coerção.
Diz-se que duas pessoas têm uma relação quando interações sociais entre elas
ocorrem repetida e frequentemente. Esse mesmo conceito se aplica a relações
entre indivíduos e instituições.
Embora o relacionamento
baseado em mecanismos coercitivos seja obviamente injusto, uma forma mais sutil
de iniquidade marca aquelas relações de exploração em que as ações de ambos os
participantes são reforçadas positivamente. Essas relações são consideradas
iníquas porque em longo prazo um dos parceiros é prejudicado sem perceber e
assim sua participação, em última instância, é severamente punida.
No curto prazo, a pessoa enganada poderia até continuar contente; tais pessoas são “escravos felizes”. Porém, no longo prazo os “escravos felizes” acabam descobrindo (por conta própria ou advertência de terceiros). Ou seja, eles se deparam com estímulos discriminativos que tornam prováveis ações de rebeldia e discordância. No longo prazo, essa instabilidade faz da exploração (assim como da coerção) um método precário de gerenciamento, para dizer o mínimo.
No curto prazo, a pessoa enganada poderia até continuar contente; tais pessoas são “escravos felizes”. Porém, no longo prazo os “escravos felizes” acabam descobrindo (por conta própria ou advertência de terceiros). Ou seja, eles se deparam com estímulos discriminativos que tornam prováveis ações de rebeldia e discordância. No longo prazo, essa instabilidade faz da exploração (assim como da coerção) um método precário de gerenciamento, para dizer o mínimo.
A tendência a se rebelar
contra relações de exploração, mais do que contra relações coercitivas, depende
do comportamento verbal das pessoas na sociedade. O falar sobre a exploração
tende a ocorrer nos mesmos contextos que o falar sobre injustiça e iniquidade.
Faz-se uma comparação entre dois indivíduos ou entre dois grupos e diz-se que a
pessoa ou grupo maltratado foi explorado. Considerando que a comparação feita
depende da história de reforço daquele que fala, o falar sobre “exploração”, “equidade”
e “iniquidade” varia de pessoa para pessoa, de cultura para cultura e de época
para época.
A coerção e a exploração
são reparadas mudando-se a relação entre as partes envolvidas. Pode-se cortar a
relação, mas frequentemente mudanças menos drásticas podem permitir que ela
continue. O movimento em direção a uma maior equidade entre os parceiros
acontece como resultado de contingências adicionais, ou “contingências de contracontrole”. Ao controlador é oferecida a
escolha de uma relação alternativa, uma modificação na relação existente e
estímulos discriminativos apresentados pelo parceiro controlado, que mostram
consequências em longo prazo muito melhores para o controlador, aumentando a
probabilidade de ele adotar a nova alternativa.
O contracontrole funciona através de promessas e através de ameaças, por meio de estímulos (regras) que mostram a possibilidade de reforço futuro e de esquiva da punição futura. A introdução de uma nova contingência pela qual o controlado pode afetar o comportamento do controlador muda a relação em direção a uma maior equidade.
O contracontrole funciona através de promessas e através de ameaças, por meio de estímulos (regras) que mostram a possibilidade de reforço futuro e de esquiva da punição futura. A introdução de uma nova contingência pela qual o controlado pode afetar o comportamento do controlador muda a relação em direção a uma maior equidade.
Quando novas comparações
ocorrem, o relacionamento pode mudar ainda mais. Se as novas comparações são
feitas em relação a um grupo mais amplo, o relacionamento se modifica no
sentido de maior equidade, na qual as partes envolvidas na relação se comparam
uma com a outra. Em uma relação entre iguais, todas as partes envolvidas se
beneficiam igualmente. Quando o reforço é igual, as distinções entre “controle versus contracontrole” e entre
“controlador versus controlado”
desaparecem, pois cada parceiro controla o comportamento do outro de forma
igual.
O controle que cada
parceiro exerce na relação sobre o comportamento do outro é o poder daquele
parceiro, ou mais precisamente, é o poder das contingências através das quais
aquele parceiro controla o comportamento do outro. O poder de uma contingência
depende da importância do reforçador e da precisão do controle exercido sobre o
reforçador. Quanto mais importante for o reforçador e quanto mais sob medida
for o controle sobre ele, mais poderosas serão as contingências. Um
desequilíbrio de poder nas contingências existentes em um relacionamento leva à
desigualdade na distribuição das vantagens derivadas da relação. Como o
contracontrole aumenta o poder do controlado, ele tende a reduzir a iniquidade,
instalando ou restaurando o equilíbrio de poder.
A grande força da
democracia é que esse regime político dá às pessoas, aos controlados, o poder de
contracontrolar. O contracontrole acontece por meio de eleições, demonstrações
de união e força, lobbys e outros recursos. Embora a relação continue desigual
mesmo com o contracontrole, a duração limitada do tempo de mandato dos governantes
assegura a equidade no longo prazo porque quando os governantes deixam seus
cargos, eles se tornam sujeitos às mesmas contingências que controlam todos os
demais. Assim, quando o comportamento de todos está sujeito às mesmas contingências,
todos são iguais entre si como cidadãos.
Essa é a teoria; a prática do regime democrático no mundo necessita ser aperfeiçoada.
Essa é a teoria; a prática do regime democrático no mundo necessita ser aperfeiçoada.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
* * *

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Envie-nos seu comentário inteligente e educado: