quarta-feira, 15 de junho de 2011

Catastrofismo (3/4): Generalizações


Lidar eficazmente com o catastrofismo (e com todos os outros Dez Erros) requer aprender a capturar e analisar os nossos pensamentos automáticos o mais cedo possível, de preferência enquanto eles ainda são pequenos e ainda não causaram grandes reações emocionais em nós. Esse exame inclui nosso diálogo interno (o que e como falamos com nós mesmos em nossa mente) e nossa imaginação (as imagens mentais que formamos).

Um tipo especial de pensamento automático com o qual temos que tomar muito cuidado é a generalização: observar alguns casos particulares e estender as conclusões a toda a categoria ou grupo dos casos e/ou a todos os casos semelhantes possíveis. Um exemplo de generalização indevida são os estrangeiros que visitam uma cidade turística brasileira e vão embora acreditando que o Brasil inteiro é daquele jeito. Caso observem que muitas pessoas usam bermuda e sandálias, concluem que a maioria dos brasileiros não usa calça e sapatos. Porém generalizar é uma tendência humana normal, não é ruim ou errada em si mesma e (se bem utilizada) é muito útil.

O problema é quando acreditamos dogmaticamente em generalizações, quer tenham sido feitas por outros, quer tenham sido feitas por nós mesmos. O erro é não pensar ou não aceitar que possam existir exceções, graduações, terceiras alternativas, muito menos que a generalização possa estar simplesmente errada. Assim, habitue-se a desafiar generalizações em seu diálogo interno. Tome cuidado especial com termos como:
  • “sempre”
  • “nunca”
  • “ninguém”
  • “todo mundo”

As generalizações que faz sobre si mesmo são muito perigosas, pois elas são fortes provocadoras de catastrofismo. Só porque houve ou pode haver um revés em certa área de sua vida (profissional, romântica, etc.), não quer dizer que todo aquele setor está condenado, muito menos toda a sua vida. Só porque você sofreu uma rejeição, não quer dizer que nunca mais obterá êxito e que não adianta tentar mais. Podemos modificar nossas atitudes, estratégias e até objetivos e prosseguir nossa vida.

Outro cuidado é com as companhias. Algumas pessoas têm mania de transmitir tensão aos outros. Quando uma pessoa que já possui tendência a entrar em pânico se junta a uma pessoa que sente compulsão por induzir outros ao pavor, você pode imaginar o resultado. Portanto, escolha bem seus amigos e também tenha cautela com o que lê, assiste e ouve nos meios de comunicação. Evite quem ou o que o induz ao catastrofismo.

Um bom exercício é imaginar-se como ajudando alguém que está na mesma situação que você e com esses mesmos pensamentos catastrofistas. Que perguntas você poderia fazer para ajudá-lo a raciocinar e a reavaliar sua linha de raciocínio e conclusões? Como poderia utilizar os pontos que já abordamos aqui sobre pensamentos automáticos, diálogo interno, imaginação e generalização para orientá-lo?
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