terça-feira, 15 de maio de 2012

Superconfiança (2/6): O Poder Destrutivo do Pensamento Positivo



Quando tudo parece estar correndo bem para nós, é fácil acreditar que continuará sempre assim, que a vida é boa porque merecemos e que outras pessoas e fatores circunstanciais têm apenas influência secundária. É fácil fazer o que nossos admiradores e nosso próprio otimismo incentivam: focalizar apenas o que há de positivo em nós, em nossas circunstâncias atuais e em nossas perspectivas. E é difícil acreditar que pensamento positivo em excesso pode ser prejudicial.
 
Se você acredita mesmo que é e pode ser bem-sucedido em todos os domínios em que se aventura, é um afortunado. A maioria das pessoas não é apta para tudo. Mas quem acredita que o fato de ter logrado êxito em um campo o habilita a ter sucesso em tudo o que fizer pode acabar muito mal. Uma variação desse erro é pensar que, por estar atravessando uma fase muito boa, pode ter certeza de que tudo vai correr bem naturalmente, sem necessidade de um bom planejamento e de atenção cuidadosa.
O indivíduo pode assumir desafios cada vez maiores e/ou responsabilidades cada vez mais amplas, até finalmente ultrapassar os limites e sofrer sérios reveses, até mesmo entrar em colapso. É o “Princípio de Peter” em ação:
  • Ser um ótimo profissional em qualquer área não o qualifica automaticamente para ser um chefe de equipe ou outra promoção;
  • Ser um bom gerente ou diretor em uma empresa não o qualifica para abrir um negócio próprio;
  • Ser um bom cozinheiro não o qualifica para ser dono do seu próprio restaurante;
  • Ser um dono de um restaurante bem-sucedido não o qualifica para abrir uma filial;
  • O proprietário de uma próspera ferramentaria deve pensar bem antes de abrir uma loja de roupas ou comprar uma distribuidora alimentícia.
Qualquer pessoa deve pensar vinte vezes antes de fazer grandes dívidas. Por fim, muitas pessoas dedicam-se tanto ao seu sucesso profissional e/ou atividades beneficentes que não percebem a existência de problemas sérios em seu casamento ou família.

 

O excesso de pensamento positivo também pode se manifestar na tendência de esquivar-se da responsabilidade por seus próprios atos. Algumas pessoas podem tomar decisões que seu cônjuge não sabe e reprovaria caso soubesse, como fazer compras vultosas e desnecessárias. Quando inquiridos, tentam apaziguar com mentiras; se não adianta, criticam a forma como o outro se expressou. Nunca assumem erros e acreditam que não devem satisfações a ninguém, atitudes que prejudicam o relacionamento.

 
A crença na nossa superioridade e infalibilidade pode nos induzir a sempre responsabilizar totalmente os outros pelos problemas, o que desagrada muito a eles. Logo seremos considerados arrogantes, o que pode levar alguns a querer nos sabotar. Podemos passar a sermos vistos como queixosos crônicos, ainda que tenhamos certa razão.

  
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