quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Desenvolvimento Psíquico: Melanie Klein

 
Melanie Klein (1882-1960) foi uma psicanalista de origem judaica e austríaca que fez parte da Sociedade Britânica de Psicanálise. Realizou importantes contribuições para a análise de crianças e para a teoria psicanalítica, influenciando outros teóricos como John Bowlby, Donald Winnicott e Wilfred Bion. É considera por muitos estudiosos como a pessoa que mais contribuiu depois de Freud para a compreensão do funcionamento psíquico inconsciente. Porém, outros concluem que ela é responsável em parte pelos estereótipos sobre psicanalistas como obcecados com psicopatologias e sexualidade, vendo pênis em todo objeto cilíndrico. O que se segue é um breve resumo de alguns pontos do que ela ensinou.
 
Para Melanie Klein, a atividade de fantasiar está presente na vida desde o nascimento, já que a fantasia é a representante do instinto. Nela coexistem componentes somáticos e psíquicos. Sua matriz está na percepção sensorial e determina a atitude da criança em relação a seus objetos, pelo fato de estar presente nos mecanismos de introjeção e projeção.
 
Klein explica o surgimento da inveja e da gratidão na criança através da ligação dela com o seio materno nos períodos pré-edipianos. Com a confusão gerada entre a fantasia de um seio bom e um seio mau, a criança (dependendo da forma como a interação com estes seios ocorre) pode futuramente acabar tendo problemas de relacionamento e não saber distinguir o bom do mau, ou que uma mesma pessoa ou situação pode ter aspectos bons e maus ao mesmo tempo.
 
A psicanálise kleiniana apresenta dois conceitos para explicar o funcionamento dinâmico do psiquismo. O primeiro é a posição esquizo-paranoide: o indivíduo faz a existência de dois mundos como “seio bom” e “seio ruim”, que são assimilados como sentimentos de amor e ódio. E o segundo é a posição depressiva: o indivíduo percebe que o objeto que ama é o mesmo que odeia. Essa etapa é crucial para o desenvolvimento do bebê, pois é onde ele tem mais consciência de si mesmo.
 
As tendências criminosas em crianças normais são caracterizadas pelas fantasias advindas das fixações sádicas, recalcadas no inconsciente pelo superego. Há dois tipos de fixações sádicas. No sádico oral, a criança sente um forte desejo de cortar, arrancar, cozinhar e comer o genital paterno. E no sádico anal, a criança sente prazer na zona erógena junto com a crueldade. O sentimento de culpa e ansiedade são os determinantes para a criminalidade na vida adulta do indivíduo.
 
Com base em obras de Freud, Melanie Klein fala da teoria do luto, que tem grande relação com o estado maníaco-depressivo. Explicou como é o desmame da criança e o luto, onde a dor sentida durante o mesmo é uma necessidade para renovar o vínculo com o mundo externo e também de reexperimentar continuamente a perda. Assim, a perda é representada como um desmoronamento de um mundo interno a ser reconstruído.
 
A pulsão de vida está relacionada com as ligações amorosas que constituímos com o mundo, com as pessoas e com nós mesmos. Já a pulsão de morte está ligada com a agressividade contra nós próprios e contra outras pessoas, provocando uma compulsão de repetições que levam à autodestruição. Dois exemplo de pulsão de morte são a ganância (a manifestação da insaciabilidade humana, cuja meta é a absorção destrutiva do objeto desejado) e o ciúme doentio (o medo de perder o que se tem). Onde há pulsão de vida encontramos também a pulsão de morte.
 
Quando o bebê se defronta com o sentimento de ter “destruído” sua mãe (confundindo fantasia com realidade), a culpa e o desespero por tê-la perdido despertam nele um desejo de restaurá-la e recriá-la. Esse impulso de reparação coloca o amor em conflito com o ódio e age tanto no controle da destrutividade quanto na restauração do dano causado. Os componentes desse processo são (1) aceitação da realidade, (2) aceitação da ideia de separação entre o próprio self e os pais, (3) permitir que os objetos da pessoa sejam livres, que se amem e se restaurem sem depender dele.
 
De acordo com a psicanálise kleiniana, devemos oferecer às crianças todas as informações sobre sexo que o seu crescente conhecimento já permite. É importante evitar a repressão e responder todas as perguntas com franqueza. Dessa maneira a criança chega a conclusões próprias, das quais pode fazer suas próprias deduções e formular seus conceitos da realidade.

 
* * *

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Envie-nos seu comentário inteligente e educado: