domingo, 15 de julho de 2012

Hipersensibilidade (3/6): Filtre e Analise Objetivamente as Críticas


Toda crítica deve passar por filtros mentais, um processo de classificação e seleção no qual determinamos quanta atenção cada crítica deve receber. Provavelmente você tem pouca ou nenhuma dificuldade nas áreas em que se sente seguro de si e/ou quando os críticos não são pessoas importantes para sua vida. Porém, para evitar o abatimento, nós precisamos filtrar todas as críticas que recebemos e todos os seus autores, o que demanda uma reflexão consciente na qual temos que parar e pensar, nos fazendo uma série de perguntas que permitam ao nosso bom senso nos socorrer.

Aprendemos anteriormente sobre a mania de perseguição, a tendência de interpretar afirmações genéricas ou dirigidas a terceiros como sendo críticas direcionadas a nós. Essa é a primeira camada do filtro pelo qual as supostas críticas devem passar: avaliar se houve de fato uma crítica e se ela foi mesmo dirigida a nós. Se concluirmos que sim, precisamos ativar as próximas camadas de filtragem.

O passo seguinte é fazer perguntas esquadrinhadoras como:
  • “Quem disse?”;
  • “Só porque disseram, tenho que acreditar?”;
  • “O que ele/ela realmente sabe?”;
  • “É uma crítica baseada em fatos e em princípios ou é apenas uma arbitrariedade?”;
  • “Será que ele/ela não tem algum outro motivo oculto, como sentir prazer por me fazer sentir-me inferior, remover meu bom exemplo ou se beneficiar caso eu desista de um direito ou objetivo?”.

O psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente de campos de concentração nazistas, explica porque alguns prisioneiros lutavam para sobreviver e outros desistiam da vida. No entender de Frankl, os segundos aceitavam o modo como os nazistas os viam, ao passo que os primeiros se recusavam a se sentir humilhados – apesar da perda de seu status, bens, saúde, liberdade e pessoas queridas. Os nazistas os tratavam como lixo, mas em seu íntimo a resposta desses sobreviventes era “E por que eu acreditaria em porcos?”.

Indagar a credibilidade de um crítico é útil em todo tipo de situação. Por exemplo, vendedores inescrupulosos podem recorrer a táticas manipulatórias para pressionar seu cliente, como colocar em dúvida a masculinidade do sujeito ou o seu amor pela família. Esse método funciona, mas só com homens que não param para analisar quem está falando e a validade do que dizem. O que fechar ou não um negócio tem a ver com masculinidade ou amor pela família? Nada. E quem está falando é um elemento interessado apenas na comissão que vai receber, não um especialista que se importa com você.

Claro que todos têm direito à sua própria opinião. Mas justamente por isso nem todas as opiniões são igualmente dignas de crédito. Você está falando com um especialista? Se o assunto é o motor do seu carro, a opinião do seu mecânico é mais importante do que a do seu contador. Mas se o assunto é sua declaração de imposto de renda, a opinião do seu contador é mais importante do que a do seu mecânico.

Outra pergunta relacionada é “Quantos disseram?” Quem não questiona seus críticos tende a aceitar como definitiva uma única resposta negativa que atinja um ponto de hipersensibilidade. É o caso de quem tenta uma nova profissão e não encontra oportunidade de trabalho, concluindo diante das primeiras rejeições que não tem talento para aquela atividade e que é melhor desistir. Como consequência, fica mais difícil saber se essa opinião isolada é bem fundamentada ou se é tendenciosa. A melhor maneira de avaliar uma opinião é obter diversas outras opiniões e compará-las entre si.

Pessoas da nossa família nos conhecem bem, sabem nossos pontos fracos e algumas delas podem utilizá-los para nos manipular. Uma filha viciada pode fazer chantagem emocional sobre a mãe para fazê-la lhe dar dinheiro que alega ser para necessidades, mas que provavelmente é para financiar seu vício. A mãe se sente culpada e lhe dá o dinheiro, mas se refletir sobre a credibilidade de quem está falando vai ter forças para se recusar e oferecer-se para buscarem ajuda profissional que ambas necessitam. E se a filha recusar orientação profissional, a mãe pode procurar para si mesma.


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