terça-feira, 15 de maio de 2012

Superconfiança (3/6): Viver do Passado


Outro perigo é querer viver das vitórias passadas. Quando realizamos feitos admirados por outros, é tentador acreditar que não precisamos mais provar o nosso valor. Claro que as realizações passadas continuam elogiáveis. Mas na medida em que elas ficam cada vez mais distantes no tempo, em geral as pessoas esperam que você faça algo novo. O passado pode ser honroso, mas apenas com ele não iremos muito longe.
 
Essa é uma lição aprendida por jovens que se destacaram no ensino médio, escola técnica ou faculdade e foram admirados por professores e colegas como estrelas. Habituados ao estrelato, eles esperam receber o mesmo tratamento em qualquer instituição de ensino ou empresa na qual ingressem.

Entretanto, eles logo descobrem que o nível de exigência aumentou, que o que era extraordinário no antigo ambiente é básico no novo lugar e que ali eles são medianos em comparação com os novos colegas. Suas antigas vitórias não proporcionam nenhum reconhecimento, deixaram de serem estrelas e terão que recomeçar do zero para ter alguma medida de êxito.
   
Geralmente é o que acontece quando mudamos de emprego ou nos vemos em uma nova situação na qual teremos que nos empenhar de novo para apresentar resultados, talvez com níveis de exigência mais elevados. Alguns podem ficar inconformados por, depois de tudo que fizeram, ter que provar de novo o seu valor. Mas a vida é assim.
  
É ainda mais difícil quando os bons resultados que tivemos não vieram de nosso empenho, mas sim de fatores fortuitos como beleza, juventude, charme e sorte. A pessoa se habituou a fazer apenas o mínimo (ou até menos), pois as oportunidades vinham até ela com facilidade. Porém, o tempo passa e esses fatores deixam de existir, tornando a pessoa decepcionada, desorientada e paralisada com os resultados negativos que passa a obter.


Um caso comum é o indivíduo que perdeu uma boa situação e se recusa terminantemente a aceitar menos do que tinha antes. É o que acontece com o gerente que comandava cem pessoas e recebia um salário X e considera aviltante uma proposta de trabalho para liderar vinte pessoas e receber bem menos que antes. Ou com o aluno do exemplo anterior, que era uma estrela no ambiente de antes e não consegue aceitar ser apenas mediano em um novo lugar muito mais exigente.

  

Alguns que perderam uma boa situação esperam conseguir um lugar tão bom quanto o anterior e esperam conseguir logo. Com o passar das semanas e meses, ficam angustiados e parte deles desiste de buscar. Outros se agarram ao passado e ficam falando dos bons tempos, esgotando os ouvintes. Recusam-se a considerar qualquer opção capaz de melhorar sua vida, mas não de restaurar seu passado glorioso.

   

Quer dizer que quando passamos por um revés sempre temos que nos contentar com menos? NÃO. O problema é ser rígido demais no que é aceitável agora, o que o torna insensível e até mesmo cego para as oportunidades que surgirem e o induz a se entregar às lamúrias infindáveis, entrando em um ciclo de autodestruição.

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