Entre outros fatores, há quatro razões pelas quais não existe correlação direta e obrigatória entre bem-estar material e bem-estar subjetivo.
O indivíduo se empenha em atingir certo nível de riqueza, status, etc. acreditando que esta futura condição finalmente o tornará feliz. Quando alcança esse nível, talvez sinta êxtase. Mas depois de alguns meses a novidade passa, sua psique se acostuma com o novo nível, e a pessoa volta a se sentir como antes. Então passa a desejar um patamar ainda mais elevando acreditando que este sim a fará feliz e o ciclo se repete.
O mesmo ocorre com aquisições. Quando compramos um objeto caro [para nós], ficamos encantados por certo período. Porém, com o tempo nos habituamos com o objeto e até nos esquecemos dele. Esse objeto pode ser um celular, um carro ou um helicóptero. Depois podemos ver em uma loja ou nas mãos de alguém outro objeto similar, porém mais requintado e mais caro; então passamos a desejar aquele e a menosprezar o que temos.
2- COMPARAÇÃO COM QUEM TEM MAIS
Tendemos a nos comparar com aqueles que possuem mais do que nós, seja recursos materiais, status, talentos, graduação acadêmica, experiências ou o que for que seja importante para nós. Por exemplo, pessoas que estão ente os 10% mais ricos da população se comparam com aquelas que estão ente os 5% mais ricos e então elas se sentem pobres e privadas do que supostamente necessitam para serem felizes. E pessoas que estão entre os 5% mais ricos se comparam com os 2% mais ricos...
3- FOCO OBSESSIVO NO FATOR ECONÔMICO
Ter condições financeiras de satisfazer nossas necessidades contribui para termos satisfação na vida (lembrando que nossas reais necessidades são poucas, diferentemente dos nossos desejos). Mas a situação econômica sozinha é insuficiente para fazer uma pessoa feliz. Mais fatores são essenciais, como boa vida familiar, bons amigos, e ter tempo para refletir e buscar outros interesses.
Teoricamente não somos obrigados a escolher entre a busca do bem-estar econômico e a busca do bem-estar subjetivo, poderíamos buscar e reconciliar ambas as buscas. Mas na prática é muito difícil fazer esses dois empreendimentos ao mesmo tempo e acabamos tendo que priorizar um deles. E grande parte das pessoas opta por se concentrar exclusivamente no fator material em sua busca da felicidade, descuidando dos demais fatores, o que no longo prazo gera infelicidade.
4- O ATROFIAMENTO DA SENSIBILIDADE AOS OBJETIVOS NÃO-MATERIAIS DA VIDA
Na medida em que os rendimentos aumentam, o valor monetário do tempo da pessoa aumenta e torna-se cada vez mais “racional” gastar seu tempo apenas com assuntos “importantes” como obter mais dinheiro. Pense no quanto um empresário deixa de produzir quando assiste a um filme com a esposa, brinca com uma criança (filho, neto, sobrinho) ou se reúne com a família... Assim cada vez mais deixa de “desperdiçar tempo” com essas “atividades irracionais” e perde a capacidade de derivar felicidade dessas fontes.
Conforme investimos a maior parte do nosso tempo e da nossa energia física e psíquica em objetivos materiais, nosso interesse por assuntos não-materiais se atrofia. Vida familiar, amizades, arte, filosofia, ciência, religião, literatura, contemplar a natureza, etc. tornam-se cada vez menos importantes e atraentes para nós. Além disso, muitos descuidam de sua saúde física e psicológica. Assim, na busca pelo "sucesso" sacrificamos aquilo que mais contribui para uma vida genuinamente satisfatória.
CONCLUSÃO
Portanto, (1) o escalonamento das expectativas, (2) a comparação com quem tem mais, (3) o foco obsessivo no fator econômico e (4) a insensibilidade aos valores imateriais fazem com que o “sucesso” não nos traga felicidade e até mesmo nos afaste dela. Precisamos rever nossos conceitos.
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