quarta-feira, 15 de junho de 2011

Catastrofismo (4/4): Nem todo Prego precisa custar o Reino

Uma antiga parábola ensina a prestar atenção aos detalhes:

Por causa de um prego, perdeu-se a ferradura.
Por causa de uma ferradura, perdeu-se o cavalo.
Por causa de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro.
Por causa de um cavaleiro, perdeu-se a batalha.
Por causa da batalha, perdeu-se a guerra.
E por causa da guerra perdeu-se o reino.
E tudo por causa de um prego.

Sim, os detalhes são importantes. Mas imagine que você é um general do século XVIII e um soldado diz que é melhor render-se já, pois perdeu-se um prego de uma ferradura. Como convencê-lo de que ainda temos chance?

Observe de novo a parábola. Ela apresenta seis etapas crescentes entre a perda de um prego e a perda do reino. Portanto, não basta a perda de um prego para ocorrer a perda do reino. É necessário ocorrer uma série de negligências e infortúnios em cada etapa para que se inicie a próxima fase até finalmente acontecer o clímax: a perda do reino. E em cada uma dessas etapas podemos perfeitamente tomar medidas corretivas para que a progressão desastrosa termine.

Portanto, dê um passo de cada vez. Desta forma impedimos que o pensamento catastrofista provoque uma catástrofe. Sim, as minúcias podem ser muito relevantes. Um pormenor (um simples “prego”) pode fazer enorme diferença no êxito de todo um plano em ação. Mas precisamos investigar e questionar os efeitos de um fato isolado (como a perda de um “prego”) e o que podemos fazer a respeito para corrigir ou mitigar esses efeitos.

É razoável avaliar os perigos para tomar medidas preventivas, como olhar para os lados ao atravessar a rua, fazer um check-up médico anualmente, conhecer uma pessoa antes de casar-se com ela, planejar o que fazer se for verdade o boato de que a empresa em que trabalhamos vai fechar nosso departamento e demitir a todos, realizar um estudo estratégico antes de iniciar um negócio e assim por diante.

O problema é ter pensamentos e sentimentos desproporcionais aos fatos e sentir-se impotente. A crença sistemática de que NUNCA há NADA que possamos fazer para prevenir ou remediar um problema prejudica nossos relacionamentos, nossa capacidade de ajudar outros, nossa produtividade, nossas buscas de soluções, nosso aproveitamento de oportunidades.

Aprender a raciocinar friamente e a dar o benefício da dúvida (assimilar informações sem descartá-las a priori nem aceitá-las de forma automática) abre a mente para soluções e oportunidades. O risco calculado é um pequeno preço para a maior eficácia e satisfação na vida. A verdadeira proteção está na capacidade de fazer avaliações equilibradas e acuradas dos fatos através de investigação objetiva e de perguntas perspicazes. Essa mudança de pensamento pode transformar nossa vida.

Precisamos substituir o pessimismo profundo, a ansiedade intensa e o sentimento de impotência do catastrofismo por um otimismo razoável, por uma serenidade atenta e por reforçar nosso senso de poder pessoal. E em parte fazemos isso administrando nossos pensamentos automáticos.

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