De onde vem a hipersensibilidade às críticas? Na infância aprendemos a acreditar que quando pais, professores e outros adultos com autoridade nos criticam, eles estão sempre certos e nós temos que simplesmente aceitar, jamais lhes “respondendo”. A ideia é ensinar às crianças as regras do convívio social que permitem o consenso a respeito do que é aceitável. Sem essas regras haveria caos. Se ninguém se importasse com cumprir normas sociais e com o que os outros podem pensar, o sistema socioeconômico e cultural seria impossível. E cabe aos adultos transmitir essas regras para as crianças. E nada disso é ruim em si mesmo.
Entretanto, mesmo com as melhores intenções, os adultos às vezes transmitem lições distorcidas. Podem generalizar, ensinando que NUNCA devem contestar. Podem tentar controlar pelo medo, afirmando algo como “você nunca vai ser ninguém porque é desobediente”. Podem tentar motivar de uma forma que desanime, sempre estimulando a criança que faça mais e mais, nunca ficando satisfeitos com o desempenho dela. Claro que algumas crianças são mais suscetíveis e podem compreender de forma distorcida instruções equilibradas. De qualquer forma, a mensagem geral é que é necessário sempre absorver toda e qualquer crítica sem questionar.
Na medida em que vamos crescendo, começamos a entender (por instruções recebidas, por observação e por experiência própria) que nem todas as críticas são sensatas, justas, corretas e bem intencionadas. Também aprendemos que até mesmo as pessoas que mais amamos e que mais nos amam podem errar em suas críticas.
Esse aprendizado não se dá de uma só vez, é resultado de um longo e gradual processo de amadurecimento. A duração e a dificuldade dessa viagem dependem das circunstâncias de cada um, na interação Genética x Ambiente. Alguns parecem já ter nascido com maior propensão à sensibilidade. Além disso, quanto mais duras foram as críticas recebidas na infância, mais árdua será a tarefa do agora adulto de aprender a avaliar críticas objetivamente antes de aceitá-las. Por fim, cada indivíduo em sua história de vida desenvolve por diversos motivos uma maior sensibilidade em determinadas áreas, que se tornam os pontos fracos dele às críticas.
Alcançar a idade adulta não necessariamente faz com que a hipersensibilidade às críticas desapareça. Nem que deixemos de sermos alvos de críticas. Os pais de um agora adulto podem continuar vendo-o como uma criança em cuja vida eles têm que interferir. No trabalho, encontramos supervisores e colegas que acreditam estar sempre certos. Em todo tipo de ambiente encontramos pessoas convictas de que são infalíveis e mais importantes do que nós (que somos “ninguém”) e que só o que elas dizem importa. Mas também existem as críticas construtivas que podem nos ajudar a evitar problemas e a nos desenvolvermos. Os dois tipos de críticas fazem parte da vida e temos que aprender a lidar com ambas.
Assim, de modo geral, passamos a vida toda cercados de críticos e recebendo diversos tipos de críticas. Consequentemente, o processo de diferenciar as críticas construtivas das nocivas é contínuo. Quem possui boa habilidade de lidar com críticas é capaz de acolher aquelas que o ajudam a aperfeiçoar-se e recusa-se a se deixar abater por críticas infundadas e que talvez tenham a única intenção de causar angústia.
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