Os analistas
comportamentais abordam questões relativas a valores focalizando o que as
pessoas fazem e dizem sobre situações e ações que são chamadas “boas” ou “más”,
“certas” ou “erradas”. O relativismo
moral (ideia segundo a qual os rótulos de “bom” e de “mal” variam
arbitrariamente de cultura para cultura e de época para época, surgindo
estritamente como convenções sociais) é rejeitado tanto por pensadores
religiosos quanto por analistas comportamentais. Ambos os grupos se mostram
favoráveis a padrões universais, princípios que todos os seres humanos
compartilham. C.L. Lewis, pensador religioso, defendeu a ideia de que todos nós
temos uma noção das regras de como nos comportar, mesmo que frequentemente as
violemos. Os analistas comportamentais também reconhecem esses princípios
universais de comportamento decente, na forma de altruísmo e da reciprocidade.
Porém, Lewis diverge dos analistas comportamentais na questão das origens.
Enquanto os pensadores religiosos veem os padrões de “certo” e “errado” como
emanados de Deus, os analistas do comportamento veem esses padrões como
oriundos da história evolutiva, tal como Skinner.
Segundo a regra prática
de Skinner sobre o “bom” e o “mau”, situações chamadas de “boas” são
reforçadores positivos, enquanto situações chamadas de “ruins” são reforçadores
negativos. As “boas ações” são recompensadas e as “más ações” são punidas.
Embora reforçadores e punidores incondicionais e as ações a eles associados
venham a ser chamados “bons” e “maus” devido à forma como são construídos nosso
mundo e nosso organismo, muitas situações e ações também são chamadas de “boas”
ou de “más” devido ao nosso ambiente social, visto que grande parte do reforço
ou punição de nossas ações vem de outras pessoas. Desde cedo na infância, essas
pessoas não somente ensinam reforçadores e punidores condicionais, mas também
nos ensinam a chamar de “mau” aquilo que gera punição e de “bom” aquilo que
gera reforço positivo à ação ou situação.
A história de reforço e
punição do indivíduo explica porque ele rotula certas situações e ações de
“boas” ou “ruins” e também porque ele se sente bem ou mal a respeito delas. As
pessoas dizem que se sentem mal em situações nas quais o seu comportamento foi
punido. Os eventos fisiológicos chamados “sentimentos” funcionam junto com o
contexto público como estímulos discriminativos que induzem esses relatos. As
pessoas dizem sentir-se bem por razões análogas, em situações nas quais o seu
comportamento foi reforçado. Os sentimentos não explicam a fala sobre o “bom” e
o “mau”; na verdade, os eventos fisiológicos e os relatos sobre sentir-se bem
ou mal provêm de um histórico de reforços e punições paralelo e parcialmente sobreposto
ao histórico que gera o discurso sobre ações, objetos e situações “bons” e
“maus” (isto é, julgamentos de valor). Os julgamentos de valor, o que é especialmente
claro quando envolvem termos como “deve” ou “deveria”, são regras (estímulos
discriminativos verbais) que indicam contingências últimas que são sociais,
originam-se das práticas do grupo a que o ouvinte pertence.
Quando inquiridos sobre a
origem dos reforçadores e punidores, principalmente os sociais, os analistas do
comportamento respondem que ela está na seleção natural. Os genes que tornaram
esses eventos reforçadores ou punidores, desse modo promovendo o sucesso
reprodutivo dos indivíduos deles portadores, seriam selecionados. Assim se
explica não apenas porque o gosto doce e o orgasmo são reforçadores, mas também
porque ajudar pessoas de sua família (ainda que se sacrificando) é reforçador.
O altruísmo para com pessoas que não tem parentesco depende dos benefícios no
longo prazo para o benfeitor. A pessoa até então desconhecida retribui de
alguma forma e/ou as práticas grupais determinam que outros membros do grupo
forneçam o reforço último. De qualquer forma, o altruísmo ao final beneficia o próprio
altruísta (é reforçado).
No contexto dessas
contingências sociais, as imposições éticas constituem estímulos
discriminativos verbais (regras) que resultam em reforço ou punição social. A
análise comportamental pode ajudar nossa sociedade a trabalhar por uma “vida
plena”, oferecendo formas de identificar e implementar melhores contingências
sociais.
Extraído de “Compreender o Behaviorismo”, de Willian Baum - Artmed
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